Shalon’s

…em construção…SEMPRE!

Dinheiro, sexo e futebol: as 3 coisas que o brasileiro mais gosta (?)

Dinheiro, sexo e futebol: as 3 coisas que o brasileiro mais gosta (?) (não necessariamente nessa ordem)

As pessoas compram uma coisa só. Não importa se compram um sapato, uma BMW ou um ingresso para o teatro, estão comprando uma coisa só. Quem compra uma caneta, uma camisa do seu time ou uma viagem para Nova York está comprando uma coisa só. Os caras que estão tendo sucesso hoje descobriram isso.  Os profissionais mais bem remunerados do nosso mercado são aqueles que sabem explorar esse fato. O que as pessoas estão comprando? Simples…

UMA COISA SÓ

As pessoas compram uma coisa só. Não importa se compram um sapato, uma BMW ou um ingresso para o teatro, estão comprando uma coisa só. Quem compra uma caneta, uma camisa do seu time ou uma viagem para Nova York está comprando uma coisa só. Os caras que estão tendo sucesso hoje descobriram isso.  Os profissionais mais bem remunerados do nosso mercado são aqueles que sabem explorar esse fato. O que as pessoas estão comprando? Simples. Elas estão comprando um estado de espírito, ou se você preferir, um sentimento. Isso vale para quem vai ao estádio assistir um jogo de futebol, ao templo para rezar, e ao shopping para dar uma volta no sábado à tarde.

A grande jogada nessa transação chamada compra e venda é a sensação que as pessoas experimentam durante a negociação. A grande sacada que mantém um produto campeão de vendas é que ele consegue gerar no consumidor uma sensação, um sentimento, um estado de espírito. Ninguém compra caneta apenas para escrever, camisa apenas para cobrir o corpo, ou bolsa apenas para carregar carteira e batom. E, diga a verdade, quando você sai do cinema do mesmo jeito que entrou, sai resmungando que o filme foi uma porcaria. E é exatamente por isso que você diminui a luz da sala e mete um smoth jazz no fundo quando quer relaxar no final do dia. Mudar o estado de espírito, mudar as sensações, gerar novas emoções, sentir alguma coisa, e de preferência diferente do que esta que estou sentindo agora, pois senão eu ficaria no mesmo lugar, ou não compraria o seu produto. Quer saber uma coisa?, o maior benefício de um serviço ou produto não é que  ele faz pelo cliente, mas o que ele faz dentro do cliente. Sacou?

E daí, o que é que eu tenho a ver com isso?, você diria. Bem, se você é consumidor, fique esperto, porque os caras já te descobriram e cada dia ficam sabendo mais coisas a seu respeito: o que você gosta e não gosta, o que faz você chorar, o que te mete medo, e o que você precisa para assinar aquele contrato. Até aí, nada de errado. Desde que você não esteja iludido na transação, isto é, sendo manipulado sem saber. Quer pagar mais, pague. Quer comprar aquela marca, compre. Mas não caia na esparrela de acreditar que aquele algodão com cavalinho é necessariamente melhor do que os algodões sem cavalinho.

Agora, se você é o vendedor, então, meu amigo, você tem que saber uma coisinha a mais. O grande lance de uma venda não está apenas no estado de espírito do consumidor, mas também e principalmente no coração do vendedor. Em outras palavras, o ambiente da compra tem que estar alinhado com a proposta emocional-passional do produto-serviço. É aquela coisa de careca vendendo shampoo para queda de cabelo. O que a maioria dos vendedores ainda não sacou é que vendedor de emoção sem emoção é tão ridículo quanto  gordo vendendo mais uma dieta revolucionária. Todo produto-serviço tem um valor agregado. E o ambiente da transação de sua compra e venda deve refletir esse valor. Ponto.

A BOLA,  A TRANSA E A VENDA

Fui fazer uma palestra para um grupo de atletas. Pedi que eles me descrevessem uma bola feliz. Ficaram em silêncio, e então tentei ajudar, pedindo que dissessem o que poderiam fazer com uma bola de futebol, além de jogar futebol. Um deles disse que poderíamos usar a bola de banquinho, sentando em cima dela. Boa. Outro sugeriu que a gente pode murchar a bola para que ela sirva de peso para a porta não bater com o vento. Boa também. Lá pelas tantas um garoto falou que a bola pode ser uma peça de museu, e nesse caso a gente fica olhando para ela. Maravilhosa. Era tudo o que eu precisava. Perguntei para eles se achavam que a bola do gol mil do Pelé era uma bola feliz. A resposta veio de bate pronto, “Acho que ela foi feliz no dia do gol mil, mas hoje, no museu, deve ser uma bola infeliz”. Bingo. Minha palestra poderia terminar ali mesmo. A conclusão é óbvia: uma bola feliz é uma bola em jogo. E por aí vai: uma pipa feliz é uma pipa ao vento; um peão feliz é um peão girando; um bambolê feliz é um bambolê bailando.

O gol é o orgasmo do futebol, disse Nelson Rodrigues. Mas o gol não é o todo do futebol. O gol, aliás, é o fim do futebol. Cada vez que o gol acontece, começa tudo de novo. Que nem orgasmo. O orgasmo é o fim da transa. Quando o orgasmo acontece, começa tudo de novo (sabe lá depois de quanto tempo, mas começa!). O que quero dizer com isso é que a bola não é feliz apenas  quando estufa as redes em gol. Uma bola feliz é uma bola em jogo. Uma espalmada de mão trocada, uma pancada de três dedos no travessão, uma matada no peito do zagueiro. Imagino como era feliz a bola enquanto Pelé olhava para ela e sussurrava segredos durante o minuto de silêncio. Uma bola feliz é uma bola em jogo. E se o orgasmo está no gol, a graça está no jogo. Assim como o ápice é o gozo, e o prazer é a transa.

Compliquei? Calma lá. Ainda não. Essa era a diferença entre o Garrincha e os caneleiros de plantão. O Garrincha gostava do gol, mas gostava também do jogo. Não valia apenas empurrar para dentro do gol (sem trocadilhos), tinha que ser por baixo das pernas do zagueiro (sem trocadilhos). Além do gol, o jogo. E quanto mais prazeroso o jogo, mais arrebatador o gol. Assim é com a transa, não é? E sabe de uma coisa, assim como tem gente que gosta de fazer gol e não gosta de jogar, também tem gente que gosta de gozar mas não gosta de transar. E mulher nenhuma (penso eu) gosta de transar com esse cara. 

Tudo isso para dizer que todo produto tem um valor agregado. Todo ambiente de compra e venda deve estar alinhado com o valor agregado do produto negociado. O que determina o ambiente não é o fechamento da venda, mas sim o processo da venda. Em tese, o que determina o gol é o jogo bem jogado; o que determina o gozo, é a transa bem transada. E o que determina a venda, é o processo bem negociado. E sabe o que é incrível nisso tudo? Tem gente que gosta de vender mas não gosta de negociar. Não é vendedor, apenas trabalha em vendas, e ninguém quer comprar dele. A graça não está apenas na assinatura do contrato, mas em todo o processo de negociação: fazer conta de cabeça, oferecer um café na hora certa, mudar de assunto e voltar ao prazo depois de dois minutos, mostrar a foto mais uma vez, convidar o consumidor a experimentar o produto, e assim vai, às vezes minutos, outras, horas, e quem sabe, dias, meses e anos, até a assinatura do contrato.

OS CAMPEÕES, OS RATINHOS E OS QUE DERAM CAMBALHOTA

Veja só. O cara entra na sua loja para comprar um carro, e do mesmo jeito que ele vai ter orgulho em mostrar para o cunhado que comprou um GM, você tem que ter orgulho de vender um GM. Produto: carro. Valor agregado: esbanjar o cunhado. Alinhamento do ambiente: aquela cara de “você vai abafar”. Abre paréntesis. Perdoe o exemplo mesquinho, mas não me ocorreu nada melhor. Fecha paréntesis.

A grande questão é como é que você consegue fazer aquela cara, isto é, alinhar o valor do produto com o valor do processo de negociação, gerar o ambiente de trabalho cheio de afeto, alegria e espontaneidade (ou sei lá que valores a sua empresa tem). Conheço caminhos. O primeiro é o mais simples: você faz isso naturalmente, por que você é desse jeito. Quer dizer, você não está transando do jeito que a revista feminina ensinou, você está apaixonado; você não está se movimentando em busca de espaço em campo, como o professor mandou, você é craque; ou, no caso, você não apenas trabalha em vendas, você é vendedor. Isso tem a ver com vocação, coisa de gente que diz “eu nasci para isso”, “eu amo o que faço”, “não me imagino fazendo outra coisa”.

O outro caminho, amigão, é treinamento. Que nem quando eu fui comprar um tênis na loja recém inaugurada no Shopping. Enquanto falava comigo, a moça do caixa era sorridente e atenciosa. Mas quando falava com a colega atrás do balcão, era mal humorada e irritadiça. Perguntei pra ela quanto tempo durara o treinamento. Quinze dias, foi a resposta. Saí de lá com a convicção reforçada: em quinze dias você não consegue mais do que condicionar, padronizar comportamentos, artificializar simpatias, colocar sorrisos de plástico na cara dos outros. 

O caminho do treinamento tem suas variáveis: auto-ajuda, neuro-linguística, conscientização. Mas a melhor prima irmã do treinamento é a motivação: doses diárias, sistemáticas, de estímulos e encorajamentos. Funciona assim: no início do dia você reúne sua equipe de vendas e dá uma dose de motivação na veia de cada um dos seus valentes vendedores; depois, você faz algumas promessas de recompensas; e depois coloca um catálogo bem bonito na mão deles e anuncia sorridente que “a partir de hoje nossa empresa vai deixar vocês estacionarem no subsolo, à sombra”. Depois disso, você solta os ratinhos e fica esperando por eles com outro pedaço de queijo na manhã seguinte. À medida que o resultado vai satisfazendo, você melhora o queijo. E quando a coisa despencar, isto é, os ratinhos não obedecerem mais aos mesmos estímulos, você substitui os ratinhos, é mais fácil, embora muito mais caro.

A VERDADE VERDADEIRA

Fala a verdade. A maioria das empresas que você conhece trabalha desse jeito, não é ratinho? E eu já sei que você está louco para saber como sair desse labirinto e descobrir a terceira via. Pois eu lhe digo já, sem mais suspense. Caso você não seja um vocacionado quase naturalmente campeão, e não agüente mais esta vida de porão e roda com giro falso, sua alternativa libertadora é a autotransformação.

A grande sacada, companheiro, é a seguinte: não importa tanto a qualidade do seu produto se você não é capaz de envolver seu cliente no ambiente certo. A verdade é que seu produto vai embalado não em papel, caixas ou ceras. Seu produto vai embalado em estados de espírito, sensações e sentimentos. E você tem que estar embalado nos mesmos moldes. E para estar embalado nos mesmos moldes, você não pode fazer de conta, primeiro porque a maioria dos clientes logo logo percebe, e depois porque cedo ou tarde você não vai agüentar manter as aparências, o sorriso fingido vai desaparecer da sua cara, indo direto para uma úlcera, ou coisa pior. Para embalar você, seu produto, seu ambiente de trabalho, seus processos e seus relacionamentos, não há substitutos para a autenticidade.

Não importa o que você faz. Importa o que você é. Fingir orgasmo é rota suicida, e ninguém consegue fingir que é craque. No máximo, consegue fazer um gol de placa, sem querer, na maior sorte, e depois “não vende nunca mais”.

Entre o naturalmente feliz e o treinado para ser feliz, está a maioria dos mortais, pessoas como eu e você, que convivem com o desafio da autotransformação e da busca da felicidade. Uma felicidade não artificial, que brota de dentro para fora.

Desculpa aí. Mas já falei demais e esse papo não tem fim. Não quero ensinar um truque. Quero desmascarar alguns. Não quero apresentar uma nova técnica. Quero convidar você a prosseguir numa grande aventura. A aventura de ser. Ser, para poder vender. Ser, para poder viver. Nesse caso, amigão, se você quer andar pelo caminho da autotransformação, você precisa mais do uma palestra, um seminário ou um programa motivacional. Você precisa tomar uma decisão. E depois colocar o pé na estrada, pois a viagem é longa e você não vai chegar lá a menos que dê o primeiro passo. O primeiro passo? Jogar fora os pacotes que venderam pra você. Já é um bom começo.

08/09/2010 Posted by | Ferramentas, Igreja, Liderança, Psicologia, Textos | 6 Comentários

OS NOVOS EVANGÉLICOS (…)

OS NOVOS EVANGÉLICOS                                                                          

(Revista Época Sumário – 06/08/2010 – Edição nº 638)

 

Inspirado no cristianismo primitivo e conectado à internet, um grupo crescente de religiosos critica a corrupção neopentecostal e tenta recriar o protestantismo à brasileira.
 
Irani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar. Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro (“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez – como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes – e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.

Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.

Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema. Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.

Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas). Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo. A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade” (leia o quadro na última pág.). Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.

Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, esse modelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia. “O movimento evangélico está visceralmente em colapso”, afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). “Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”

Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos. A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja” desde o início dos anos 1970. Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca – e a ele adicionou o complemento “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”. Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da“religiosidade institucionalizada”. Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: “Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira.”

Essa espécie de “nova reforma protestante” não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns. O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada. “As instituições estão todas sub judice”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita.”

Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI. “Acabamos nos perdendo no linguajar ‘evangeliquês’, no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. “É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo.”

Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país. Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante”. Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de “igreja emergente” desde o final da década de 1990. “O importante não é a forma”, afirma Uchôa. “É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.”

No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis (leia o quadro na última pág.). Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de recriação de estruturas entre as denominações históricas. A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário – e esperar em casa um relatório de gastos. Os sermões são chamados, apropriadamente, de “palestras” e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.

Revista Época Sumário – 06/08/2010 – Edição nº 638

19/08/2010 Posted by | Igreja, Liderança, Teologia | 2 Comentários

SE EU FOSSE MAIS VELHO

Não estou com pressa de envelhecer. Meu pai padece há anos de uma doença que o deixou senil e caquético. A velhice me intimida. Sei que na terceira idade não só perderei a impetuosidade típica dos jovens, como me tornarei mais vulnerável às doenças degenerativas. Mesmo assim espero pelos meus dias de ancião, porque só os velhos podem dizer coisas proibidas aos jovens. Estou ansioso para que chegue o tempo de poder dizê-las.

SE EU FOSSE MAIS VELHO…

Eu diria aos mais jovens que desistam do sonho de galgar a fama em nome de Deus. Contaria que já presenciei o desespero de alguns que, tendo almejado se destacar como referenciais de sua geração, vieram a descer do trem fatigados e destruídos pelo ônus da fama. Descreveria os bastidores de algumas “grandes” agências evangelísticas e de outras para-eclesiásticas, e como me enojei com a petulância de alguns evangelistas famosos. Falaria de minhas lágrimas, quando um deles afirmou que passaria por cima de qualquer pessoa desde que conseguisse estabelecer o que chamou de “reino de Deus”. Incentivaria os jovens a buscarem uma vida discreta, sem o glamour do mundo, a preferirem a senda do Calvário. Pediria que optassem por beber o cálice do Senhor em vez de desejarem os louros da glória humana.

SE EU FOSSE MAIS VELHO…

Eu alertaria aos mais jovens que ambicionam subir os degraus denominacionais sobre o perigo de chegar ao topo sem alma. Narraria os conchavos da política eclesiástica como ridículos e fúteis. Candidamente, contaria casos de traição, logro e delação nas reuniões secretas de algumas cúpulas religiosas. Pediria que fugissem da ganância pela autoridade institucional. Ensinaria a desejarem autoridade espiritual, que não vem de negociatas, mas de uma vida piedosa e íntima com Deus.


 

SE EU FOSSE MAIS VELHO… 

Diria aos mais jovens que não se iludissem com o academicismo. Eu lhes revelaria como alguns acadêmicos usam da erudição para se esconderem de Deus. Não teria medo de mostrar que muita bibliografia citada em rodapé de página vem de uma vaidade boba. Algumas pessoas buscam se mostrar mais cultas do que na verdade são. Diria que certos eruditos são pessoas insuportáveis no contato pessoal e que eles também padecem dos mesmos males que todos nós: intolerância, indiferença e muita, muita soberba. Contudo, eu lhes pediria que fossem amigos dos livros. Pediria que lessem muito e diversificadamente; que usassem o conselho de Tiago na busca da sabedoria: “Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas obras. A sabedoria, porém, lá do alto, é primeiramente pura; depois pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento”. (Tg 3.13, 17.)


 

SE EU FOSSE MAIS VELHO… 

Eu diria aos mais jovens que tomassem muito cuidado para não gastarem todas as suas energias nos primeiros anos de ministério. Exortaria, ilustrando o serviço a Deus como uma maratona e dizendo que não adianta se apressar nos primeiros anos. Contaria os exemplos de tantos que se arrebentaram antes da linha de chegada. Quantos pastores destruíram suas famílias e seus filhos no afã de serem úteis e produtivos! Quando chegaram os anos da meia idade, já estavam estressados e cansados! Falaria daquele dia em que o meu semblante descaiu ao ouvir um pastor dizer que só não saía do ministério porque, já muito velho, não sabia como retornar ao mercado de trabalho. Pediria que não perdessem a oportunidade de passear com os filhos no parque, de ler livros que não os úteis ao ministério, de curtir a sua mulher e de praticar algum esporte. Eu pregaria um sermão baseado em Mateus 16.26 e explicaria que, para Jesus, perder a alma tem um sentido mais amplo do que simplesmente morrer e ir para o inferno. Basearia minha mensagem na afirmação de que um pastor ou evangelista pode ganhar o mundo inteiro e acabar perdendo os afetos do cônjuge, os sentimentos dos filhos e dos amigos, a auto-estima, o sorriso, a capacidade de amar a poesia e de cantar canções de ninar. Enfim, perder a alma!

SE EU FOSSE MAIS VELHO… 

Eu diria aos mais jovens que não desejassem o espalhafato espiritual nem as demonstrações exuberantes do poder carismático. Revelaria que alguns desses evangelistas americanos que muitos acreditam superungidos passam a tarde na piscina do hotel em que se hospedam, antes de encenarem a sua superespiritualidade em megaeventos. Não temeria denunciar alguns que se trancam em seus aposentos para assistirem a filmes na televisão e logo depois sobem às plataformas com o ar de santos da hora. Não hesitaria em alardear que muito daquilo que se rotula como demonstração de poder espiritual nasce de uma mentalidade que busca levar as pessoas a uma falsa euforia religiosa.

SE EU FOSSE MAIS VELHO…

Eu diria aos mais jovens que a sexualidade é terreno minado e cheio de armadilhas. Contaria exemplos de ministérios que ruíram pela sensualidade. Alertaria que o grande perigo do sexo não vem da beleza, mas da solidão e do poder. Muitos pastores naufragaram em adultério porque se sentiram sós. Não tinham amigos verdadeiros. Viviam rodeados de assessores, sem um amigo com quem pudessem abrir o coração e pedir ajuda. Eu incentivaria os mais jovens a desenvolverem amizades, preferivelmente fora de seus quintais denominacionais. Suplicaria que fizessem amigos com coragem de falar coisas duras, olhando nos olhos. Lembraria que são fiéis as feridas feitas por aquele que ama.


 

SE EU FOSSE MAIS VELHO… 

Eu diria aos mais jovens que tomassem cuidado com os modismos teológicos, ventos de doutrina e novidades eclesiásticas. Falaria das inúmeras ondas que varreram as igrejas com pretensas visitações de Deus. Vermelho de vergonha, lembraria aquele culto em que se alardeou que Deus estava trocando as obturações por ouro. As pessoas se sujeitavam ao ridículo de investigarem a boca umas das outras e depois, ao confundirem as restaurações amareladas de material de baixa qualidade com ouro, saíam proclamando um milagre de Deus. Relataria a pobreza doutrinária daqueles que jogaram os evangélicos na paranóia da guerra espiritual e ensinaram às mulheres a vigiarem mais durante a menstruação por haver demônios que se alimentam daquele tipo de sangue. Imploraria que se mantivessem fiéis ao leito principal do evangelho, à doutrina dos apóstolos; que não deixassem de pregar a Cruz do Calvário.

SE EU FOSSE MAIS VELHO…

Eu diria aos jovens que não procurassem imitar ninguém. Lamentaria a tentativa patética de alguns líderes de quererem ser clones de pastores e evangelistas de renome. Mostraria vários exemplos ridículos de igrejas que tentaram reproduzir no sofrido Brasil o modelo de igrejas abastadas dos subúrbios americanos. Admoestaria que soubessem aceitar-se. Pediria que não ficassem procurando repetir gestos, neologismos, tom de voz e maneirismos dos outros, pois acabarão sem identidade. Eu mostraria na Bíblia que Deus não nos cobrará por não havermos ensinado com a destreza de Paulo, ou nos portado com a ousadia de Pedro, ou escrito com o mesmo amor de João. Teremos de prestar contas ao Senhor apenas por não termos vivido nossa própria identidade.


SE EU FOSSE MAIS VELHO…

Diria aos jovens que a obra que Deus tem para fazer em nós é muito maior que aquela que Ele tem para fazer por meio de nós. Diria que somos preciosos como filhos e não como servos. Melancolicamente, falaria que na velhice muitos sentem saudade dos tempos que poderiam ter sido íntimos de Deus, mas acabaram chafurdados nos pântanos de sua própria vaidade. Diria que na velhice muitos choram por saberem que o tempo da partida está próximo e que não escolheram a melhor parte, como fez Maria.

Eu deveria ter esperado para dizer essas coisas quando estivesse mais velho. Por impetuosidade, acabei dizendo antes do tempo. Contudo, acredito que não me arrependerei de tê-las dito agora.

Ricardo Gondim é teólogo brasileiro, presidente nacional da Assembléia de Deus Betesda, presidente do Instituto Cristão de Estudos Contemporâneos

26/07/2010 Posted by | Igreja, Liderança, Textos | 8 Comentários

ALTEREGO VIRTUAL

Alterego Virtual

A família inteira correu para o computador, quando uma voz nada
familiar invadiu o mezanino da casa onde morávamos. Estávamos em
1997 e eu acabara de fazer minha primeira conexão de voz usando um
programinha paleolítico que veio num disquete de revista. Naquele
tempo os programas de Internet eram baixados das bancas.

A conexão estava por um fio e qualquer solavanco era capaz de
derrubá-la. Quando caía, era preciso ficar discando para o provedor
de Internet até conseguir linha e ouvir o teré-té-té do modem, cuja
embalagem dizia ser “High Speed”.

– Hello? – arrisquei, sem saber com que língua o outro teclava.

– Hi, how are you? – respondeu a voz alienígena dando início a um
papo furado que iria durar mais de uma hora.

Dez anos depois interagir online com pessoas de outros lugares
tinha virado lugar comum. Então alguém inventou uma mescla de game
“Wolfenstein 3D” com shopping, clube de campo e danceteria e
batizou aquilo de O “Second Life”. O serviço prometia a
possibilidade de você ser uma pessoa diferente em um outro mundo,
enquanto interagia com pessoas que não eram o que diziam ser neste
mundo. Em 2007 decidi experimentar a tal da segunda vida.

Digitei http://www.secondlife.com e tentei criar meu Avatar – era assim
que chamavam o bonequinho mal acabado que devia ser a segunda via
de mim. Logo descobri que não podia ser eu mesmo. Podia ser
“Mario”, mas não “Persona”, já que era obrigado a escolher o
sobrenome de uma lista que não tinha o meu. Tinha “Pessoa”, então
decidi ser “Mario Pessoa”. Num mundo virtual em inglês eu virei
português!

Mesmo assim fui barrado. Alguém tinha escolhido ser eu antes de
mim. Voltei para as opções de sobrenome e encontrei um muito
estranho: “Falta”. Na falta da opção de usar meu próprio nome e
sobrenome, digitei “Achei” no campo do nome e escolhi “Falta” por
sobrenome. Beleza, no “Second Life” eu sou o “Achei Falta”. Nem
preciso dizer que o nome estava disponível.

Clica aqui, clica ali, e no campo da data de nascimento, o exemplo
dado era “1980”. Será que nascidos em 1955 eram velhos demais para
brincarem ali? Fiz de conta que não entendi e escolhi um Avatar
nada parecido comigo, por absoluta falta de modelos velhos e
barrigudos. Eram todos jovens e sarados.

Cliquei que li o contrato que não li, e baixei 30Mb de programa…
só para receber um aviso de que minha placa de vídeo era
incompatível! Para quem nasceu em 1955 e tem uma placa de vídeo
igual à minha, pelo jeito a opção é assistir desenho animado em
parede de caverna. Depois dos sem-terra e sem-teto, descobri que
havia os sem-second-life. Eu era um deles.

Achei que não valia a pena investir numa segunda placa só para ter
uma segunda vida, então comecei a pesquisar sobre como seria viver
naquele mundo do faz-de-conta. Seus mais de cinco milhões de
habitantes na época podiam comprar, vender, dançar e viver lá como
nunca conseguiram aqui. Seria uma opção para os frustrados? Os mais
empolgados podiam até pagar aqui, em dinheiro real, por terrenos
virtuais comprados lá, onde não existe IPTU.

Considerando que consegui criar meu Avatar, mas não consegui
entrar naquele mundo virtual, uma coisa me preocupa: Onde andará
meu segundo eu? E mais: Como posso ser eu se não posso estar onde
estou? Será que virei uma alma penada num limbo virtual? Agora vem
a notícia de que o “Second Life” demitiu 30% de sua equipe. Talvez
fosse a chance de eu me encontrar comigo aqui fora, mas descobri
que só demitiram personagens reais, nenhum virtual. Três anos
depois o “Achei Falta” deve sentir muita falta de mim. Ou não.

Para matar a fome de interatividade virtual vou quebrando o galho
com o Skype, tataraneto daquele programinha que fez a família
inteira ficar grudada no micro numa noite qualquer de 1997. Naquela
experiência eletrizante, eu e meu interlocutor não passávamos de
nicknames, mas o papo rolou legal. A coisa só perdeu a graça quando
fiz a pergunta que deveria ter feito logo de início, antes de
passar mais de uma hora conversando em inglês:

– Where are you from?

– São José dos Campos – respondeu ele.

Mario Persona é escritor, palestrante e consultor de comunicação e marketing.

07/07/2010 Posted by | Textos | Deixe um comentário

Porque procurar um Psicólogo? (repostando)

Porque procurar um Psicólogo?

Psicologia significa o estudo da alma. É a ciência que se dedica a estudar o indivíduo em sua essência: sua mente, razão, instintos, desejos, emoções, comportamentos e seus conflitos nas relações com os outros e consigo mesmo.

Existem muitas formas de entender e conceituar os conteúdos psicológicos e, dependendo do enfoque dessa análise, surgem as diferentes teorias que vão compreender e explicar a natureza humana, as chamadas abordagens ou linhas teóricas da Psicologia como a Psicanálise, a Psicologia Existencial-Humanista, o Psicodrama, a Psicologia Comportamental, entre outras. Embora cada uma delas estude o homem de uma forma diferente, todas buscam compreendê-lo de maneira global e todas contribuem na obtenção de uma visão mais precisa e detalhada da condição e das características humanas. Da mesma forma que muitas são as abordagens psicológicas, são muitas também as técnicas para aplicar clinicamente os conhecimentos psicológicos. A aplicação clínica das técnicas psicológicas com objetivo de tratamento é chamada Psicoterapia. A Psicoterapia objetiva auxiliar o indivíduo a lidar com suas emoções e com seus conflitos psicológicos da mesma forma que um oftalmologista auxilia aqueles que estão sofrendo um problema de visão ou um dentista auxilia aquele que tem uma dor de dente. Parece lógico alguém que não está enxergando bem procurar um oftalmologista ou alguém que quebrou um dente procurar um dentista, mas por que ainda é tão complicado para aqueles que sofrem com seus problemas psicológicos, procurar um psicólogo? Existem muitas respostas possíveis para esta pergunta como o antigo preconceito de que a Psicologia só trata de loucos, a idéia de ser um tratamento caro ou então muito demorado, etc. Assim, a pessoa até pensa em buscar ajuda, mas por vergonha ou desinformação, acaba desistindo.

A Psicoterapia, ao contrário do que muitos pensam, é um tratamento com começo, meio e fim onde o psicólogo aplica seus conhecimentos para diagnosticar o problema, entender e criar estratégias, juntamente com o indivíduo que o procurou, para solucioná-lo. Assim como o médico vai diagnosticar e tratar aquele problema físico, o psicólogo vai tratar suas dores emocionais. Mas que dores são essas? As angústias, medos, ansiedades, os problemas de relacionamento, as depressões e tantas outras dificuldades e inquietações que dificultam ou, até mesmo, impedem o desenvolvimento saudável da vida da pessoa que sofre por não saber lidar com elas. A psicoterapia é o caminho de enfrentamento dessas questões que incomodam. É um cuidado que se tem com sua saúde emocional. Ter saúde não significa apenas não ter alguma doença instalada no corpo ou na mente, ter saúde significa viver bem, ter qualidade de vida, dispor de bem-estar físico, psíquico e social. Infelizmente nem sempre conseguimos manter esse bem-estar e uma boa qualidade de vida. São muitas as razões que temos hoje em dia para que algum desequilíbrio aconteça. Temos tantos compromissos a cumprir, papéis a desempenhar, contas a pagar, problemas para solucionar… Estamos diariamente expostos a fatores estressantes que estão por toda parte: trânsito, violência urbana, poluição sonora, visual, ambiental, falta de um período reservado ao descanso, desentendimentos com amigos ou familiares, problemas no trabalho, em casa ou mesmo tantos outros motivos particulares e únicos que podem nos levar a alguma alteração de ordem física ou psicológica das quais sentimos não poder dar conta sozinhos. É comum sentir-se exausto depois de um dia cheio de atividades e de correria, tristes após uma briga com o namorado, um parente ou algum amigo querido. Às vezes acordamos com preguiça, mal-humorados ou então ficamos desencorajados de sair de casa para trabalhar em um dia frio e chuvoso. Tudo isso faz parte do nosso cotidiano, principalmente nas grandes cidades. Porém, esses problemas vêm e vão, são acontecimentos comuns do ambiente em que vivemos e cada indivíduo a seu modo, cria estratégias para lidar com eles.

Buscamos fontes de alegria e prazer de diversas formas como no happy hour com os colegas após o trabalho, em casa vendo um bom filme, passando alguns momentos com a família. Realizamos coisas que nos fazem bem, nos trazem descanso ou satisfação e assim vamos vivendo, trabalhando, correndo atrás de nossos objetivos, sonhos, deveres e construindo nossa história. Lidamos com nossos problemas, enfrentamos as dificuldades que vão surgindo e aproveitamos os bons momentos que vivemos, mas o que fazer quando as coisas não ocorrem assim? Existem muitas pessoas que se sentem mal freqüentemente, não conseguem levar bem suas vidas, mas preferem mascarar seu sofrimento e esperar que ele passe por si só. Pensam que nada podem fazer a respeito, mesmo sentindo-se infelizes e inadequadas, querem falar e não sentem que são realmente ouvidas ou compreendidas pelas pessoas de seu convívio. Alguns se calam, preferem se isolar. Há aqueles que agridem e descontam seus problemas nas pessoas que estão ao seu redor. Outros se medicam por conta própria. Existe também quem passa a se entorpecer com drogas e os que podem se engajar em comportamentos viciados e destrutivos como, por exemplo, a utilização exagerada e inapropriada de jogos, da atividade sexual ou de comportamentos de auto-risco para si e para os outros. Tudo isso pode ser muito eficaz para iludir a si mesmo e arrastar seus sofrimentos por mais tempo, mas nunca irão de fato resolver nada de concreto, pelo contrário, vão contribuir para a piora do quadro de angústia, culpa, sensação de vazio, além de outros problemas mais sérios que podem surgir. Quando o mal-estar parece tomar conta da vida, quando a irritação e a ansiedade extrapolam os limites da boa convivência com as pessoas ou quando a tristeza aparece sem motivo aparente e se instala por dias, semanas ou mesmo meses e não parece ter ânimo de ir embora. Quando algo não vai bem, incomoda, machuca, persiste e não encontramos recursos suficientes em nós mesmos para compreender e enfrentar a situação que está afetando ou impedindo o andamento saudável de nossa vida, podemos buscar um auxílio psicológico. A Psicologia vai buscar um ponto de equilíbrio entre suas emoções, suas razões e seus comportamentos para favorecer atitudes que gerem segurança e bem-estar. O psicólogo vai escutá-lo e ajudá-lo a identificar suas dificuldades e necessidades, a refletir a respeito delas e de suas causas criando meios para tratar estes conflitos, gerando, assim modificações positivas em sua vida. Alguns benefícios que um bom processo psicoterapêutico poderá trazer: – De início, pode-se dizer que o simples compartilhar desses conflitos já ajuda a aliviar a pressão causadora de sofrimento. -Em seguida, durante o processo psicoterapêutico, você passará a compreender progressivamente seus conteúdos internos e suas atitudes. Assim, poderá ver as coisas por outros ângulos e enxergar o que antes era desconhecido para você mesmo. -Será mais fácil, por exemplo, perceber de que forma e em que intensidade você se deixa atingir pelo seu ambiente, pelas pessoas ou por sua história de vida. -Proporcionará analisar com maior clareza de que maneira você está levando sua vida, como lida com seus limites, sentimentos, frustrações. -Aumentará sua percepção a respeito de suas qualidades positivas e negativas de forma a poder utilizá-las mais a seu favor. -Auxiliará na modificação de comportamentos e hábitos prejudiciais. -Favorecerá a liberação de sentimentos indesejáveis, ilusões, racionalizações e equívocos sobre si mesmo e sobre os outros. -Resgatará a auto-estima. -Permitirá a tomada de decisões mais conscientes para sua vida porque ampliará a visualização de outras possibilidades. -Promoverá a que quebra do círculo vicioso de comportamentos padrão, sentimentos, pensamentos e atitudes que você insiste em repetir e nem se dá conta. -Ajudará a lidar com as insatisfações e frustrações. -Cuidará de problemas específicos que lhe estão incomodando, entre outros. A Psicoterapia pode, realmente, lhe trazer muitos destes benefícios, mas é importante que se saiba que isso leva tempo e demanda esforço e disciplina do paciente. É um processo muitas vezes doloroso, mas que traz como recompensa o amadurecimento, crescimento e desenvolvimento pessoal. A procura pelo auxílio de um psicólogo pode se dar pelos mais diversos motivos que vão desde problemas emergenciais muito bem focalizados, orientações e esclarecimentos, dificuldades existenciais ou mesmo pela busca de autoconhecimento. Entre tais motivos podemos destacar: – Perdas (de um ente querido, emprego, separação conjugal, etc). – Problemas de relacionamento interpessoal com a família, amigos, colegas de trabalho, cônjuge… – Timidez – Depressão – Stress – Insegurança – Dificuldades Afetivas – Incapacidade para lidar com mudanças – Fobias – Pânico – Alterações freqüentes de humor – Transtorno de ansiedade – Transtorno obsessivo-compulsivo – Transtornos alimentares – Problemas sexuais – Doenças psicossomáticas – Problemas de aprendizagem – Orientação vocacional – Crises de transição das fases da vida como adolescência, maturidade, envelhecimento, etc.

Quanto mais cedo se procura ajuda, mais cedo se diagnostica e se trata o problema. Para que o processo psicoterapêutico se dê de forma satisfatória é preciso saber que o psicólogo não tem sozinho as respostas que você procura e, portanto, não lha dará soluções mágicas. O sucesso da terapia ocorrerá como resultado do trabalho e do comprometimento do terapeuta e do paciente. A atitude firme do paciente em querer melhorar é fundamental para o sucesso da terapia da mesma forma que é importante a competência profissional do terapeuta. Quanto à duração do processo psicoterapêutico deve-se dizer que não há um tempo certo para finalizar um tratamento. Cada caso tem suas características próprias, assim como cada pessoa tem um ritmo único e pessoal para lidar com sua subjetividade. Algumas vezes o paciente chega com uma queixa bem delimitada que em poucas sessões é resolvida e em outros casos os problemas trazidos são mais complexos demandando assim um tempo maior. Cada um tem seu tempo. Ao procurar um profissional é preciso se certificar de que se trata de alguém preparado e que, portanto, tem condições de ajudá-lo de fato. Observe se é formado e se tem registro no Conselho de Psicologia. O paciente deve saber que tudo o que é tratado em psicoterapia mantém-se em sigilo absoluto. Esse é um direito do paciente assegurado pelo Código de Ética Profissional de Psicologia. Além disso, também é importante que você sinta empatia e confiança no seu psicólogo e que se sinta bem e acolhido na clínica em que procurou para fazer terapia. Não tenha receio de visitar alguns profissionais antes de se decidir por aquele que você mais gostou. Geralmente a primeira entrevista não é cobrada e é uma boa oportunidade para você tirar suas dúvidas e conhecer o trabalho realizado pelo terapeuta.

Procurar ajuda psicológica é um sinal de coragem e maturidade.

É a oportunidade que você se dá para olhar de frente seus problemas e as dificuldades causadoras de infelicidade e sofrimento para aprender a melhor maneira de lidar com elas, se fortalecer, desenvolver seus potenciais, se autoconhecer. É um investimento na sua qualidade de vida e no seu crescimento pessoal. Fazer psicoterapia é reservar um espaço e um tempo na sua vida para cuidar de você.

29/06/2010 Posted by | Psicologia, Textos | 4 Comentários

Sam Harris e Rick Warren

Debate sobre Deus: Sam Harris e Rick Warren:

Em um dia nublado da Califórnia Sam Harris o ateu, sentou com o pastor cristão Rick Warren para discutirem sobre a mais profunda pergunta da vida – Deus é real? Uma entrevista exclusiva para a revista Newsweek. Edição de 9 de abril, 2007

– Rick Warren é tão grande quanto um urso, com uma voz forte e um encanto simples. O Sam Harris é compacto, reservado e, apesar do tom polemico de seus livros, amigável e suave. Warren, um dos pastores  mais conhecidos no mundo, começou a Igreja de Seddleback em 1980 ; Agora 25.00 pessoas frequentam  a igreja cada domingo. Harris, tem a voz macia; as palavras saltam da sua boca, complexas e fundamentadas em fatos como deve ser um estudante de neurosciencia. A convite de NEWSWEEK, encontraram-se no escritório de Warren recentemente e conversaram, na maior parte do tempo amigavelmente  por quatro horas. Jon Meacham , foi o entrevistador . Os depoimentos seguem.

JON MEACHAM: Rick, já que você é do time da casa, nós começaremos com Sam. Sam, existe um Deus no sentido que a maioria dos americanos pensa dele ?

HARRIS : Não há nenhuma evidência de tal Deus, e é interessante observar que nós somos todos  ateus com respeito a Zeus e a milhares de outros deuses inoperantes a quem agora ninguém adora.

 Rick, Qual é a evidência da existência do Deus de Abraão?

RICK WARREN; Eu vejo as impressões digitais de Deus em toda parte. Eu as vejo   na cultura. Eu as vejo na lei. Eu as vejo na literatura. Eu as vejo  na natureza. Eu as vejo em minha própria vida. Tentar compreender de onde Deus veio é como uma formiga que tenta compreender a Internet. Mesmo o cientista mais brilhante concordaria que nós sabemos somente uma fração de um por cento do conhecimento do universo.

HARRIS: Todo o cientista deve admitir que nós não compreendemos inteiramente o universo. Mas nem a Biblia nem o Qur’an representam nossa melhor compreensão do universo. Isso está absolutamente claro.

WARREN: Pra você.

HARRIS: Há tanto sobre nós que não está na Biblia. Cada ciência específica da cosmologia a psicologia à economia tem superado e substituído o que o Bibla nos diz ser verdadeiro sobre nosso mundo.

Sam, os cristãos a quem você se dirige em seus livros têm que acreditar que Deus escreveu a  Biblia e que é literalmente verdadeira?

HARRIS: Bem, há claramente uma demonstração de confiança no texto. Eu quero dizer, existe o“Isto é literalmente verdadeiro, nada pode ser interpretado figurativamente ” e existe também o “ Isto é simplesmente o melhor livro que nós temos, escrito pelas pessoas  mais espertas que já existiram, e é válido organizarmos nossas vidas em torno dele excluindo qualquer outro livro.” Em algum lugar nessa afirmação eu tenho um problema, porque em minha cabeça tanto a Biblia quanto o  Qur’an são sómente livros, escritos por seres humanos. Há partes da Biblia  que eu acho que são  absolutamnente brilhantes e sem nenhuma comparação poetica , e há  partes da Biblia que são o mais absurdo barbarismo , e no entanto garante prescrever uma moralidade divinamente orientada –como entender isto? Os livros como Leviticos e Deuteronomio e Exodos e primeiro e segundo Reis e segundo Samuel -metade dos reis e dos profetas de Israel seriam levados ao tribunal de Haia e executados por crimes contra a humanidade se estes eventos ocorressem em nosso  tempo.

[ Para Warren] A  Biblia é pertinente?

WARREN: Eu acredito que é pertinente no que reivindica ser. A Biblia não reivindica ser um livro científico em muitas áreas.

Você acredita que a criação aconteceu da maneira que o Genesis a descreve? WARREN: Se você estiver me perguntando se eu acredito na evolução, a resposta é não. Eu acredito que Deus, em um momento, criou o homem.  Eu realmente acredito que o Genesis é literal, mas eu sei também que termos metafóricos são usados. Deus desceu dos céus e soprou no nariz do homem? Se você acreditar em Deus, você não tem  problema  em aceitar milagres. Assim, se Deus quer fazer dessa maneira, está tudo bem pra min.

HARRIS: Eu estou fazendo meu Ph.D. em neuroscience; Eu estou muito perto da literatura de biologia evolucionária. E o ponto básico é que a evolução pela seleção natural é aleatória e uma mutação genética que acontece por milhões de anos no contexto da pressão ambiental que seleciona para a aptidão.

WARREN: Quem está selecionando?

 HARRIS: O ambiente. Você não tem que chamar um desenhista inteligente para explicar a complexidade que nós vemos.

WARREN: O Sam faz todos os tipos de afirmações baseadas em suas presuposições. Eu estou disposto admitir minhas presuposições: existem indícios de Deus. Eu falo com Deus diáramente.  Ele fala comigo.

HARRIS: o que isso realmente significa ?

WARREN: Uma das grandes evidências da existência de Deus são orações respondidas. Eu tenho um amigo, um amigo canadense, que tem um problema de imigração. É um membro nesta igreja, então eu disse ; “Deus, eu preciso que você me ajude com isso,” enquanto eu saía para minha caminhada da noite. Quando eu estava andando encontrei-me com uma mulher. E ela disse, “eu sou advogada eu ficaria feliz em assumir este caso. “Agora, se isto acontecesse uma vez na minha vida eu diria, “que é uma coincidência.” Se acontecesse dez mil vezes, isto não é uma coincidência.

 Deve ter havido épocas em seu ministério que você orou para que alguém fosse curado  de uma doença e ela não foi – por exemplo  uma menina  com câncer.

WARREN: Oh, com certeza.

Então, analise isso. Deus deu-lhe um advogado de imigração, mas Deus matou uma menina.

WARREN: Bem, eu acredito na bomdade de Deus, e eu acredito que Êle sabe  melhor do que eu. Deus às vezes diz sim, e Deus às vezes diz não e Deus ás vezes diz espera. Eu tive que aprender a diferença entre o Não e o Ainda Não. O assunto aqui é  realmente entregar – se. Muitos ateus se escondem no racionalismo: quando você começa a sondar, você descobre que suas reações são bastante emocionais. Realmente, eu nunca conhecí  um ateu que não fosse  irritado.

HARRIS: Deixe-me ser o primeiro.

WARREN: Eu acho que seus livros são bastante irados.

HARRIS: Eu diria impaciente e não irados. Deixe-me responder a este exemplo de oração respondida, porque este é um erro clássico de amostragem, usando uma frase estatística. Nós sabemos que os seres humanos têm um sentido terrível de probabilidade. Há muitas coisas que nós acreditamos que confirmam nossos preconceitos sobre o mundo, e nós acreditamos nisso somente observando as confirmações, e não se mantendo a par das não confirmações. Você poderia provar para satisfação de muitos cientistas que a oração intercessória funciona se você fizesse esta simples experiência. Consiga que um bilhão de cristãos orem por um único mutilado. Peça pra que eles orem para que Deus faça crescer aquela parte amputada novamente. Isto acontece com as salamandras diariamente, com certeza sem orações, isto é coerente com a capacidade de Deus.[ Warren está rindo.] Eu acho interessante que as pessoas de fé  tendem a orar somente por circunstâncias que são limitadas para elas.

WARREN: Existe uma interpretação falsa aí.

HARRIS: Vamos voltar á Bibla. A razão que você acredita que Jesus é o filho de Deus é porque você acredita que o  Evangelho  é um relato  válido dos milagres de Jesus.

WARREN: É uma das razões.

HARRIS: Yeah. É uma das razões. Agora, há muitos testemunhos sobre milagres, cada um tão surpreendente quanto os milagres de Jesus, na outra literatura das religiões do mundo. Até mesmo milagres atuais. Há milhões de pessoas que acreditam que o Baba de Sathya Sai, o guru do sul da India, nasceu de uma de uma virgem, levantou os mortos e materializou objetos, você pode ver alguns de seus milagres no You Tube. Prepare para ser surprendido. Ele é um mágico dos palcos.  Como um cristão, você pode dizer que histórias de milagres do Baba de Sathya Sai não são interessantes, não prestar atenção a elas, mas se você os vê  no contexto do Império Romano pré-cientifico do primeiro-século, de repente as estórias dos milagres se tornam especialmente comoventes.  Sam, quais são as fontes seculares de um código moral aceitável?

HARRIS: Bem, eu não creio que os livros religiosos são a fonte. Nós lemos a Biblia e nós somos os juizes do que é bom. Nós vemos a régra de ouro como a purificação dos impulsos éticos, mas a régra de ouro não é única da  Bible ou de  Jesus; você a vê em muitas e muitas  culturas- e você vê uma  forma dela entre primatas não humanos. Eu não sou de modo nenhum um relativista moral. Eu acho que é bastante comum entre povos religiosos acreditar que o ateismo envolve o relativismo moral. Eu creio que há um certo e errado absoluto.

     Eu creio que honrar o crime, por exemplo, é absolutamente errado – você pode usar a  palavra demoníaco. Uma sociedade que mata mulheres e meninas por falta de descrição  sexual, mesmo a indiscrição de ser violentada, é uma sociedade que matou  a compaixão, que falhou não  ensinando aos homens a valorizar as mulheres e erradicou a empatia. Empatia e compaixão são nossos impulsos morais mais básicos, e nós podemos até mesmo ensinar a regra de ouro sem mentir para nós mesmos ou ás nossas crianças sobre a origem de determinados livros ou do nascimento virgem de determinados povos.

Rick, O cristianismo tem se comportado de uma maneira covarde e má de tempos em tempos. Como você enquadra isso com o Evangelho Cristão do amor?

WARREN: Eu não me sinto obrigado a defender atos que são feitos em nome de Deus quando eu não creio que Deus os tenha aprovado ou defendido. Existem coisas que foram feitas em nome do Cristianismo erradamente? Sim. O Sam faz uma afirmação em seu livro que religião é ruin para o mundo, mas mais pessoas foram mortas por causa do ateismo do que em todas as guerras religiosas juntas. Milhares morreram na Inquisição;  milhões foram mortos por  Mao, e por Stalin e Pol Pot. Existe um lugar para os ateístas no mundo hoje chamado Coréia do Norte. Eu não conheço nenhun ateista que queira ir pra lá. Eu prefiro muito mais viver com o Tony Blair  ou mesmo George Bush. O fim da linha é que os ateistas, que acusam cristãos de serem intolerantes, são tão intolerantes quanto eles.

HARRIS: Como eu estou sendo intolerante? Eu não estou defendendo que nós tranquemos as pessoas por causa da sua convicção religiosa. Você pode ser preso na Europa ocidental por negar o Holocausto. Eu penso que esta é uma maneira terrível de encarar o problema. Isto é realmente uma das grandes falsidades do discurso religioso, a idéia de que os maiores crimes do século 20 foram executados  por causa do ateismo. O problema central para mim é o dogmatismo divisive. Há muitos tipos do dogmatismos. Há um nacionalista, há um tribalista, há um racista e há um chauvinista. E há a religião. A religião é a única esfera do discurso onde o dogma é realmente uma palavra boa, onde é considerada nobre por acreditar em algo baseado fortemente na fé.

WARREN: Você não acha que os ateistas são dogmáticos?

HARRIS: Não, eu não acho.

WARREN: Eu sinto muito , mas eu discordo de você. Você é bastante dogmático.

HARRIS:Bem, eu estou feliz que você tenha chamado a atenção pra os meus dogmas, mas primeiro deixe-me tratar do Stalin. Os campos da matança e o gulag não foram  produtos da relutância  das pessoas em acreditar  em coisas que não tinham evidência suficiente. Elas não eram o produto de pessoas que requerem demasiada evidência e muita discussão por causa das suas crenças.

 Nós temos pessoas flying planes em nossos edifícios porque têm reclamações teológicas contra o Oeste. Eu observo cristãos fazendo coisas terríveis explicitamente por razões religiosas- por exemplo, não financiando a pesquisa embrionária. O motivo  é sempre o mais importante para mim. Nenhuma sociedade na história humana tem sofrido  por ter se tornado  demasiado racional.

WARREN: Nós estamos de total acordo quanto a isso. Eu simplesmente acredito que o Cristianismo salvou a razão. Nós não teríamos os nossos direitos garantidos se não fosse o Cristianismo.

HARRIS: Esta certamente é uma reivindicação disputada. A idéia de que de alguma maneira nós estamos tirando a nossa moralidade da tradição Cristã-Judaica é uma história ruin e uma ciência ruin.

WARREN: De onde você tira a sua moralidade ? Se não tem nenhum deus, se eu for simplesmente um produto um objeto complicado, então a verdade é, que sua vida não importa, minha vida não importa.

HARRIS: Isto é uma caricatura total de…..

WARREN: Ò ,não, deixe-me terminar. Eu deixei você caricaturar o Cristianismo. Se a vida for apenas uma possibilidade aleatória, então nada realmente importa e não há nenhuma moralidade- é a sobrevivência do mais apto. Se  a sobrevivência   dos mais  aptos significa eu matar você para sobreviver, então que seja. Por anos, os ateistas têm dito que não há Deus, mas querem viver como se Deus existisse. Êles querem viver como se suas vidas tivessem significado .

HARRIS: Nossa moralidade, o significado que nós encontramos na vida, é uma experiência vivida que eu acredito tenho que usar um termo pesado, um componente espiritual. Eu acredito que é possível transformar radicalmente nossa experiência do mundo para melhor, de certa forma da maneira como alguém como Jesus ou alguém como Buda, testemunhou. Existe uma sabedoria em nossa literatura espiritual, contemplativa, e eu estou muito interessado em compreendê-la. Eu creio que meditação e a oração nos afetam para o melhor. A pergunta é, o que é razoável acreditar tendo como base estas transformações.

WARREN: Você não vai admitir que é a sua experiência que faz  de você um ateista, e não a racionalidade.

HARRIS:O que em sua experiência está fazendo de você alguém que não é muçulmano? Eu presumo que você não está perdendo o sono toda noite querendo saber se se converte ou não ao Islamismo

 E se você não vai, é porque os muçulmanos dizem, “Nós temos um livro que é a palavra perfeita do criador do universo, é o Qur’an, e ele foi ditado a Muhammad em sua caverna pelo arcanjo Gabriel,” você vê lá uma grande variedade de afirmações que não são apoiadas por evidencias suficientes . Se as evidencias fossem suficientes, você seria motivado para ser Muçulmano.

WARREN: Isso é verdade

HARRIS: Assim você e eu ambos temos um relacionamento com o ateísmo e o Islamismo.

WARREN: Nós ambos estamos em um relacionamento de fé. Você tem a fé que não há nenhum deus. In 1974, eu passei a melhor parte do  ano morando no Japão, e eu estudei todas as religiões do mundo. Todas as religiões apontam bàsicamente para a verdade. Buddha fez esta famosa afirmação no fim de sua vida: “Eu estou procurando ainda pela verdade.” Muhammad disse, “eu sou um profeta da verdade.” O Veda diz, a “verdade é difícil de ser encomtrada , ela é como  uma borboleta, você tem que caça-la. “Então Jesus Cristo vem  e diz, “eu sou a verdade.”  repentinamente, esta afirmação força uma decisão.

HARRIS: Muitos, muitos outros profetas  e  gurus disseram isso.

WARREN: Está aqui a diferença. Jesus diz, “Eu sou o único caminho para Deus. Eu sou o caminho para o pai. “Ou Ele está mentindo ou não”.

Sam,  o Rick é  intelectualmente desonesto?

HARRIS: Eu não colocaria de uma maneira tão injusta, mas vamos dizer que o Rick não está aqui e nós estamos só visitando o seu escritório.

HARRIS: É intelectualmente desonesto, francamente, você dizer que não tem dúvida  que Jesus nasceu de uma virgem.

WARREN: Eu digo que eu aceito isto pela fé. E eu creio que é intelectualmente desonesto você dizer que você tem provas que não aconteceu. Aqui está a diferença entre você e eu. Eu estou aberto à possibilidade que eu esteja errado em determinadas áreas, e você não.  

HARRIS: Oh, eu estou absolutamente aberto a isto.

WARREN: Então você está aberto à possibilidade de que você pode talvez estar errado sobre Jesus?

HARRIS: E Zeus. Absolutamente

WARREN: E o que você está fazendo para estudar isso?

HARRIS: Eu considero isso um evento de tão baixa-probabilidade que eu…

 WARREN: Uma probabilidade baixa? Quando há 96 por cento de pessoas no mundo que acreditam? Então todos os outros são idiotas?

HARRIS: É bem possível que a maioria das pessoas estão erradas assim como a maioria dos Americanos que acham que a evolução não ocorreu.

WARREN: Esta é uma indicação arrogante.

HARRIS: É uma indicação honesta.

Rick, se você tivesse nascido na India ou no Irã, você teria uma crença religiosa diferente?

WARREN: Não há nenhuma dúvida de que onde você nasce influencia suas crenças iniciais. Independente de onde você nasceu, há algumas coisas que você pode saber sobre Deus, mesmo sem a  Bibla. Por exemplo, eu olho o mundo e digo,  “Deus gosta de variedade.” Eu digo, “Deus gosta de beleza.” Eu digo,  “Deus gosta de ordem,” e quanto mais  nós entendemos a ecologia, mais nós entendemos como esta ordem é sensivel .

HARRIS: Então Deus gosta da catapora e da tuberculose também.

WARREN: Eu atribuiria  muitos dos pecados do mundo a min mesmo.

HARRIS: E você é responsável pela catapora?

WARREN: Eu sou responsável por fazer algo sobre ela. Não há nenhuma dúvida sobre isso. Eu sou responsável por fazer algo sobre os 500 milhões que contraem malária todo ano e os 40 milhões que têm AIDS, porque eu vou ser responsabilizado pela minha vida. E quando eu disser, “Deus, porque você não faz algo sobre isto?” Deus vai dizer,“Bem, por que você não faz? Você era a resposta a sua próprio oração. “

HARRIS: Eu concordo totalmente com o Rick: é nossa responsabilidade ajudar construir uma ponte sobre estes inequities, mas eu acho que você se torna ainda mais motivado, potencialmente, para ajudar as pessoas quando você se conscientiza  que não há nenhuma boa razão, e com certeza nenhuma razão sobrenatural, para o fato de que eu tenho tanto e meu vizinho tem tão pouco. Você crê que os bons trabalhos  religiosamente  motivados são realmente prejudiciais?

HARRIS: O que  me incomoda sobre o altruísmo baseado na fé  é que está contaminado com idéias religiosas que não têm nada a ver com o alivio do sofrimento humano. Então, você tem um ministro Cristão na África que está fazendo um trabalho realmente bom, ajudando àqueles que estão com fome, curando os doentes. No entanto, como parte de sua descrição de trabalho, ele sente que tem que pregar a divindade de Jesus nas comunidades onde milhões de pessoas tem sido mortas literalmente por causa do conflito inter-religioso entre cristãos e muçulmanos. Parece-me que essa parte adicionada causa um sofrimento desnecessário. Eu preferiria ter alguém lá que quer simplesmente alimentar o faminto e curar o doente.

WARREN: Você preferiria muito mais ter um ateista alimentando o faminto do que uma pessoa que acreditasse em Deus? Todos os grandes movimentos de crescimento da civilização ocidental foram feitos por pessoas que acreditavam em Deus. Foram pastores que conduziram a abolição da escravatura. Foram os pastores que lideraram o movimento do direito da mulher ao voto. Foram os pastores que lideraram o movimento dos direitos civis. Não os ateistas.

HARRIS: Você fala da escravidão – Eu acho que é bastante irônico. A Escravidão, por putro lado, é apoiada pela Bibla, e não condenada por ela. È apoiada com uma precisão única no Velho Testamento, como você sabe, e Paulo em primeiro a Timoteo e Ephesios e Colossense apóia isto, e Peter…..

-WARREN: Não, ele não faz isso. Ele permite a escravidão. Não a apoia.

HARRIS: Ele a permite . Eu argumentaria que nós nos livramos da escravidão não porque nós lemos  Bibla com  mais atenção . Nós nos livramos da escravidão apesar das  profundas  incoerêncis da Bibla. Nós nos livramos da escravidão porque nós tomamos consciência de que era terrivelmente diabólico tratar seres humanos como equipamento de fazenda. Como era. Rick, qual é seu papel como pastor no encorajamento das reformas de outras crenças?

WARREN: Todas as grandes questões do século XXI serão perguntas religiosas. O Islamismo modernizar-se-á pacificamente? O que vai acontecer ao crescimento dos muçulmanos na Europa secular, que perdeu sua fé no Cristianismo e não tem nada para neutralizar esta perda em termos religiosos?O que vai substituir o Marxismo na China? Em todas as probabilidades vai ser o Cristianismo.  Irá a América voltar ás suas raízes históricas – haverá um terceiro, grande despertar ou a América irá pelo mesmo caminho da Europa?

HARRIS: Eu creio que as respostas, em termos espirituais e éticos,vão ser não – denominacionais. Nós estamos sofrendo a colisão das denominações, especificamente uma colisão com  o Islamismo. Qualquer que seja a verdade sobre nós, não é Cristão. E não é muçulmano. A física não é Cristã, embora foi inventada por Cristãos. A álgebra não é muçulmana, mesmo que tenha sido inventada por Muçulmano. Sempre que nós chegamos á verdade, nós transcendemos cultura, nós transcendemos nossa criação. O discurso da ciência é um bom exemplo de onde nós devemos manter a nossa esperança transcendendo o nosso tribalismo.

WARREN: Por que o ateísmo não é o mais atraente se supostamente é o mais intelectualmente  honesto?

HARRIS: Francamente , porque tem   uma  terrível campanha de relações públicas .

WARREN: [Risos] não é uma  questão de campanha  de relações públicas.

HARRIS: É quase como se fosse um molestador de criança  algo que você não quer ser. Mas isso é um produto, eu afirmaria, do  que outras pessoas religiosos dizem a um outro sobre o atheism.  Sam,  uma coisa que eu acho realmente problemático em seus argumentos é que eu sou culpado, citando  “O fim da fé,” “de um “obscenidade engraçada” quando eu levo meus filhos à igreja. Esta é  uma expressão muito forte, e não encoraja  o diálogo.

HARRIS: Até certo ponto a leveza de minha escrita é um esforço para chamar a atenção das pessoas. Mas eu posso honestamente defender a leveza porque eu penso que nossa situação é muito urgente. Eu estou estarrecido diante do que me parece ser um bottleneck que a civilização esteja passando . Por um lado nós temos a tecnologia do vigésimo primeiro século disruptiva que está proliferando, e no outro nós temos a superstição do primeiro século.A civilização vai passar por este bottleneck  mais ou menos intacta ou não. E talvez esse medo pareça  imenso, mas as civilizações terminam. Em muitas ocasiões, alguma geração testemunhou a ruína de tudo que eles e seus antepassados tinham construído. O que me estarrece especialmente sobre o pensamento religioso é a expectativa da parte de muitos que a civilização pode acabar baseado em uma profecia e o seu fim vai ser glorioso.

WARREN: Eu acredito que história se divide entre A.C. e D.C. por causa da Ressurreição. E a Ressurreição é não somente a ressurreição de Jesus Cristo , é a esperança do mundo: e isso significa  que há mais nesta vida do que apenas aqui e agora. Isto não significa que eu vou fazer menos, significa que esta vida é um teste , é uma tarefa de confiança e temporária..Se a morte é o fim,  eu  não vou desperdiçar nem mais um minuto sendo altruísta.

HARRIS: Como você explica meu altruísmo?

 WARREN: Você tem a benevolência comum. Mesmo nas pessoas que não acreditam em Deus, existe uma luz que Deus colocou em você que diz :, ” Existe mais na vida do que   apenas ganhar  dinheiro e morrer.” Eu penso que essa luz não vem da evolução. Sam escreveu que sem a  morte, a influência da religião baseada na fé seria inconcebível

WARREN: Porque nós fomos feitos à imagem de Deus, nós fomos feitos para durar para sempre. Isso significa que eu vou passar mais tempo naquele lado da eternidade do que neste lado. Se eu não acredito que haverá um julgamento, se eu acredito que Hitler vai se livrar de tudo o que ele fez , isto seria uma razão para um  grande desespero. O fato é, eu acredit que haverá um dia do Juízo Final. Deus não é apenas um Deus de amor. É um Deus de justiça. Então a morte é um fato.Por outro lado, mesmo se não houvesse nada como o céu , eu colocaria a minha confiança em Cristo porque eu descobri uma maneira significativa, satisfatória, significante  de viver.

HARRIS: Como pode ser justo para Deus ter criado um mundo que dá um testemunho tão ambíguo da sua existência? Como pode ser  justo  ter criado um sistema onde a crença é a parte crucial,  ao invés  de ser uma boa pessoa? Como pode ser justo  ter criado um mundo em que por um simples acidente de  nascimento, alguém que cresceu sendo muçulmano possa ser confundido pela religião errada? Eu não vejo como o futuro da humanidade está em boas mãos  com aquelas ortodoxias competitivas. Rick, vamos ser honestos. A alma do Sam está em perigo, em sua opinião, porque rejeitou Jesus?

 WARREN: A resposta polìticamente  incorreta é sim.

 HARRIS: Esta é a resposta honesta?

 WARREN: A verdade é, religião é mutuamente exclusiva. A pessoa que diz, ” Oh, eu apenas acredito em  todos elas, ” é um idiota porque as religiões se contradizem naturalmente. Você não pode acreditar em reencarnação e no céu ao mesmo tempo. Sam, vamos ser honestos  também. O Rick , tem,  em sua opinião, desperdiçado muita de sua vida em nome de um evangelho que você acha que é  uma superstição de primeiro-século?

 HARRIS: Eu não colocaria nesses termos austeros, porque eu não tenho  uma visão rígida  de como alguém deva gastar sua vida de modo a não  desperdiça – la.

WARREN: Qual seria a  sua resposta polìticamente incorreta?

HARRIS: Eu creio que você poderia usar  melhor seu tempo e atenção  do que organizar sua vida em torno de uma crença de que a Bíblia é a palavra  infalível de Deus e o melhor livro que nós  podemos ter em cada  assunto em questão. Como o mundo ideal funcionaria na visão de Sam Harris?  

 HARRIS :  Agora nós vamos ter que mudar as regras para falar de Deus , experiência espiritual e ética.  E eu estou que é assim. Você pode ter a sua espiritualidade. Você pode para uma caverna e praticar meditação e se transformar e então nós podemos conversar sobre porque isto aconteceu e como isto pode ser realizado novamente.Nós podemos até querer por razões perfeitamente racionais,  que nós queremos um  “Sabbath” neste país um Sabbath genuíno. Vamos nos conscientizar que existe um poder em contemplar  os  mistérios do universo, e em lembrar-se o quanto você ama  as pessoas mais próximos a você, e oquanto m você poderia amar as pessoas que você ainda não conheceu. Não há nada que você tem que acreditar sem evidencias suficientes para poder falar sobre essa possibilidade.

WARREN: Sam, você acredita  que os seres humanos tem um espírito?

 HARRIS: Há muitas razões para não acreditar em uma concepção ingénua de uma alma que flutua  fora do cérebro na morte e vai para  algum  outro lugar . Mas eu não sei.

 WARREN: Pode você ter a espiritualidade sem um espírito?

 HARRIS: Você pode sentir-se parte do universo

WARREN: Então porque você simplesmente não vai para a próxima  etapa? Porque agora  você está falando em termos extremamente irracionais.  

HARRIS:Não tem nada irracional sobre isso. Você pode fechar seus olhos na meditação e perder o sentido de seu corpo físico, totalmente. Muitos pessoas tiram disso a conclusão metafísica que ” Eu sou somente  espírito,  e eu posso transcender meu corpo.” Esta  não é  a única conclusão a que você tem que chegar  dessa experiência, e eu não creio que é a melhor   conclusão.

WARREN: Você é mais espiritual do que você pensa. Você apenas não quer um chefe. Você não quer um Deus que lhe diga o que fazer.

HARRIS: Eu não quero  fingir estar certo sobre qualquer coisa que eu não tenho certeza.

Rick, últimos pensamentos?

WARREN: Eu acredito na fé e na razão.Quanto mais nós aprendemos sobre Deus, mais nós compreendemos quão magnífico este universo é. Não existe  nenhuma contradição a isto. Quando eu olho a história, eu discordo do Sam: O cristianismo muito mais bem do que mau. O altruísmo vem do conhecimento de que há mais do que esta vida, de que lá é um Deus soberano, que eu não sou Deus.  Nós estamos ambos apostando.  Ele está apostando a sua vida que ele está certo eu estou apostando  a minha vida que Jesus não era um mentiroso. Quando nós morrermos se ele estiver certo, eu não perdi nada . Se eu estiver certo ele perdeu tudo. Eu não estou disposto a fazer este jogo.

22/06/2010 Posted by | Ferramentas, Igreja, Liderança, Teologia, Textos | 3 Comentários

Marina imaculada

Politicamente correta, com biografia sem nódoas e uma doçura sem par, a senadora verde diz por que deixou o PT e o que defenderá na corrida à Presidência da República em 2010 Sandra Brasil Lailson Santos “Também sou negra, mas seria muito pretensioso da minha parte me apresentar como similar ao Obama” A senadora Marina Silva, do Acre, causou um abalo amazônico ao Partido dos Trabalhadores. Depois de trinta anos de militância aguerrida, abandonou a legenda e marchou para o Partido Verde, seduzida por um convite para ser a candidata da agremiação à Presidência da República em 2010. Para o PT, o prejuízo foi duplo: não só perdeu um de seus poucos integrantes imaculadamente éticos, como ganhou uma adversária eleitoral de peso. Os petistas temem, e com razão, que a candidatura de Marina tire muitos votos da sua candidata ao Planalto, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Na semana passada, Marina, de 51 anos, casada, quatro filhos, explicou a VEJA as razões que a levaram a deixar o PT – e opinou sobre temas como aborto, legalização da maconha e criacionismo.

A senhora será candidata a presidente pelo Partido Verde?

Ainda não é hora de assumir candidatura. Há uma grande possibilidade de que isso aconteça, mas só anunciarei minha decisão em 2010. “Não vou me colocar em uma posição de vítima em relação à ministra Dilma. Não é por termos divergências que vou transformá-la em vilã. Não vou fazer o discurso fácil da demonização”

Se sua candidatura sair, como parece provável, que perfil de eleitor a senhora pretende buscar?

Os jovens. Eles estão começando a reencontrar as utopias. Estão vendo que é possível se mobilizar a favor do Brasil, da sustentabilidade e do planeta. Minha geração ajudou a redemocratizar o país porque tínhamos mantenedores de utopia. Gente como Chico Mendes, Florestan Fernandes, Paulo Freire, Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, que sustentava nossos sonhos e servia de referência. Agora, aos 51 anos, quero fazer o que eles fizeram por mim. Quero ser mantenedora de utopias e mobilizar as pessoas.

Sua saída abalou o PT. Além da possibilidade de disputar o Planalto, o que mais a moveu?

O PT teve uma visão progressista nos seus primeiros anos de vida, mas não fez a transição para os temas do século XXI. Isso me incomodava. O desafio dos nossos dias é dar resposta às crises ambiental e econômica, integrando duas questões fundamentais: estimular a criação de empregos e fomentar o desenvolvimento sem destruir o planeta. O crescimento econômico não pode acarretar mais efeitos negativos que positivos. Infelizmente, o PT não percebe isso. Cansei de tentar convencer o partido de que a questão do desenvolvimento sustentável é estratégica – como a sociedade, aliás, já sabe. Hoje, as pessoas podem eleger muito mais do que o presidente, o senador e o deputado. Elas podem optar por comprar madeira certificada ou carne e cereais produzidos em áreas que respeitam as reservas legais. A sociedade passou a fazer escolhas no seu dia a dia também baseada em valores éticos.

A crise moral que se abateu sobre o PT durante o governo Lula pesou na decisão?

Os erros cometidos pelo PT foram graves, mas estão sendo corrigidos e investigados. Quando da criação do PT, eu idealizava uma agremiação perfeita. Hoje, sei que isso não existe. Minha decisão não foi motivada pelos tropeços morais do partido, mesmo porque eles foram cometidos por uma minoria. Saí do PT, repito, por falta de atenção ao tema da sustentabilidade.

Ou seja, apesar de mudar de sigla, a senhora não rompeu com o petismo?

De jeito nenhum. Tenho um sentimento que mistura gratidão e perda em relação ao PT. Sair do partido foi, para mim, um processo muito doloroso. Perdi quase 3 quilos. Foi difícil explicar até para meus filhos. No álbum de fotografias, cada um deles está sempre com uma estrelinha do partido. É como se eu tivesse dividido uma casa por muito tempo com um grupo de pessoas que me deram muitas alegrias e alguns constrangimentos. Mudei de casa, mas continuo na mesma rua, na mesma vizinhança.

No período em que comandou o Ministério do Meio Ambiente, a senhora acumulou desavenças com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Como será enfrentá-la em sua eventual campanha à Presidência?

Não vou me colocar numa posição de vítima em relação à ministra Dilma. Quando eu era ministra e tínhamos divergências, era o presidente Lula quem arbitrava a solução. Não é por ter divergências com Dilma que vou transformá-la em vilã. Acredito que o Brasil pode fazer obras de infraestrutura com base no critério de sustentabilidade. Temos visões diferentes, mas não vou fazer o discurso fácil da demonização de quem quer que seja

Um de seus maiores embates com a ministra Dilma foi causado pelas pressões da Casa Civil para licenciar as hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira. A senhora é contra a construção de usinas?

No Brasil, quando a gente levanta algum “porém”, já dizem que somos contra. Nunca me opus a nenhuma hidrelétrica. O que aconteceu naquele caso foi que eu disse que, antes de construir uma usina enorme no meio do rio, era preciso resolver o problema do mercúrio, de sedimentos, dos bagres, das populações locais e da malária. E eu tinha razão. Como as pessoas traduziram a minha posição? Dizendo que eu era contra hidrelétricas. Isso é falso. “Creio que Deus criou todas as coisas como elas são, mas isso não significa que descreia da ciência. Não é necessário contrapor a ciência à religião. Há pesquisadores e cientistas que creem em Deus”

Se a senhora for eleita presidente, proibirá o cultivo de transgênicos?

Eis outra falácia: dizer que sou contra os transgênicos. Nunca fui. Sou a favor, isso sim, de um regime de coexistência, em que seria possível ter transgênicos e não transgênicos. Mas agora esse debate está prejudicado, porque a legislação aprovada é tão permissiva que não será mais possível o modelo de coexistência. Já há uma contaminação irreversível das lavouras de milho, algodão e soja.

O que a senhora mudaria no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)?

Eu não teria essa visão de só acelerar o crescimento. Buscaria o desenvolvimento com sustentabilidade, para que isso pudesse ser traduzido em qualidade de vida para as pessoas. Obviamente, é necessário que o país tenha infraestrutura adequada. Mas é preciso evitar os riscos e problemas que os empreendimentos podem trazer, sobretudo na questão ambiental.

Na economia, faria mudanças?

Não vou me colocar no lugar dos economistas. Prefiro ficar no lugar de política. Em linhas gerais, acho que o estado não deve se colocar como uma força que suplanta a capacidade criativa do mercado. Nem o estado deve ser onipresente, nem o mercado deve ser deificado. Também gosto da ideia do Banco Central com autonomia, como está, mas acho que estão certos os que defendem juros mais baixos.

No seu novo partido, o PV, há uma corrente que defende a descriminalização da maconha. Como a senhora se posiciona a respeito desse assunto?

Não sou favorável. Existem muitos argumentos em favor da descriminalização. Eles são defendidos por pessoas sérias e devem ser respeitados. Mas questões como essa não podem ser decididas pelo Executivo, e sim pelo Legislativo, que representa a sociedade. A minha posição não será um problema, porque o PV pretende aprovar na próxima convenção uma cláusula de consciência, para que haja divergências de opinião dentro do partido.

Os Estados Unidos elegeram o primeiro presidente negro de sua história, Barack Obama. Ele é fonte de inspiração?

Eu também sou negra, mas seria muito pretensioso da minha parte me colocar como similar ao Obama. Ele é uma inspiração para todas as pessoas que ousam sonhar. A questão racial teve um peso importante na eleição americana. Mas os Estados Unidos têm uma realidade diferente da do Brasil. Eu nunca fui vítima de preconceito racial aqui.

A senhora poderia se apresentar como uma candidata negra na campanha presidencial?

Não. É legítimo que as pessoas decidam votar em alguém por se identificar com alguma de suas características, como o fato de ser mulher, negra e de origem humilde. Mas seria oportunismo explorar isso numa campanha. O Brasil tem uma vasta diversidade étnica e deve conviver com as suas diferentes realidades. Caetano Veloso (cantor baiano) já disse que “Narciso acha feio o que não é espelho”. Nós temos de aprender a nos relacionar com as diferenças, e não estimular a divisão. A história engraçada é que, durante as prévias do Partido Democrata americano, quando a Hillary Clinton disputava a vaga com Obama, um amigo meu brincou comigo dizendo que os Estados Unidos tinham de escolher entre uma mulher e um negro, e, se eu fosse candidata no Brasil, não teríamos esse problema, porque sou mulher e negra.

A senhora é a favor da política de cotas raciais para o acesso às universidades?

Há quem ache que as cotas levam à segregação, mas eu sou a favor de que se mantenha essa política por um período determinado. Acho que há, sim, um resgate a ser feito de negros e índios, uma espécie de discriminação positiva.

Mas a senhora entrou numa universidade pública sem precisar de cotas, embora seja negra, de origem humilde e alfabetizada pelo Mobral.

Sou uma exceção. Tenho sete irmãos que não chegaram lá.

Aos 16 anos, a senhora deixou o seringal e foi para a cidade, a fim de se tornar freira. Como uma católica tão fervorosa trocou a Igreja pela Assembleia de Deus?

Fui católica praticante por 37 anos, um aspecto fundamental para a construção do meu senso de ética. Meu ingresso na Assembleia de Deus foi fruto de uma experiência de fé, que não se deu pela força ou pela violência, mas pelo toque do Espírito. Para quem não tem fé, não há como compreender. Esse meu processo interior aconteceu em 1997, quando já fazia um ano e oito meses que eu não me levantava da cama, com diagnóstico de contaminação por metais pesados. Hoje, estou bem.

A senhora é mesmo partidária do criacionismo, a visão religiosa segundo a qual Deus criou o mundo tal como ele é hoje, em oposição ao evolucionismo?

Eu creio que Deus criou todas as coisas como elas são, mas isso não significa que descreia da ciência. Não é necessário contrapor a ciência à religião. Há médicos, pesquisadores e cientistas que, apesar de todo o conhecimento científico, creem em Deus.

O criacionismo deveria ser ensinado nas escolas?

Uma vez, fiz uma palestra em uma escola adventista e me perguntaram sobre essa questão. Respondi que, desde que ensinem também o evolucionismo, não vejo problema, porque os jovens têm a oportunidade de fazer suas escolhas. Ou seja, não me oponho. Mas jamais defendi a ideia de que o criacionismo seja matéria obrigatória nas escolas, nem pretendo defender isso. Sou professora e uma pessoa que tem fé. Como 90% dos brasileiros, acredito que Deus criou o mundo. Só isso.

A senhora é contra todo tipo de aborto, mesmo os previstos em lei, como em casos de estupro?

Não julgo quem o faz. Quando uma mulher recorre ao aborto, está em um momento de dor, sofrimento e desamparo. Mas eu, pessoalmente, não defendo o aborto, defendo a vida. É uma questão de fé. Tenho a clareza, porém, de que o estado deve cumprir as leis que existem. Acho apenas que qualquer mudança nessa legislação, por envolver questões éticas e morais, deveria ser objeto de um plebiscito.

Seu histórico médico inclui doenças muito sérias, como cinco malárias, três hepatites e uma leishmaniose. A senhora acredita que tem condições físicas de enfrentar uma campanha presidencial?

Ainda não sou candidata, mas, se for, encontrarei forças no mesmo lugar onde busquei nas quatro vezes em que cheguei a ser desenganada pelos médicos: na fé e na ciência.

05/04/2010 Posted by | Igreja, Liderança, Politica Nacional | 1 Comentário

A princesa e a ervilha

A princesa e a ervilha – Hans Christian Andersen

Havia uma vez um príncipe que queria se casar com uma princesa, mas não se contentava com uma princesa que não fosse de verdade. De modo que se dedicou a procurá-la no mundo inteiro, ainda que inutilmente, pois todas que via apresentavam algum defeito. Princesas havia muitas, porém não podia ter certeza, ja que sempre havia nelas algo que não estava bem. Assim, regressou ao seu reino cheio de sentimento, pois desejava muito uma princesa verdadeira! Certa noite, caiu uma tempestade horrível. Trovejava e chovia a cântaros. De repente, bateram à porta do castelo, e o rei foi pessoalmente abrir. No umbral havia uma princesa. Mas, Santo Céu, como havia ficado com o tempo e a chuva! A água escorria por seu cabelo e roupas, seu sapato estava desmanchando. Apesar disso, ela insistia que era uma princesa real e verdadeira. “Bom, isso vamos saber logo”, pensou a rainha velha. E, sem dizer uma palavra, foi ao quarto, tirou toda a roupa de cama e colocou uma ervilha no estrado, em seguida colocou vinte colchões sobre a ervilha, e sobre eles vinte almofadas feitas com as plumas mais suaves que se pode imaginar. Ali teria que dormir toda a noite a princesa. Na manhã seguinte, perguntaram-lhe como tinha dormido. -Oh, terrivelmente mal! – disse a princesa. Não consegui fechar os olhos toda a noite. Vá se saber o que havia nessa cama! Encostei-me em algo tão duro que amanheci cheia de dores. Foi horrível! Ouvindo isso, todos compreenderam que se tratava de uma verdadeira princesa, ja que havia sentido a ervilha através dos vinte colchões e vinte almofadões. Só uma princesa podia ter uma pele tão delicada. E assim o príncipe casou com ela, seguro que sua era uma princesa completa. A ervilha foi enviada a um museu onde pode ser vista, a não ser que alguém a tenha roubado.

01/04/2010 Posted by | Uncategorized | 1 Comentário

“O LIVRO MAIS MAU-HUMORADO DA BÍBLIA

A ENTREVISTA ABAIXO FOI CONCEDIDA POR ED RENÉ KIVITZ A UM SITE CRISTÃO EVANGÉLICO NA OCASIÃO DO LANÇAMENTO DO LIVRO MENSIONADO. NOS CONHECEMOS EM 2007 E DESDE ENTÃO ELE TEM ME INFLUENCIADO E AO MEU IRMÃO NORTON NOS DANDO O QUE RUBEM ALVES CHAMA DE COÇEIRA NAS IDEIAS. “O LIVRO MAIS MAU-HUMORADO DA BÍBLIA” É UM LIVRO E TANTO, MAS INDICO AINDA “A OUTRA ESPIRITUALIDADE” COMO UM DOS SEUS MELHORES PENSAMENTOS. BRINQUEI DIZENDO AO ED QUE EQUIVALE AS 95 TESES DE LUTERO. BRINCADEIRAS A PARTE, É UM LIVRÃO. SE PREPARE! HÁ VIDA INTELIGENTE NO CHAMADO “REINO DE DEUS”.

Ed René Kivitz: “Devemos acabar com essa ideia de vida cristã” “Quando a vida nos decepciona, ou a gente corre para o divã, para um prosecco ou para o divino. O problema é que Deus também decepciona”, afirma o escritor em lançamento de “O Livro Mais Mal-Humorado da Bíblia”. Por Felipe Pinheiro – http://www.guiame.com.br “De novo olhei e vi toda opressão que ocorre debaixo do sol: Vi as lágrimas dos oprimidos, mas não há quem os console; O poder está do lado dos seus opressores, e não há quem os console. Por isso, considerei os mortos mais felizes do que os vivos, pois estes ainda têm que viver!” (Ec 4:1-2)

O mesmo conflito que reverberou entre os escritos de Friedrich Nietzsche, filósofo alemão que classificou o cristianismo como a doença da humanidade, na medida em que o entendia como um depósito de anseios do homem diante de uma vida não satisfeita, foi o assunto da observação do sábio no livro bíblico de Eclesiastes, milhares de anos antes do filósofo que declarou a morte de Deus: qual o sentido da vida?

Com um caráter contemplativo, Eclesiastes – cuja indefinição autoral vagueia entre o rei Salomão a alguém de sua elite – é permeado por reflexões discorridas a respeito da vida e suas eventualidades. “Usando a expressão do Nelson Rodrigues, ele vê a vida como ela é. Ele não lê entrelinhas, ele não tem metafísica, ele simplesmente relata fatos da vida e diz: – Olha, isso é um absurdo e isso não faz sentido. Isso é vaidade”, afirmou ao Guia-me Ed René Kivitz, autor da obra recém lançada, “O Livro Mais Mal-Humorado da Bíblia”. “O autor de Eclesiastes não é nem pessimista nem otimista. Ele é realista”, enfatizou.

Fruto de uma compilação de sermões, Kivitz, também pastor da Igreja Batista de Água Branca (SP), relatou a origem do livro baseado em Eclesiastes. “Ele nasceu dentro de mim provavelmente há uns 30 anos. Não que eu tenha demorado todo esse tempo para escrever, mas as angústias que deram origem ao que veio se tornar esse texto me chegaram já na minha juventude”.

A crise existencial ocasionada pela decepção inerente aos que estão debaixo do sol é a peculiaridade que, na opinião de Kivitz, torna Eclesisastes o livro mais mal-humorado das Escrituras e “absolutamente atual”, como afirma o pastor. “Um justo que morreu apesar da sua justiça e um ímpio que teve vida longa apesar da sua impiedade” (Ec 7:15).

“Com certeza, de todos os livros da Bíblia, o cara que menos se sente confortável no mundo é o Qohélet de Eclesiastes. Esse cara pegou todo o mal estar do mundo, da existência humana, e trouxe para dentro da alma dele”, explica o autor.

A redenção da alma, segundo Kivtz, encontra-se na coragem existencial. “Se eu bem entendi o que ele está dizendo, quem tem uma alma inquieta e não se sente confortável nesse mundo é saudável. Porque errado está o mundo e não a alma de quem é inquieto no mundo”. “Quando a vida nos decepciona, ou a gente corre para o divã, para um prosecco (tipo de vinho) ou para o divino. O problema é que Deus também decepciona”, afirma Kivitz.

Ao contrário de Nietzsche, filósofo que era ateu confesso, o escritor entende que a fé deve nortear o modo de viver neste mundo caótico, repleto de injustiças sem sentido: “Eclesiastes consegue enxergar a vida como ela é e encontra caminhos de dignidade sem deixar-se levar pelo ceticismo, pela desesperança, mas ele não mascara, não se ilude e portanto nos deixa muito vulneráveis. (…) Quando estamos vulneráveis temos a fé”.

“Ninguém é capaz de entender o que se faz debaixo do sol. Por mais que se esforce para descobrir os sentidos das coisas, o homem não o encontrará. O sábio pode até afirmar que entende, mas, na realidade, não o consegue encontrar” (Ec 8:17).

Em noite de apresentação da obra “O Livro Mais Mal-Humorado da Bíblia”, na Livraria Cultura do Shopping Bourbon (SP), René Kivtz falou com exclusividade ao Guia-me. Confira a entrevista:

Guia-me: Você encararia o autor de Eclesiastes como otimista ou pessimista?

René Kivitz: O autor de Eclesiastes não é nem pessimista nem otimista. Ele é realista. Uma das palavras-chave do livro, uma das expressões, é “debaixo do sol”. Usando a expressão do Nelson Rodrigues, ele vê a vida como ela é. Ele não lê entrelinhas, ele não tem metafísica, ele simplesmente relata fatos da vida e diz: – Olha, isso é um absurdo e isso não faz sentido. Isso é vaidade. A tradução do Haroldo de Campos para “vaidade de vaidade” é névoa de nada. Ele vê a vida e não faz sentido que o homem morra e seja enterrado no mesmo lugar que o cachorro. Não faz sentido que o pobre é pobre e ninguém luta por ele. Quem poderia lutar faz dele mais pobre ainda. Ele é realista. Eu acho que Eclesiastes é um livro realista.

Guia-me: De maneira geral, o Antigo Testamento revela o plano de Deus para a humanidade com a vinda de Cristo. Como você enxerga a relação do livro de Eclesiastes com o plano de redenção?

René Kivitz: O livro de Eclesiastes não tem plano de redenção. Ele não tem plano de redenção messiânico. Ele é um dos livros de sabedoria e não um livro profético. Ele não tem redenção nenhuma; pelo contrário. Ele diz: – Olha, o que você tiver de fazer, faça da melhor maneira que você puder porque a sepultura para onde você vai a coisa acaba. Ele tem um conceito de juízo. Ele diz que Deus há de trazer juízo sobre tudo e todos. Mas ele não tem uma promessa de redenção. Talvez o grande diferencial do livro de Eclesiastes na Bíblia sagrada é que a redenção dele não é escatológica e nem metafísica. É existencial. Você redime a sua vida enquanto vive com dignidade. Sem nos tornarmos maus quando atacados pelos malvados, sem nos tornarmos cínicos quando os nossos castelos desmoronam, sem nos tornarmos insensíveis quando a miséria está ao nosso lado e os que deveriam promover a justiça são cegos e promovem mais injustiça ainda. É mais ou menos isso.

Guia-me: Qual o sentido do título do livro?

René Kivitz: Mal-humorado não no nosso sentido, que a gente considera bom-humor estar rindo e mal-humor estar irritado. Mal-humor no sentido filosófico, que especialmente os gregos tratavam, aliás o Eclesiastes é livro mais próximo da filosofia grega que nós temos na Bíblia, os gregos diziam que o mal-humor era um senso de inadequação no mundo. Um desconforto no mundo. Mal-humor no sentido de uma inquietação de quem não se sente confortável no mundo. Com certeza, de todos os livros da Bíblia, o cara que menos se sente confortável no mundo é o Kohele de Eclesiastes, o que fala diante uma assembleia. Esse cara pegou todo o mal estar do mundo, da existência humana, e trouxe para dentro da alma dele.

Guia-me: Por isso esse caráter atemporal de Eclesiastes.

René Kivitz: Ele é absolutamente atual, eu penso.

Guia-me: Você faz algumas referências musicais como a Lulu Santos, Renato Russo, Biquini Cavadão. Como você responderia a uma possível critica negativa por utilizar músicas “seculares” intercaladas com uma literatura bíblica. De misturar o sagrado com o profano?

René Kivitz: Justamente o nosso esforço cristão deve ser no sentido de acabar com esse fosso que existe entre o chamado sagrado e o profano; o secular e o religioso. Isso é próprio de uma mentalidade moderna que renegou a religião a um canto e é próprio de religioso recalcado que não quer dar o braço a torcer e admitir que fora do seu espaço religioso há sabedoria. Se eu pudesse me defender, eu diria que nós devemos acabar com essa ideia de vida cristã. Não existe vida cristã. Existe vida. Existe um jeito cristão de ver a vida e um jeito não-cristão de ver a vida. Mas existe vida. Quando o sujeito vai almoçar num restaurante, pegar um ônibus para a universidade, quando ele procura um dentista, ele não pensa que o restaurante, o dentista, a universidade e a empresa de transporte coletivo são profanos. Mas a poesia ele acha que é profana. Nós temos que usar tudo que existe e redimir a cultura, a arte e fazer com que a teologia dialogue com que a sabedoria das tradições espirituais converse e se misture com a cultura.

Guia-me: Isso até para evitar uma alienação.

René Kivitz: Que é o que existe, né? Temos que sair do nosso gueto. Eu gostaria que o livro de Eclesiastes e especialmente por conta da abordagem dele, eu gostaria que o livro Mais Mal Humorado da Bíblia fosse lido não como um livro escrito por um pastor, mas como um cara que está junto com Eclesisastes pensando a vida, mas pensando a vida junto com Nietzsche, Alberto Camin, Lulu Santos, Nelson Rodrigues ou quem quer que seja. Por sexemplo, eu citei no livro Renato Russo, citei Jimmy Peterson. Eu tive um professor no seminário que disse que tudo o que está na Bíblia é verdade mas nem tudo que é verdade está na Bíblia. Eu acho que temos que aprender a conviver com esse discernimento universal que existe fora do espaço religioso.

Guia-me: Na elaboração do livro, você teve a preocupação de não torná-lo uma aplicação somente pessoal, esquecendo-se de levar em consideração o leitor de forma mais ampla?

René Kivitz: Sim e não. O livro nasceu como uma série de mensagens que eu preguei no púlpito da Igreja Batista de Água Branca. Eu fiz uma série de sermões. É uma palavra pastoral do púlpito da Igreja que eu tentei depois traduzir em linguagem literária. Guia-me: Mais ou menos como no livro Outra Espiritualidade, que foi uma coletânia de artigos da revista Eclesia? René Kivitz: Aí é bem diferente, porque os artigos da Eclesia nasceram já como artigos. Esse nasceu como linguagem de púlpito, oral e para uma congregação cristã. É o sermão de domingo. Ele tem uma preocupação pastoral sim e tem uma abordagem de aplicação pessoal. Eu diria que por mais abrangente que eu queira ser na minha abordagem na verdade eu antes de falar com qualquer pessoa eu falo comigo mesmo. Tanto nas minhas falas de púlpito quanto nos textos que eu escrevo eu estou buscando respostas para mim. Quando eu as encontro as que me satisfazem minimamente, eu compartilho e transbordo. Mas eu estou falando primeiro para mim e depois para os outros.

Guia-me: Mas você não se preocupou que o livro fosse tão somente centrado em você?

René Kivitz: Não, porque eu acho que talvez o exercício seja buscar que a mensagem seja mais universal. Eu perceber nas dores da minha alma e nas minhas angústias e das minhas questões aquilo que há de comum com as dores das almas de todos. O Terêncio dizia: “Sou humano e nada do que é humano me é estranho”. Eu acho que eu procuro isso em mim, e procuro como o Evangelho, o cristianismo e a tradição bíblica respondem a isso.

O Livro Mais Mal-Humorado da Bíblia

Editora: Mundo Cristão Páginas: 224 Tamanho: 14×21 Categoria: Espiritualidade Ano: 2009

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http://www.mundocristao.com.br/adicionais/O%20livro%20mais%20mal-humorado%20da%20Biblia.pdf

23/02/2010 Posted by | Igreja, Liderança, Teologia, Textos | 2 Comentários

Testamento de Heilingenstadt – Por Ludwig van Beethoven

SABIOS E ATÉ TOLOS NÃO PERDEM TEMPO COM BOBAGEM QUANDO A MORTE SE APROXIMA, IMAGINA OS GÊNIOS (…)

Ó homens que me tendes em conta de rancoroso, insociável e misantropo, como vos enganais. Não conheceis as secretas razões que me forçam a parecer deste modo. Meu coração e meu ânimo sentiam-se desde a infância inclinados para o terno sentimento de carinho e sempre estive disposto a realizar generosas acções; porém considerai que, de seis anos a esta parte, vivo sujeito a triste enfermidade, agravada pela ignorância dos médicos. Iludido constantemente, na esperança de uma melhora, fui forçado a enfrentar a realidade da rebeldia desse mal, cuja cura, se não for de todo impossível, durará talvez anos! Nascido com um temperamento vivo e ardente, sensível mesmo às diversões da sociedade, vi-me obrigado a isolar-me numa vida solitária. Por vezes, quis colocar-me acima de tudo, mas fui então duramente repelido, ao renovar a triste experiência da minha surdez! Como confessar esse defeito de um sentido que devia ser, em mim, mais perfeito que nos outros, de um sentido que, em tempos atrás, foi tão perfeito como poucos homens dedicados à mesma arte possuíam! Não me era contudo possível dizer aos homens: “Falai mais alto, gritai, pois eu estou surdo”. Perdoai-me se me vedes afastar-me de vós! Minha desgraça é duplamente penosa, pois além do mais faz com que eu seja mal julgado. Para mim, já não há encanto na reunião dos homens, nem nas palestras elevadas, nem nos desabafos íntimos. Só a mais estrita necessidade me arrasta à sociedade. Devo viver como um exilado. Se me acerco de um grupo, sinto-me preso de uma pungente angústia, pelo receio que descubram meu triste estado. E assim vivi este meio ano em que passei no campo. Mas que humilhação quando ao meu lado alguém percebia o som longínquo de uma flauta e eu nada ouvia! Ou escutava o canto de um pastor e eu nada escutava! Esses incidentes levaram-me quase ao desespero e pouco faltou para que, por minhas próprias mãos, eu pusesse fim à minha existência. Só a arte me amparou! Pareceu-me impossível deixar o mundo antes de haver produzido tudo o que eu sentia me haver sido confiado, e assim prolonguei esta vida infeliz. Paciência é só o que aspiro até que as parcas inclementes cortem o fio de minha triste vida. Melhorarei, talvez, e talvez não! Mas terei coragem. Na minha idade, já obrigado a filosofar, não é fácil, e mais penoso ainda se torna para o artista. Meu Deus, sobre mim deita o Teu olhar! Ó homens! Se vos cair isto um dia debaixo dos olhos, vereis que me julgaste mal! O infeliz consola-se quando encontra uma desgraça igual à sua. Tudo fiz para merecer um lugar entre os artistas e entre os homens de bem. Peço-vos, meus irmãos (Karl e Johann) assim que eu fechar os olhos, se o professor Schimith ainda for vivo, fazer-lhe em meu nome o pedido de descrever a minha moléstia e juntai a isto que aqui escrevo para que o mundo, depois de minha morte, se reconcilie comigo. Declaro-vos ambos herdeiros de minha pequena fortuna. Reparti-a honestamente e ajudai-vos um ao outro. O que contra mim fizestes, há muito, bem sabeis, já vos perdoei. A ti, Karl, agradeço as provas que me deste ultimamente. Meu desejo é que seja a tua vida menos dura que a minha. Recomendai a vossos filhos a virtude. Só ela poderá dar a felicidade, não o dinheiro, digo-vos por experiência própria. Só a virtude me levantou de minha miséria. Só a ela e à minha arte devo não ter terminado em suicídio os meus pobres dias. Adeus e conservai-me vossa amizade. Minha gratidão a todos os meus amigos. Sentir-me-ei feliz debaixo da terra se ainda vos puder valer. Recebo com felicidade a morte. Se ela vier antes que realize tudo o que me concede minha capacidade artística, apesar do meu destino, virá cedo demais e eu a desejaria mais tarde. Entretanto, sentir-me-ei contente pois ela me libertará de um tormento sem fim. Venha quando quiser, e eu corajosamente a enfrentarei. Adeus e não vos esqueçais inteiramente de mim na eternidade. Bem o mereço de vós, pois muitas vezes, em vida, preocupei-me convosco, procurando dar-vos a felicidade. Sede felizes!

Helligenstadt, 6 de Outubro de 1802.

Ludwig van Beethoven.

20/01/2010 Posted by | Ferramentas, Textos | Deixe um comentário

SOBRE TENIS E FRESCOBOL

Tênis x Frescobol

Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.

Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele: ‘Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: ‘Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?\’ Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.’

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O império dos sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra – é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: ‘Eu te amo, eu te amo…’ Barthes advertia: ‘Passada a primeira confissão, ‘eu te amo\’ não quer dizer mais nada.’ É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: ‘Erótica é a alma.’

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada – palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra – pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir… E o que errou pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos…

A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá…

Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia escrever. Um deles, que se encontra nos Primeiros cadernos, é sobre este jogo de tênis:
‘Cena: o marido, a mulher, a galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente a sua superioridade. O outro domina-se, mas sofre uma humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um sorriso: ‘Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo\’. A galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se dela, beija-lhe a mão suspirando: ‘Tens razão, minha querida\’. A situação está salva e o ódio vai aumentando.’

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão… O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem – cresce o amor… Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim…

18/01/2010 Posted by | Textos | 3 Comentários

Propósitos

TRANSCRIÇÃO DA ORAÇÃO DE RICK WARREN NA POSSE DO PRESIDENTE BARACK HUSSEIN OBAMA

“Deus Onipotente, nosso Pai, tudo que nós vemos e tudo que nós não podemos ver existe só por Sua causa. Tudo vem de Você. Tudo Lhe pertence. Tudo existe para Sua glória. A História é Sua História. As Escrituras dizem-nos: “Ouça, ó Israel, O Senhor é nosso Deus. O Senhor é único”. E Você é o compassivo e misericordioso. E ama a todos que fez.
  
   “Agora, hoje, nós nos regozijamos não somente na transferência calma do poder na América pela 44ª vez. Nós comemoramos um ponto de inflexão da História com a posse de nosso primeiro presidente Africano-Americano dos Estados Unidos. Nós somos muito gratos por viver nesta terra, uma terra de possibilidades inigualáveis, onde o filho de um imigrante africano pode alcançar o nível mais elevado de nossa liderança. E nós sabemos que hoje o Dr. King (Martin Luther King Jr.) e uma grande nuvem das testemunhas estão vibrando no céu.
  
   “Dê a nosso novo presidente, Barack Obama, sabedoria para conduzir-nos com humildade, coragem para conduzir-nos com integridade, compaixão para conduzir-nos com generosidade. Abençoe e proteja-o: sua família, o vice-presidente Biden, o Ministério, e cada um de nossos líderes livremente eleitos.
  
   “Ajude-nos, ó Deus, a recordar que nós somos americanos, unidos, não pela raça, ou religião, ou sangue, mas por nosso compromisso com a liberdade e a justiça para todos. Quando focalizamos em nós mesmos, quando lutamos uns contra outros, quando nós nos esquecemos de Você, perdoe-nos. Quando nós presumimos que nossa grandeza e nossa prosperidade são apenas nossas, perdoe-nos. Quando falhamos em tratar nossos companheiros seres humanos e toda a terra com o respeito que merecem, perdoe-nos. E, enquanto enfrentarmos estes dias difíceis adiante, que possamos ter um novo nascimento de clareza em nossos alvos, de responsabilidade em nossas ações, de humildade em nossas abordagens, e civilidade em nossas atitudes, mesmo quando nós diferimos.
  
   “Ajude-nos a compartilhar, servir e procurar o bem comum de todos. Possam, hoje, todas as pessoas de boa-vontade se juntar para trabalhar por uma mais justa, saudável e próspera nação e um pacífico planeta. E possamos nós nunca esquecer-nos de que um dia todas as nações e todos os povos prestarão contas a Você. Nós agora dedicamos nosso novo presidente, sua esposa, Michelle e suas filhas, Malia e Sasha, a Seu amoroso cuidado.
  
   “Eu, humildemente, peço isto, no nome daquele que mudou minha vida, Yeshua, Isa, Jesus (pronúncia espanhola), Jesus, que nos ensinou a orar: “Pai Nosso, que estás nos céus, santificado seja o Teu nome. Venha Teu Reino, seja feita Tua vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso, de cada dia dá-nos hoje e perdoa nossas transgressões como nós perdoamos aqueles que transgridem contra nós. E não nos induza à tentação, mas livra-nos do mal. Pois Teu é o Reino e o poder e a glória para sempre. Amém.”

Rick Warren é pastor da Saddleback Community Church, Lake Forest – California a mais de 25 anos.

16/01/2010 Posted by | Igreja, Liderança | 1 Comentário

Falando pouco ou não falando nada (…)

“… E se um demônio ou anjo se arrastasse sorrateiramente atrás de você na mais solitária de suas solidões, e dissesse: ‘Esta vida que está vivendo terá que ser vivida por você novamente, durante vezes sem conta, e cada dor ou alegria, cada pensamento ou suspiro irão ser repetidos por você, todos pela mesma seqüência. A ampulheta eterna será virada uma e outra vez, e você com ela, pó do pó…’ – Você, se deitaria por terra rangendo os dentes e amaldiçoaria esse demônio? Ou responderia… – Nunca tinha ouvido nada tão Divino!”

Frederick Nietzsche

14/01/2010 Posted by | Liderança, Psicologia, Teologia, Textos | Deixe um comentário

UMA DECLARAÇÃO CRISTà(…)

Meu impulso inicial foi chamar este post de “Resposta a Bento XVI”, mas logo desisti, pois seria atribuir demasiada importância ao pronunciamento do Vaticano. Chamo de “Uma declaração cristã” para ser coerente com o pensamento de que em tempos de pós-modernidade e pluralismo (que alguns confundem com relativismo) não cabem afirmações categóricas. O máximo que um cristão pode fazer é “uma declaração cristã”, pois a declaração cristã sugere a unanimidade entre os cristãos, o que certamente existirá apenas no céu. O documento “Respostas a Questões Relativas a Alguns Aspectos da Doutrina sobre a Igreja” elaborado pela Congregação para a Doutrina da Fé e ratificado pelo papa Bento 16, afirma que “a única verdade da fé cristã encontra-se na Igreja Católica”, cria a ocasião para uma declaração cristã.

Conforme bem advertiu Pierucci: Não bastassem a arrogância fundamentalista da “Christian America” monoteísta do governo de George W. Bush e a truculência fundamentalista do monoteísmo intransigente dos aiatolás e talebãs, agora vamos ter pela frente, para completar, mais esta espécie do mesmo gênero: o fundamentalismo católico, que afirma o primado cristão da verdade católica no universo multicultural das igrejas cristãs agora declaradas “não-igrejas” ou “igrejas lacunares”. [ANTÔNIO FLÁVIO PIERUCCI, Folha de S.Paulo, 17 de julho de 2007]

Rejeitei, portanto, e de imediato o pronunciamento do Vaticano. Primeiramente porque poderia argumentar da legitimidade do protestantismo. Poderia advogar em favor do protestantismo, mas cairia no mesmo erro do Vaticano: reivindicar posse da verdade. Seria também vítima do equívoco que confunde o corpo místico de Cristo com as instituições que pretendem representá-lo na história. Depois considerei afirmar que a verdade a respeito da fé cristã não se encontra nem no Catolicismo nem no protestantismo, mas nas Escrituras, ou na Bíblia Sagrada, compreendida como a coletânea de textos canônicos: a Lei de Moisés e os Profetas do Velho Testamento e os escritos apostólicos do Novo Testamento. Nesse caso, tanto o catolicismo quanto o protestantismo seriam apenas interpretações das Escrituras. Mas logo percebi que cometeria outro erro, a saber, confundir doutrina com verdade: tanto o catolicismo quanto o protestantismo articulam a fé cristã em termos dogmáticos e doutrinários, nos termos da modernidade com sua razão-mania que pretende fazer caber a verdade cristã em um conjunto de teorias filosófico-teológicas. Além de confundir doutrina com verdade, confundiria a experiência com o Cristo ressurreto com a apropriação intelectual das teorias que pretendem explicá-la. Indo um pouco mais longe, considerei que a tentativa de estabelecer as Escrituras como lócus da verdade a respeito da fé cristã desconsideraria o fato de que a Bíblia Sagrada é uma realidade tardia à consolidação do cristianismo. De fato, havia no movimento cristão chamado primitivo um conjunto de escritos apostólicos, mas não eram considerados textos canônicos autoritativos como o são pela cristandade contemporânea. O Cânon bíblico é formado no quarto século da era cristã, de modo que já existia cristianismo antes que houvesse o que hoje chamamos Bíblia. Considerei, então, que a verdade a respeito da fé cristã estivesse no testemunho da Igreja, que nasce no Pentecoste. A proclamação dos primeiros cristãos, os documentos gerados, e as experiências comunitárias seriam continentes da verdade. Mas nesse caso, deixaria o cristianismo e a obra de Cristo à mercê das contingências humanas, o que não me agrada, até porque não é o que leio nas Escrituras Sagradas, o que significa que nem mesmo os primeiros cristãos se compreendiam como protagonistas do movimento de Cristo. Fiquei com a mais conservadora das possibilidades: a única verdade a respeito da fé cristã encontra-se em Cristo. O cristianismo prescinde da Igreja, das Escrituras, do Clero, e de qualquer outra realidade que tenha a mínima cooperação humana para sua existência. A única coisa (perdoe o “coisa”) da qual o cristianismo não prescinde é de Cristo. O cristianismo é obra do Cristo ressurreto e do Espírito Santo. Não é obra do catolicismo, nem do protestantismo. É Cristo quem edifica sua igreja. É o Espírito Santo quem guia a toda a verdade, sendo que o próprio Cristo é a verdade. É Cristo a verdade e é o Espírito Santo quem aproxima e une Cristo aos que são seus. Cristo está aonde as Escrituras ainda não chegaram. Cristo está aonde Igreja ainda não chegou. Cristo está aonde o testemunho da Igreja ainda não chegou. Eis uma declaração cristã: “a única verdade da fé cristã encontra-se em Cristo”.

09/01/2010 Posted by | Igreja, Teologia, Textos | Deixe um comentário

Crianças e o Ano Novo

Quer saber o que desejo para você no ano novo?

Que você não cresça, não evolua e nem progrida. Desejo, mais do que tudo, que você regrida. Desejo que, no ano que se inicia, ao invés de prometer que vai perder peso, você prometa que vai perder anos de vida. Quero que volte a ser criança. Pode parecer frase feita, tipo especial de Natal na TV, mas não é. Também não estou desejando que você se infecte da síndrome de Peter Pan ou Cinderela para fugir das responsabilidades da vida adulta. Quero apenas que deixe de ser um adulto chato, azedo e racional.

Já imaginou que droga seria um mundo sem crianças? O problema é que esta é a tendência do mundo moderno. Duvida? É só ver as estatísticas. Nos países considerados mais evoluídos, onde vivem as pessoas que se acham as mais inteligentes, cultas e sofisticadas, as taxas de natalidade estão caindo assustadoramente. Em países assim nem todo casal moderninho quer ter filhos, pois o barato é cada um garantir a sua individualidade e não criar vínculos duradouros. Você já viu algum comercial de perfume chique com um bebê berrando no “loft” do casalzinho apaixonado? Sorte dos poodles. Enquanto muitos não têm filhos para se sentirem livres, outros preferem se livrar deles.

À meia noite do dia 31, quando abortarmos o ano velho e engendrarmos o novo, nosso inventário trará 50 milhões de crianças deliberadamente findadas no ano que finda. Então, com o contador zerado, voltaremos a produzir descartáveis à média de cinco mil por minuto. Mas, o que dizer dos abortos justificados, como nos casos de estupro? Não sei o que dizer, pois nunca estive na pele de uma mulher sob a tortura de uma situação assim. Mas, por descender de americanos, sei que não tenho DNA 100% europeu. Quando os exércitos mouros invadiram o sul da Itália e a Península Ibérica, você acredita mesmo que aqueles soldados se divertiram jogando dominó após meses cavalgando ao lado de colegas barbados? E se você for judeu, de olhos azuis e cabelos vermelhos, devo avisá-lo que sua tatataravó não bebeu tintura e nem engoliu lentes de contato para você nascer assim. Ela pode ter sido estuprada pelos bárbaros nórdicos que assolavam as aldeias de refugiados da diáspora. Se você for nordestino, moreno e de olhos verdes, já deve ter ouvido falar da invasão holandesa. É, meu caro, eu e você temos grandes chances de sermos descendentes de um estupro. Agora tente se colocar na pele da criança descartada. Uma vez embarcado no bonde da gestação, será que você gostaria que outra pessoa o obrigasse a descer antes do ponto final? Mas não pense que eu queira transformar esta mensagem de “Feliz Ano Novo” em algo tétrico. Não quero. Desejo apenas que no ano que se inicia você olhe as crianças com outros olhos e queira ser desencucado como elas para ser feliz. Crianças acreditam em todas as possibilidades, riem com facilidade e não gostam de coisas azedas.

Jesus deu às crianças livre acesso a ele, e ainda sugeriu que devíamos ser como elas. Você não vai querer discutir com ele, vai? As crianças se tornam ainda mais especiais quando nos tornamos pais, não sei ainda como é isso. Alguém disse que quando somos jovens temos filhos, mas depois ganhamos cúmplices. Tenho um “sobrinho” de dois anos que volta e meia me surpreende com alguma pérola do comportamento infantil. Há menos alguns meses ele e seus pais estiram no Brasil e eu costumava levá-lo para brincar no playground. Ontem, quando ele me viu na tela do Skype conversando em áudio e vídeo com seus pais, os milhares de quilômetros que nos separam não pareciam representar problema. O garoto simplesmente correu pegar seu casaco e pediu para eu levá-lo ao playground.

Feliz ano novo! Todo os dias de 2010.

31/12/2009 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário