Shalon’s

…em construção…SEMPRE!

O Teste do Marshmallow – The Marshmallow Test Legendado

11/02/2014 Posted by | Ferramentas, Psicologia | Deixe um comentário

CRIANÇAS COM CÂNCER (comovente vídeo publicitário)

10/02/2014 Posted by | Ferramentas, Psicologia, Uncategorized | Deixe um comentário

Nove meses – O SHOW DA VIDA

10/02/2014 Posted by | Ferramentas, Psicologia, Uncategorized | Deixe um comentário

Saiba quando PERDOAR

10/02/2014 Posted by | Ferramentas, Liderança, Psicologia | Deixe um comentário

BOAS NOTÍCIAS (…)

Manjedoura e Palácio

 

Todo ser humano busca ser feliz, deseja prazer e realização com a vida. A grande realização da vida humana é ser gente na sua forma mais plena e completa. A infelicidade, de um lado, consiste na constatação de que falta algo essencial e básico para se viver. De outro lado, pelo discernimento inteligente de que existem excessos superficiais e ilusórios.

A infelicidade humana se manifesta na medida em que suprimimos o que lhe é próprio ou acrescentamos o que lhe é desnecessário. A realização humana consiste em viver para cumprir a vocação plena de ser gente. O ser humano é feliz quando cumpre o propósito para o qual foi criado.

Qual a nova de grande alegria?

Havia entre os judeus uma esperança, e mesmo que, percebida parcialmente, era uma esperança. Aguardavam um rei, politicamente identificado com o trono de Davi. Sonhavam com uma estabilidade política e econômica com a chegada do Messias. Esperavam que ele viesse para destruir a hegemonia e dominação dos romanos sobre o povo hebreu. Tinham expectativas baseadas nas relações de dominação e dependência. A diferença era apenas de inversão dos papéis de dominação. Mas, o paradigma era o mesmo. Não era, portanto dessas expectativas, desses acréscimos que os anjos estavam falando. Dominação não gera a grande alegria anunciada pelos anjos. Então, qual a nova de grande alegria?

Deus estava se manifestando na história como nunca. De várias maneiras havia tomado a iniciativa de se comunicar com os seres humanos. “Havendo Deus outrora falado de várias maneiras aos pais pelos profetas, nos últimos tempos nos falou pelo seu Filho a quem constituiu herdeiro de todas as coisas”. (Hebreus 1.1-4). Todas as outras comunicações foram parciais e limitadas. Entre os hebreus a manifestação de Deus acontece nas ambigüidades militares, na infiltração de um paganismo primitivo que confunde Deus com as divindades carentes de holocaustos, dependente de trocas de favores, uma religiosidade sem misericórdia com os portadores de deficiência física, com as mulheres, com o estrangeiro.

Na Manjedoura de Belém há uma presença suficiente – uma criança envolta em panos, nascida numa família de pouco prestígio social, pais sem uma conta bancária que se possa fazer referência relevante. Era somente, e suficientemente, a presença ambulante de Deus. Ele mesmo transitando entre os seres humanos, vivendo a possibilidade plena de nossa humanidade. Uma evidência real da imagem e semelhança de Deus expressava-se na pessoa de Jesus Cristo. Paulo afirma: “Ele é a expressão exata de seu SER” (grifo nosso – Paulo referia-se ao ser de Deus).

Os anjos trouxeram uma grande notícia: “… é que hoje vos nasceu,(…) salvador…(Lucas 2.11)
A humanidade de Deus é a grande boa-nova. A possibilidade da quebra do dualismo grego: divindade versus humanidade. Em Jesus se podia identificar a essência de ser gente – Deus estava nele, ele estava em Deus.

Era um combate a todas as formas de imperialismo: não era mais uma divindade a serviço dos caprichos de dominação militar na cultura de um povo. O Cristo da manjedoura houvera chegado para servir, salvar, sofrer e padecer. Na narrativa joanina era a notícia de que Deus habitou entre nós cheio de graça e de verdade e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai (João 1. 14).

Era a possibilidade de se observar alguém vivendo do jeito mais comum semelhante a maioria das crianças do mundo. Quando falamos que vivia em função da vida e acolhia as crianças desprezadas, incluía no seu ambiente as mulheres à margem da sociedade, estamos apenas enfatizando que este era o seu ambiente mais corriqueiro. Atendia com amor as demandas dos estrangeiros que lhe procuravam por socorro, os pecadores foram acolhidas, as mulheres incluídas no projeto. Um novo Ser – pleno pela sua singularidade, exclusividade, por se permitir ser possuído apenas de si mesmo e nada mais, e assim desfrutar a chance de, em apenas 33 anos e meio, viver a plenitude de sua humanidade. Toda espiritualidade precisa estar marcada pela expressão singular de cada ser em suas particularidades e desenvolvida pelo modelo do Jesus de Nazaré.

A alegria de uma nova comunidade – composta de mulheres, crianças, homens trabalhadores – José ou os pastores, também, alguns curiosos orientais – os magos do Oriente, o idoso Simeão, a anciã e profetiza Ana, que inspirados por vozes fora da rotina, se enchem de esperança, a despeito da dor e sofrimento que hão de vir.

As crianças são prioritárias na espiritualidade dessa nova comunidade. Elas trazem em si a alegria natural da vida. As mulheres possuem uma sensibilidade aguçada e anunciam, antes que qualquer macho, a gestação da vida. Elas percebem no silêncio da alma, que fora do útero, as crianças pobres estão mais próximas do calvário. Mas aprenderam também que a morte vem despertando a semente da ressurreição, geradora de outras sementes em vida.

A espiritualidade de Jesus esta marcada e ilustrada pela alegria e des-res-peito das crianças. De crianças de peito e do peito delas Deus suscita perfeito louvor. Os adultos, burocratizados pelos esquemas da religião não conseguem entender o perfeito louvor das crianças.

As mulheres sensíveis de gestação entendem a comunicação de uma criança ainda no ventre. Os mais pobres entre os pobres são mais sensíveis as precariedades e singeleza da vida. Uma espiritualidade, que procura imitar a espiritualidade de Jesus, passa também por outros caminhos -, mas obrigatoriamente – passa pelo caminho da criança, da mulher e dos pobres em comunidade.
As experiências de Jesus Cristo, e toda a primeira geração dos que viveram e conviveram com Ele sinalizam a possibilidade de outras comunidades invadidas ou batizadas pelo Espírito Santo. As comunidades de Jesus Cristo, em outras gerações, são sociedades alternativas, marcadas pela comunhão do Espírito, fraternidade da justiça, permanente prática do amor, fertilizada pela alegria, e aperfeiçoada pelos instrumentos da paz.

Um novo Reino, utopia e sonho dos novos cidadãos – os considerados não-gente na sociedade dos “de fora”. Eles desfrutam e manifestam uma experiência comunitária possível, baseada nos ensinos de Jesus Cristo. Desfrutam o Reino de Deus inaugurado pelo Jesus de Nazaré e pela sua comunidade de discípulos e discípulas. Reino que tem sido vivido e anunciado pelos seguidores de Jesus Cristo, através dos sinais de confrontação de poderes antagônicos e luta pela justiça paz.

Reino de Deus, que por vezes manifestou-se no cristianismo histórico, outras vezes fora dele, outras vezes contra ele. Nem todos que conhecem sobre o Reino de Deus desfrutam-no, como também, nem todos que desfrutam-no conseguem interpretá-lo; todavia, como neste reino o importante é a prática e obediência, quem vive e pratica o Reino de Deus é mais prudente do que quem conhece e engana a si mesmo. Entre os pobres, principalmente, o reino de Deus, quando vivenciado, é mais desfrute do que explicação racionalista.

A nova espiritualidade com os olhos no Reino de Deus e os pés fincados na terra tem o potencial de redirecionar as esperanças para uma vida digna. O cuidado com toda as dimensões da vida. A longevidade é uma dádiva de Deus. Quando a humanidade interrompe a vida das pessoas por causa do egoísmo, acumulação de bens, injustiça está afrontando o Deus da Vida. As comunidades de Jesus necessitam buscar uma espiritualidade marcada pelo resgate da dignidade humana, incluindo o direito a cidadania, receber um nome – ele será chamado Jesus, direito a uma família, direito aos espaços culturais de seu povo, direito a proteção – habitação digna, vestimentas como forma de proteção, alimentos suficientes para preservação da vida, formas de organização social justa que expressem fraternidade, oportunidade de vida digna para todos. Desfrutamos dessa realização quando somos salvos de nossa desumanidade; e isto só é possível quando resgatamos uma espiritualidade marcada pela vocação de ser gente, que descobre nos espaços coletivos a vida abundante para todos.

1. Uma boa-nova que provoca fascínio e encantamento. “Todos os que ouviram se admiraram das coisas referidas pelos pastores” (v 18). Precisamos acreditar nas coisas que provocam maravilha – “mirar-vale!”.

2. Uma boa-nova que nos tire do imobilismo e discernindo o caminho do projeto de Deus. “Vamos… e vejamos…”. Não basta ser ativista. Não precisamos simplesmente visitar uma criança envolta em panos rotos. Precisamos fazer a coisa certa. Há uma grande diferença em se fazer corretamente, e fazer corretamente a coisa correta.

Não basta ir a manjedoura, precisamos discernir também o momento de nos desviarmos do caminho que leva ao fascínio pelo palácio. Há um conflito sempre estranho entre a manjedoura e o palácio.

Os magos do Oriente mudaram a rota: vieram pelo palácio, conversaram com Herodes, mas mudaram a rota depois do encontro com o Menino na manjedoura. (Mateus 2. 1-12).

3. Uma boa-nova que promova a paz e glorifique a Deus (v 14 e 20). Precisamos resgatar uma espiritualidade e uma devoção capazes de motivar homens e mulheres a glorificarem a Deus pelas coisas fora dos holofotes e dos palcos. Há ainda muita ação de Deus nas galiléias dos gentios, há outras nazarés e muitas belens – todas pequenas demais para figurar entre as muitas expostas na mídia. São sinais perceptíveis pelas discretas Anas, por pobres trabalhadores noturnos. Eventualmente aparecem nas estatísticas, outras vezes em testemunhos isolados, mas são ainda sinais de esperança. É voz de uma criança – começa no ventre da mãe, depois torna-se uma voz no deserto – no deserto, mas era a voz de quem clama e anuncia o Caminho do Senhor.

FELIZ NATAL!

26/12/2013 Posted by | Igreja, Liderança, Politica Nacional, Psicologia, Teologia, Textos | Deixe um comentário

“MODERNIDADE LÍQUIDA”

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O sociólogo polonês radicado na Inglaterra Zygmunt Bauman é um dos intelectuais mais respeitados e produtivos da atualidade. Aos 84 anos, escreveu mais de 50 livros. Dois dos mais recentes, “Vida a crédito” e “Capitalismo Parasitário” chegam ao Brasil pela Zahar. As quase duas dezenas de títulos já publicados no País pela editora venderam mais de 200 mil cópias. Um resultado e tanto para um teórico. Pode-se explicar o apelo de sua obra pela relativa simplicidade com que esmiúça aspectos diversos da “modernidade líquida”, seu conceito fundamental. É assim que ele se refere ao momento da História em que vivemos. Os tempos são “líquidos” porque tudo muda tão rapidamente. Nada é feito para durar, para ser “sólido”. Disso resultariam, entre outras questões, a obsessão pelo corpo ideal, o culto às celebridades, o endividamento geral, a paranóia com segurança e até a instabilidade dos relacionamentos amorosos. É um mundo de incertezas. E cada um por si. “Nossos ancestrais eram esperançosos: quando falavam de ‘progresso’, se referiam à perspectiva de cada dia ser melhor do que o anterior. Nós estamos assustados: ‘progresso’, para nós, significa uma constante ameaça de ser chutado para fora de um carro em aceleração”, afirma. Em entrevista à ISTOÉ, por e-mail, o professor emérito das universidades de Leeds, no Reino Unido, e de Varsóvia, na Polônia, falou também sobre temas que começou a estudar recentemente, mas são muito caros aos brasileiros: tráfico de drogas, favelas e violência policial.

O que caracteriza a “modernidade líquida”?

Zygmunt Bauman  –

Líquidos mudam de forma muito rapidamente, sob a menor pressão. Na verdade, são incapazes de manter a mesma forma por muito tempo. No atual estágio “líquido” da modernidade, os líquidos são deliberadamente impedidos de se solidificarem. A temperatura elevada — ou seja, o impulso de transgredir, de substituir, de acelerar a circulação de mercadorias rentáveis — não dá ao fluxo uma oportunidade de abrandar, nem o tempo necessário para condensar e solidificar-se em formas estáveis, com uma maior expectativa de vida.

As pessoas estão conscientes dessa situação?

Zygmunt Bauman  –

Acredito que todos estamos cientes disso, num grau ou outro. Pelo menos às vezes, quando uma catástrofe, natural ou provocada pelo homem, torna impossível ignorar as falhas. Portanto, não é uma questão de “abrir os olhos”. O verdadeiro problema é: quem é capaz de fazer o que deve ser feito para evitar o desastre que já podemos prever? O problema não é a nossa falta de conhecimento, mas a falta de um agente capaz de fazer o que o conhecimento nos diz ser necessário fazer, e urgentemente. Por exemplo: estamos todos conscientes das conseqüências apocalípticas do aquecimento do planeta. E todos estamos conscientes de que os recursos planetários serão incapazes de sustentar a nossa filosofia e prática de “crescimento econômico infinito” e de crescimento infinito do consumo. Sabemos que esses recursos estão rapidamente se aproximando de seu esgotamento. Estamos conscientes — mas e daí? Há poucos (ou nenhum) sinais de que, de própria vontade, estamos caminhando para mudar as formas de vida que estão na origem de todos esses problemas.

A atual crise financeira tem potencial para mudar a forma como vivemos?

Zygmunt Bauman  –

Pode ter ou não. Primeiramente, a crise está longe de terminar. Ainda veremos suas conseqüências de longo prazo (um grande desemprego, entre outras). Em segundo lugar, as reações à crise não foram até agora animadoras. A resposta quase unânime dos governos foi de recapitalizar os bancos, para voltar ao “normal”. Mas foi precisamente esse “normal” o responsável pela atual crise. Essa reação significa armazenar problemas para o futuro. Mas a crise pode nos obrigar a mudar a maneira como vivemos. A recapitalização dos bancos e instituições de crédito resultou em dívidas públicas altíssimas, que precisão ser pagas pelos nossos filhos e netos — e isso pode empobrecer as próximas gerações. As dívidas exorbitantes podem levar a uma considerável redistribuição da riqueza. São os países ricos agora os mais endividados. De qualquer forma, não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas.

Ao se conectarem ao mundo pela internet, as pessoas estariam se desconectando da sua própria realidade?

Zygmunt Bauman  –

Os  contatos online têm uma vantagem sobre os offline: são mais fáceis e menos arriscados — o que muita gente acha atraente. Eles tornam mais fácil se conectar e se desconectar. Casos as coisas fiquem “quentes” demais para o conforto, você pode simplesmente desligar, sem necessidade de explicações complexas, sem inventar desculpas, sem censuras ou culpa. Atrás do seu laptop ou iPhone, com fones no ouvido, você pode se cortar fora dos desconfortos do mundo offline. Mas não há almoços grátis, como diz um provérbio inglês: se você ganha algo, perde alguma coisa. Entre as coisas perdidas estão as habilidades necessárias para estabelecer relações de confiança, as para o que der vier, na saúde ou na tristeza, com outras pessoas. Relações cujos encantos você nunca conhecerá a menos que pratique. O problema é que, quanto mais você busca fugir dos inconvenientes da vida offline, maior será a tendência a se desconectar.

E o que o senhor chama de “amor líquido”?

Zygmunt Bauman  –

Amor líquido é um amor “até segundo aviso”, o amor a partir do padrão dos bens de consumo: mantenha-os enquanto eles te trouxerem satisfação e os substitua por outros que prometem ainda mais satisfação. O amor com um espectro de eliminação imediata e, assim, também de ansiedade permanente, pairando acima dele. Na sua forma “líquida”, o amor tenta substituir a qualidade por quantidade — mas isso nunca pode ser feito, como seus praticantes mais cedo ou mais tarde acabam percebendo. É bom lembrar que o amor não é um “objeto encontrado”, mas um produto de um longo e muitas vezes difícil esforço e de boa vontade.

Nesse contexto, ainda faz sentido sonhar com um relacionamento estável e duradouro?

Zygmunt Bauman  –

Ambos os tipos de relacionamento têm suas próprias vantagens e riscos. Em um mundo “líquido”, em rápida mutação, “compromissos para a vida” podem se revelar como sendo promessas que não podem ser cumpridas — deixando de serem algo valioso para virarem dificuldades. O legado do passado, afinal, é a restrição mais grave que a vida pode impor à liberdade de escolha. Mas, por outro lado, como se pode lutar contra as adversidades do destino sozinho, sem a ajuda de amigos fiéis e dedicados, sem um companheiro de vida, pronto para compartilhar os altos e baixo? Nenhuma das duas variedades de relação é infalível. Mas a vida também não o é. Além disso, o valor de um relacionamento é medido não só pelo que ele oferece a você, mas também pelo que oferece aos seus parceiros. O melhor relacionamento imaginável é aquele em que ambos os parceiros praticam essa verdade.

O que explicaria o crescimento do consumo de antidepressivos?

Zygmunt Bauman  –

Você colocou o dedo em um dos muitos sintomas da nossa crescente intolerância ao sofrimento – na verdade, uma intolerância a cada desconforto ou mesmo ligeira inconveniência. Em uma vida regulada por mercados consumidores, as pessoas passaram a acreditar que, para cada problema, há uma solução. E que esta solução pode ser comprada na loja. Que a tarefa do doente não é tanto usar sua habilidade para superar a dificuldade, mas para encontrar a loja certa que venda o produto certo que irá superar a dificuldade em seu lugar. Não foi provado que essa nova atitude diminui nossas dores. Mas foi provado, além de qualquer dúvida razoável, que a nossa induzida intolerância à dor é uma fonte inesgotável de lucros comerciais. Por essa razão, podemos esperar que essa nossa intolerância se agrave ainda mais, em vez de ser atenuada.

E a obsessão pelo corpo perfeito?

Zygmunt Bauman  –

Não é o ideal de perfeição que lubrifica as engrenagens da indústria de cosméticos, mas o desejo de melhorar. E isso significa seguir a moda atual. Todos os aspectos da aparência corporal são, atualmente, objetos da moda, não apenas o cabelo ou a cor dos lábios, mas os tamanhos dos quadris ou dos seios. A “perfeição” significaria um fim a outras “melhorias”. Na cirurgia plástica, são oferecidos aos clientes cartões de “fidelidade”, garantindo um desconto nas sucessivas cirurgias que eles certamente irão realizar. Assim como a indústria de celebridades, a indústria cosmética não tem limites e a demanda por seus serviços pode, a princípio, se expandir infinitamente.

O que está por trás desse culto às celebridades?

Zygmunt Bauman  –

Não é só uma questão de candidatos a celebridades e seu desejo por notoriedade. O que também é uma questão é que o “grande público” precisa de celebridades, de pessoas que estejam no centro das atenções. Pessoas que, na ausência de autoridades confiáveis, líderes, guias, professores, se oferecem como exemplos. Diante do enfraquecimento das comunidades, essas pessoas fornecem “assuntos-chave” em torno dos quais as quase-comunidades, mesmo que apenas por um breve momento, se condensam —para desmoronar logo depois e se recondensar em torno de outras celebridades momentâneas. É por isso que a indústria de celebridades está garantida contra todas as depressões econômicas.

Como fica o futuro nesse contexto de constantes mudanças?

Zygmunt Bauman  –

Nossos ancestrais eram esperançosos: quando falavam de “progresso”, se referiam à perspectiva de cada dia ser melhor do que o anterior. Nós estamos assustados: “progresso”, para nós, significa uma constante ameaça de ser chutado para fora de um carro em aceleração. De não descer ou embarcar a tempo. De não estar atualizado com a nova moda. De não abandonar rapidamente o suficiente habilidades e hábitos ultrapassados e de falhar ao desenvolver as novas habilidades e hábitos que os substituem. Além disso, ocupamos um mundo pautado pelo “agora”, que promete satisfações imediatas e ridiculariza todos os atrasos e esforços a longo prazo. Em um mundo composto de “agoras”, de momentos e episódios breves, não há espaço para a preocupação com “futuro”. Como diz um outro provérbio inglês: “Vamos cruzar essa ponte quando chegarmos a ela”. Mas quem pode dizer quando (e se) chegar e em que ponte?

Há cinco anos, a polícia de Londres matou o brasileiro Jean Charles de Menezes, alegando tê-lo confundido com um terrorista. Por que o mundo está tão paranóico com segurança?

Zygmunt Bauman  –

Essa obsessão e a nossa gestão dos assuntos globais, responsável por reforçá-la, constituem a ameaça mais terrível à nossa segurança. O fantástico crescimento das “indústrias de segurança”, juntamente com a crescente suspeita de perigo que ela evoca, são motivos para antever uma piora das coisas. Se não por qualquer outro motivo, então porque, na lógica das armas de fogo, uma vez carregadas, em algum elas deverão ser descarregadas.

No Brasil, a violência é uma questão especialmente preocupante. Como o sr. enxerga isso?

Zygmunt Bauman  –

Para começar, as favelas servem como uma lixeira para um número enorme de pessoas tornadas desnecessárias em partes do País onde suas fontes tradicionais de sustento foram destruídas — para quem o Estado não tinha nada a oferecer nem um plano de futuro. Mesmo que não declararem isso abertamente, as agências estatais devem estar felizes pelo fato de o povo nas favelas tomar os problemas em suas próprias mãos. Por exemplo, ao construir seus barracos rapidamente e de qualquer forma, usando materiais instáveis, encontrados ou roubados, na ausência de habitações planejadas e construídas pelas autoridades estaduais ou municipais para acomodá-los.

Essa ausência do Estado abriu espaço para os traficantes. O combate às quadrilhas às vezes é usado com justificativa para excessos da polícia. Por que tanta violência?

Zygmunt Bauman  –

As relações entre a polícia e as empresas de tráfico de drogas são, na apropriada expressão de Bernardo Sorj (sociólogo brasileiro, professor da Universidade Federal do Rio), “nem de guerra nem de paz”. Esse amor e ódio entre as duas principais agências de terror aumenta o estigma da favela como o local da violência genocida. Ao mesmo tempo, porém, também contribui para a “funcionalidade” das favelas na manutenção do atual sistema de poder no Brasil. A polícia brasileira tem um longo histórico de tratamento brutal aos pobres, anterior à proliferação relativamente recente das favelas. A brutalidade da polícia é mesmo para ser espetacular. Como não é particularmente bem sucedida no combate à criminalidade e à corrupção, a polícia, para convencer a população de seu potencial coercitivo, deve assustá-la e coagi-la a ser passivamente obediente.

O sr. vê uma solução?

Zygmunt Bauman  –

Algo está sendo feito, mesmo que, até agora, não seja suficiente para cortar um nó firmemente amarrado por décadas, senão séculos. Um exemplo é o Viva Rio (ONG que atua contra a violência). Pequenos passos, talvez, sopros não fortes o suficiente para romper a armadura do ressentimento mútuo e indiferença moral de anos entre “morro” e “asfalto” no Rio. Mas a escolha é, afinal, entre erguer paredes de pedra e aço ou o desmantelamento de cercas espirituais.

O que o sr. diria ao jovens?

Zygmunt Bauman  –

Eu desejo que os jovens percebam razoavelmente cedo que há tanto significado na vida quando eles conseguem adicionar isso a ela através de esforço e dedicação. Que a árdua tarefa de compor uma vida não pode ser reduzida a adicionar episódios agradáveis. A vida é maior que a soma de seus momentos.

ENTREVISTA CONCEDIDA A REVISTA ISTOÉ E PUBLICADA EM 24 DE SETEMBRO DE 2010.

20/07/2013 Posted by | Ferramentas, Liderança, Psicologia, Textos | Deixe um comentário

Transtorno Bipolar

Uma divertida ilustração sobre um transtorno que afetas muitos brasileiros!

Hospital Israelita Albert Einstein!

Uma cortesia de http://www.vidasustentavel.psc.br

26/05/2011 Posted by | Psicologia | Deixe um comentário

Ecstasy – Os efeitos da droga no organismo

Uma divertida ilustração sobre um assunto de saúde publica!

Hospital Israelita Albert Einstein!

Uma cortesia de http://www.vidasustentavel.psc.br

26/05/2011 Posted by | Psicologia | Deixe um comentário

Crianças vêem, crianças repetem!

Um vídeo para encorajar a reflexão do quanto influenciamos os pequenos!

Children Friendly – Make your influence positive!

Uma cortesia de http://www.vidasustentavel.psc.br

24/02/2011 Posted by | Ferramentas, Liderança, Psicologia | 1 Comentário

Dinheiro, sexo e futebol: as 3 coisas que o brasileiro mais gosta (?)

Dinheiro, sexo e futebol: as 3 coisas que o brasileiro mais gosta (?) (não necessariamente nessa ordem)

As pessoas compram uma coisa só. Não importa se compram um sapato, uma BMW ou um ingresso para o teatro, estão comprando uma coisa só. Quem compra uma caneta, uma camisa do seu time ou uma viagem para Nova York está comprando uma coisa só. Os caras que estão tendo sucesso hoje descobriram isso.  Os profissionais mais bem remunerados do nosso mercado são aqueles que sabem explorar esse fato. O que as pessoas estão comprando? Simples…

UMA COISA SÓ

As pessoas compram uma coisa só. Não importa se compram um sapato, uma BMW ou um ingresso para o teatro, estão comprando uma coisa só. Quem compra uma caneta, uma camisa do seu time ou uma viagem para Nova York está comprando uma coisa só. Os caras que estão tendo sucesso hoje descobriram isso.  Os profissionais mais bem remunerados do nosso mercado são aqueles que sabem explorar esse fato. O que as pessoas estão comprando? Simples. Elas estão comprando um estado de espírito, ou se você preferir, um sentimento. Isso vale para quem vai ao estádio assistir um jogo de futebol, ao templo para rezar, e ao shopping para dar uma volta no sábado à tarde.

A grande jogada nessa transação chamada compra e venda é a sensação que as pessoas experimentam durante a negociação. A grande sacada que mantém um produto campeão de vendas é que ele consegue gerar no consumidor uma sensação, um sentimento, um estado de espírito. Ninguém compra caneta apenas para escrever, camisa apenas para cobrir o corpo, ou bolsa apenas para carregar carteira e batom. E, diga a verdade, quando você sai do cinema do mesmo jeito que entrou, sai resmungando que o filme foi uma porcaria. E é exatamente por isso que você diminui a luz da sala e mete um smoth jazz no fundo quando quer relaxar no final do dia. Mudar o estado de espírito, mudar as sensações, gerar novas emoções, sentir alguma coisa, e de preferência diferente do que esta que estou sentindo agora, pois senão eu ficaria no mesmo lugar, ou não compraria o seu produto. Quer saber uma coisa?, o maior benefício de um serviço ou produto não é que  ele faz pelo cliente, mas o que ele faz dentro do cliente. Sacou?

E daí, o que é que eu tenho a ver com isso?, você diria. Bem, se você é consumidor, fique esperto, porque os caras já te descobriram e cada dia ficam sabendo mais coisas a seu respeito: o que você gosta e não gosta, o que faz você chorar, o que te mete medo, e o que você precisa para assinar aquele contrato. Até aí, nada de errado. Desde que você não esteja iludido na transação, isto é, sendo manipulado sem saber. Quer pagar mais, pague. Quer comprar aquela marca, compre. Mas não caia na esparrela de acreditar que aquele algodão com cavalinho é necessariamente melhor do que os algodões sem cavalinho.

Agora, se você é o vendedor, então, meu amigo, você tem que saber uma coisinha a mais. O grande lance de uma venda não está apenas no estado de espírito do consumidor, mas também e principalmente no coração do vendedor. Em outras palavras, o ambiente da compra tem que estar alinhado com a proposta emocional-passional do produto-serviço. É aquela coisa de careca vendendo shampoo para queda de cabelo. O que a maioria dos vendedores ainda não sacou é que vendedor de emoção sem emoção é tão ridículo quanto  gordo vendendo mais uma dieta revolucionária. Todo produto-serviço tem um valor agregado. E o ambiente da transação de sua compra e venda deve refletir esse valor. Ponto.

A BOLA,  A TRANSA E A VENDA

Fui fazer uma palestra para um grupo de atletas. Pedi que eles me descrevessem uma bola feliz. Ficaram em silêncio, e então tentei ajudar, pedindo que dissessem o que poderiam fazer com uma bola de futebol, além de jogar futebol. Um deles disse que poderíamos usar a bola de banquinho, sentando em cima dela. Boa. Outro sugeriu que a gente pode murchar a bola para que ela sirva de peso para a porta não bater com o vento. Boa também. Lá pelas tantas um garoto falou que a bola pode ser uma peça de museu, e nesse caso a gente fica olhando para ela. Maravilhosa. Era tudo o que eu precisava. Perguntei para eles se achavam que a bola do gol mil do Pelé era uma bola feliz. A resposta veio de bate pronto, “Acho que ela foi feliz no dia do gol mil, mas hoje, no museu, deve ser uma bola infeliz”. Bingo. Minha palestra poderia terminar ali mesmo. A conclusão é óbvia: uma bola feliz é uma bola em jogo. E por aí vai: uma pipa feliz é uma pipa ao vento; um peão feliz é um peão girando; um bambolê feliz é um bambolê bailando.

O gol é o orgasmo do futebol, disse Nelson Rodrigues. Mas o gol não é o todo do futebol. O gol, aliás, é o fim do futebol. Cada vez que o gol acontece, começa tudo de novo. Que nem orgasmo. O orgasmo é o fim da transa. Quando o orgasmo acontece, começa tudo de novo (sabe lá depois de quanto tempo, mas começa!). O que quero dizer com isso é que a bola não é feliz apenas  quando estufa as redes em gol. Uma bola feliz é uma bola em jogo. Uma espalmada de mão trocada, uma pancada de três dedos no travessão, uma matada no peito do zagueiro. Imagino como era feliz a bola enquanto Pelé olhava para ela e sussurrava segredos durante o minuto de silêncio. Uma bola feliz é uma bola em jogo. E se o orgasmo está no gol, a graça está no jogo. Assim como o ápice é o gozo, e o prazer é a transa.

Compliquei? Calma lá. Ainda não. Essa era a diferença entre o Garrincha e os caneleiros de plantão. O Garrincha gostava do gol, mas gostava também do jogo. Não valia apenas empurrar para dentro do gol (sem trocadilhos), tinha que ser por baixo das pernas do zagueiro (sem trocadilhos). Além do gol, o jogo. E quanto mais prazeroso o jogo, mais arrebatador o gol. Assim é com a transa, não é? E sabe de uma coisa, assim como tem gente que gosta de fazer gol e não gosta de jogar, também tem gente que gosta de gozar mas não gosta de transar. E mulher nenhuma (penso eu) gosta de transar com esse cara. 

Tudo isso para dizer que todo produto tem um valor agregado. Todo ambiente de compra e venda deve estar alinhado com o valor agregado do produto negociado. O que determina o ambiente não é o fechamento da venda, mas sim o processo da venda. Em tese, o que determina o gol é o jogo bem jogado; o que determina o gozo, é a transa bem transada. E o que determina a venda, é o processo bem negociado. E sabe o que é incrível nisso tudo? Tem gente que gosta de vender mas não gosta de negociar. Não é vendedor, apenas trabalha em vendas, e ninguém quer comprar dele. A graça não está apenas na assinatura do contrato, mas em todo o processo de negociação: fazer conta de cabeça, oferecer um café na hora certa, mudar de assunto e voltar ao prazo depois de dois minutos, mostrar a foto mais uma vez, convidar o consumidor a experimentar o produto, e assim vai, às vezes minutos, outras, horas, e quem sabe, dias, meses e anos, até a assinatura do contrato.

OS CAMPEÕES, OS RATINHOS E OS QUE DERAM CAMBALHOTA

Veja só. O cara entra na sua loja para comprar um carro, e do mesmo jeito que ele vai ter orgulho em mostrar para o cunhado que comprou um GM, você tem que ter orgulho de vender um GM. Produto: carro. Valor agregado: esbanjar o cunhado. Alinhamento do ambiente: aquela cara de “você vai abafar”. Abre paréntesis. Perdoe o exemplo mesquinho, mas não me ocorreu nada melhor. Fecha paréntesis.

A grande questão é como é que você consegue fazer aquela cara, isto é, alinhar o valor do produto com o valor do processo de negociação, gerar o ambiente de trabalho cheio de afeto, alegria e espontaneidade (ou sei lá que valores a sua empresa tem). Conheço caminhos. O primeiro é o mais simples: você faz isso naturalmente, por que você é desse jeito. Quer dizer, você não está transando do jeito que a revista feminina ensinou, você está apaixonado; você não está se movimentando em busca de espaço em campo, como o professor mandou, você é craque; ou, no caso, você não apenas trabalha em vendas, você é vendedor. Isso tem a ver com vocação, coisa de gente que diz “eu nasci para isso”, “eu amo o que faço”, “não me imagino fazendo outra coisa”.

O outro caminho, amigão, é treinamento. Que nem quando eu fui comprar um tênis na loja recém inaugurada no Shopping. Enquanto falava comigo, a moça do caixa era sorridente e atenciosa. Mas quando falava com a colega atrás do balcão, era mal humorada e irritadiça. Perguntei pra ela quanto tempo durara o treinamento. Quinze dias, foi a resposta. Saí de lá com a convicção reforçada: em quinze dias você não consegue mais do que condicionar, padronizar comportamentos, artificializar simpatias, colocar sorrisos de plástico na cara dos outros. 

O caminho do treinamento tem suas variáveis: auto-ajuda, neuro-linguística, conscientização. Mas a melhor prima irmã do treinamento é a motivação: doses diárias, sistemáticas, de estímulos e encorajamentos. Funciona assim: no início do dia você reúne sua equipe de vendas e dá uma dose de motivação na veia de cada um dos seus valentes vendedores; depois, você faz algumas promessas de recompensas; e depois coloca um catálogo bem bonito na mão deles e anuncia sorridente que “a partir de hoje nossa empresa vai deixar vocês estacionarem no subsolo, à sombra”. Depois disso, você solta os ratinhos e fica esperando por eles com outro pedaço de queijo na manhã seguinte. À medida que o resultado vai satisfazendo, você melhora o queijo. E quando a coisa despencar, isto é, os ratinhos não obedecerem mais aos mesmos estímulos, você substitui os ratinhos, é mais fácil, embora muito mais caro.

A VERDADE VERDADEIRA

Fala a verdade. A maioria das empresas que você conhece trabalha desse jeito, não é ratinho? E eu já sei que você está louco para saber como sair desse labirinto e descobrir a terceira via. Pois eu lhe digo já, sem mais suspense. Caso você não seja um vocacionado quase naturalmente campeão, e não agüente mais esta vida de porão e roda com giro falso, sua alternativa libertadora é a autotransformação.

A grande sacada, companheiro, é a seguinte: não importa tanto a qualidade do seu produto se você não é capaz de envolver seu cliente no ambiente certo. A verdade é que seu produto vai embalado não em papel, caixas ou ceras. Seu produto vai embalado em estados de espírito, sensações e sentimentos. E você tem que estar embalado nos mesmos moldes. E para estar embalado nos mesmos moldes, você não pode fazer de conta, primeiro porque a maioria dos clientes logo logo percebe, e depois porque cedo ou tarde você não vai agüentar manter as aparências, o sorriso fingido vai desaparecer da sua cara, indo direto para uma úlcera, ou coisa pior. Para embalar você, seu produto, seu ambiente de trabalho, seus processos e seus relacionamentos, não há substitutos para a autenticidade.

Não importa o que você faz. Importa o que você é. Fingir orgasmo é rota suicida, e ninguém consegue fingir que é craque. No máximo, consegue fazer um gol de placa, sem querer, na maior sorte, e depois “não vende nunca mais”.

Entre o naturalmente feliz e o treinado para ser feliz, está a maioria dos mortais, pessoas como eu e você, que convivem com o desafio da autotransformação e da busca da felicidade. Uma felicidade não artificial, que brota de dentro para fora.

Desculpa aí. Mas já falei demais e esse papo não tem fim. Não quero ensinar um truque. Quero desmascarar alguns. Não quero apresentar uma nova técnica. Quero convidar você a prosseguir numa grande aventura. A aventura de ser. Ser, para poder vender. Ser, para poder viver. Nesse caso, amigão, se você quer andar pelo caminho da autotransformação, você precisa mais do uma palestra, um seminário ou um programa motivacional. Você precisa tomar uma decisão. E depois colocar o pé na estrada, pois a viagem é longa e você não vai chegar lá a menos que dê o primeiro passo. O primeiro passo? Jogar fora os pacotes que venderam pra você. Já é um bom começo.

08/09/2010 Posted by | Ferramentas, Igreja, Liderança, Psicologia, Textos | 6 Comentários

Porque procurar um Psicólogo? (repostando)

Porque procurar um Psicólogo?

Psicologia significa o estudo da alma. É a ciência que se dedica a estudar o indivíduo em sua essência: sua mente, razão, instintos, desejos, emoções, comportamentos e seus conflitos nas relações com os outros e consigo mesmo.

Existem muitas formas de entender e conceituar os conteúdos psicológicos e, dependendo do enfoque dessa análise, surgem as diferentes teorias que vão compreender e explicar a natureza humana, as chamadas abordagens ou linhas teóricas da Psicologia como a Psicanálise, a Psicologia Existencial-Humanista, o Psicodrama, a Psicologia Comportamental, entre outras. Embora cada uma delas estude o homem de uma forma diferente, todas buscam compreendê-lo de maneira global e todas contribuem na obtenção de uma visão mais precisa e detalhada da condição e das características humanas. Da mesma forma que muitas são as abordagens psicológicas, são muitas também as técnicas para aplicar clinicamente os conhecimentos psicológicos. A aplicação clínica das técnicas psicológicas com objetivo de tratamento é chamada Psicoterapia. A Psicoterapia objetiva auxiliar o indivíduo a lidar com suas emoções e com seus conflitos psicológicos da mesma forma que um oftalmologista auxilia aqueles que estão sofrendo um problema de visão ou um dentista auxilia aquele que tem uma dor de dente. Parece lógico alguém que não está enxergando bem procurar um oftalmologista ou alguém que quebrou um dente procurar um dentista, mas por que ainda é tão complicado para aqueles que sofrem com seus problemas psicológicos, procurar um psicólogo? Existem muitas respostas possíveis para esta pergunta como o antigo preconceito de que a Psicologia só trata de loucos, a idéia de ser um tratamento caro ou então muito demorado, etc. Assim, a pessoa até pensa em buscar ajuda, mas por vergonha ou desinformação, acaba desistindo.

A Psicoterapia, ao contrário do que muitos pensam, é um tratamento com começo, meio e fim onde o psicólogo aplica seus conhecimentos para diagnosticar o problema, entender e criar estratégias, juntamente com o indivíduo que o procurou, para solucioná-lo. Assim como o médico vai diagnosticar e tratar aquele problema físico, o psicólogo vai tratar suas dores emocionais. Mas que dores são essas? As angústias, medos, ansiedades, os problemas de relacionamento, as depressões e tantas outras dificuldades e inquietações que dificultam ou, até mesmo, impedem o desenvolvimento saudável da vida da pessoa que sofre por não saber lidar com elas. A psicoterapia é o caminho de enfrentamento dessas questões que incomodam. É um cuidado que se tem com sua saúde emocional. Ter saúde não significa apenas não ter alguma doença instalada no corpo ou na mente, ter saúde significa viver bem, ter qualidade de vida, dispor de bem-estar físico, psíquico e social. Infelizmente nem sempre conseguimos manter esse bem-estar e uma boa qualidade de vida. São muitas as razões que temos hoje em dia para que algum desequilíbrio aconteça. Temos tantos compromissos a cumprir, papéis a desempenhar, contas a pagar, problemas para solucionar… Estamos diariamente expostos a fatores estressantes que estão por toda parte: trânsito, violência urbana, poluição sonora, visual, ambiental, falta de um período reservado ao descanso, desentendimentos com amigos ou familiares, problemas no trabalho, em casa ou mesmo tantos outros motivos particulares e únicos que podem nos levar a alguma alteração de ordem física ou psicológica das quais sentimos não poder dar conta sozinhos. É comum sentir-se exausto depois de um dia cheio de atividades e de correria, tristes após uma briga com o namorado, um parente ou algum amigo querido. Às vezes acordamos com preguiça, mal-humorados ou então ficamos desencorajados de sair de casa para trabalhar em um dia frio e chuvoso. Tudo isso faz parte do nosso cotidiano, principalmente nas grandes cidades. Porém, esses problemas vêm e vão, são acontecimentos comuns do ambiente em que vivemos e cada indivíduo a seu modo, cria estratégias para lidar com eles.

Buscamos fontes de alegria e prazer de diversas formas como no happy hour com os colegas após o trabalho, em casa vendo um bom filme, passando alguns momentos com a família. Realizamos coisas que nos fazem bem, nos trazem descanso ou satisfação e assim vamos vivendo, trabalhando, correndo atrás de nossos objetivos, sonhos, deveres e construindo nossa história. Lidamos com nossos problemas, enfrentamos as dificuldades que vão surgindo e aproveitamos os bons momentos que vivemos, mas o que fazer quando as coisas não ocorrem assim? Existem muitas pessoas que se sentem mal freqüentemente, não conseguem levar bem suas vidas, mas preferem mascarar seu sofrimento e esperar que ele passe por si só. Pensam que nada podem fazer a respeito, mesmo sentindo-se infelizes e inadequadas, querem falar e não sentem que são realmente ouvidas ou compreendidas pelas pessoas de seu convívio. Alguns se calam, preferem se isolar. Há aqueles que agridem e descontam seus problemas nas pessoas que estão ao seu redor. Outros se medicam por conta própria. Existe também quem passa a se entorpecer com drogas e os que podem se engajar em comportamentos viciados e destrutivos como, por exemplo, a utilização exagerada e inapropriada de jogos, da atividade sexual ou de comportamentos de auto-risco para si e para os outros. Tudo isso pode ser muito eficaz para iludir a si mesmo e arrastar seus sofrimentos por mais tempo, mas nunca irão de fato resolver nada de concreto, pelo contrário, vão contribuir para a piora do quadro de angústia, culpa, sensação de vazio, além de outros problemas mais sérios que podem surgir. Quando o mal-estar parece tomar conta da vida, quando a irritação e a ansiedade extrapolam os limites da boa convivência com as pessoas ou quando a tristeza aparece sem motivo aparente e se instala por dias, semanas ou mesmo meses e não parece ter ânimo de ir embora. Quando algo não vai bem, incomoda, machuca, persiste e não encontramos recursos suficientes em nós mesmos para compreender e enfrentar a situação que está afetando ou impedindo o andamento saudável de nossa vida, podemos buscar um auxílio psicológico. A Psicologia vai buscar um ponto de equilíbrio entre suas emoções, suas razões e seus comportamentos para favorecer atitudes que gerem segurança e bem-estar. O psicólogo vai escutá-lo e ajudá-lo a identificar suas dificuldades e necessidades, a refletir a respeito delas e de suas causas criando meios para tratar estes conflitos, gerando, assim modificações positivas em sua vida. Alguns benefícios que um bom processo psicoterapêutico poderá trazer: – De início, pode-se dizer que o simples compartilhar desses conflitos já ajuda a aliviar a pressão causadora de sofrimento. -Em seguida, durante o processo psicoterapêutico, você passará a compreender progressivamente seus conteúdos internos e suas atitudes. Assim, poderá ver as coisas por outros ângulos e enxergar o que antes era desconhecido para você mesmo. -Será mais fácil, por exemplo, perceber de que forma e em que intensidade você se deixa atingir pelo seu ambiente, pelas pessoas ou por sua história de vida. -Proporcionará analisar com maior clareza de que maneira você está levando sua vida, como lida com seus limites, sentimentos, frustrações. -Aumentará sua percepção a respeito de suas qualidades positivas e negativas de forma a poder utilizá-las mais a seu favor. -Auxiliará na modificação de comportamentos e hábitos prejudiciais. -Favorecerá a liberação de sentimentos indesejáveis, ilusões, racionalizações e equívocos sobre si mesmo e sobre os outros. -Resgatará a auto-estima. -Permitirá a tomada de decisões mais conscientes para sua vida porque ampliará a visualização de outras possibilidades. -Promoverá a que quebra do círculo vicioso de comportamentos padrão, sentimentos, pensamentos e atitudes que você insiste em repetir e nem se dá conta. -Ajudará a lidar com as insatisfações e frustrações. -Cuidará de problemas específicos que lhe estão incomodando, entre outros. A Psicoterapia pode, realmente, lhe trazer muitos destes benefícios, mas é importante que se saiba que isso leva tempo e demanda esforço e disciplina do paciente. É um processo muitas vezes doloroso, mas que traz como recompensa o amadurecimento, crescimento e desenvolvimento pessoal. A procura pelo auxílio de um psicólogo pode se dar pelos mais diversos motivos que vão desde problemas emergenciais muito bem focalizados, orientações e esclarecimentos, dificuldades existenciais ou mesmo pela busca de autoconhecimento. Entre tais motivos podemos destacar: – Perdas (de um ente querido, emprego, separação conjugal, etc). – Problemas de relacionamento interpessoal com a família, amigos, colegas de trabalho, cônjuge… – Timidez – Depressão – Stress – Insegurança – Dificuldades Afetivas – Incapacidade para lidar com mudanças – Fobias – Pânico – Alterações freqüentes de humor – Transtorno de ansiedade – Transtorno obsessivo-compulsivo – Transtornos alimentares – Problemas sexuais – Doenças psicossomáticas – Problemas de aprendizagem – Orientação vocacional – Crises de transição das fases da vida como adolescência, maturidade, envelhecimento, etc.

Quanto mais cedo se procura ajuda, mais cedo se diagnostica e se trata o problema. Para que o processo psicoterapêutico se dê de forma satisfatória é preciso saber que o psicólogo não tem sozinho as respostas que você procura e, portanto, não lha dará soluções mágicas. O sucesso da terapia ocorrerá como resultado do trabalho e do comprometimento do terapeuta e do paciente. A atitude firme do paciente em querer melhorar é fundamental para o sucesso da terapia da mesma forma que é importante a competência profissional do terapeuta. Quanto à duração do processo psicoterapêutico deve-se dizer que não há um tempo certo para finalizar um tratamento. Cada caso tem suas características próprias, assim como cada pessoa tem um ritmo único e pessoal para lidar com sua subjetividade. Algumas vezes o paciente chega com uma queixa bem delimitada que em poucas sessões é resolvida e em outros casos os problemas trazidos são mais complexos demandando assim um tempo maior. Cada um tem seu tempo. Ao procurar um profissional é preciso se certificar de que se trata de alguém preparado e que, portanto, tem condições de ajudá-lo de fato. Observe se é formado e se tem registro no Conselho de Psicologia. O paciente deve saber que tudo o que é tratado em psicoterapia mantém-se em sigilo absoluto. Esse é um direito do paciente assegurado pelo Código de Ética Profissional de Psicologia. Além disso, também é importante que você sinta empatia e confiança no seu psicólogo e que se sinta bem e acolhido na clínica em que procurou para fazer terapia. Não tenha receio de visitar alguns profissionais antes de se decidir por aquele que você mais gostou. Geralmente a primeira entrevista não é cobrada e é uma boa oportunidade para você tirar suas dúvidas e conhecer o trabalho realizado pelo terapeuta.

Procurar ajuda psicológica é um sinal de coragem e maturidade.

É a oportunidade que você se dá para olhar de frente seus problemas e as dificuldades causadoras de infelicidade e sofrimento para aprender a melhor maneira de lidar com elas, se fortalecer, desenvolver seus potenciais, se autoconhecer. É um investimento na sua qualidade de vida e no seu crescimento pessoal. Fazer psicoterapia é reservar um espaço e um tempo na sua vida para cuidar de você.

29/06/2010 Posted by | Psicologia, Textos | 4 Comentários

Falando pouco ou não falando nada (…)

“… E se um demônio ou anjo se arrastasse sorrateiramente atrás de você na mais solitária de suas solidões, e dissesse: ‘Esta vida que está vivendo terá que ser vivida por você novamente, durante vezes sem conta, e cada dor ou alegria, cada pensamento ou suspiro irão ser repetidos por você, todos pela mesma seqüência. A ampulheta eterna será virada uma e outra vez, e você com ela, pó do pó…’ – Você, se deitaria por terra rangendo os dentes e amaldiçoaria esse demônio? Ou responderia… – Nunca tinha ouvido nada tão Divino!”

Frederick Nietzsche

14/01/2010 Posted by | Liderança, Psicologia, Teologia, Textos | Deixe um comentário

Síndrome de Estocolmo

 
 
A Síndrome de Estocolmo (Stockholmssyndromet em sueco) é um estado psicológico particular desenvolvido por pessoas que são vítimas de seqüestro. A síndrome se desenvolve a partir de tentativas da vítima de se identificar com seu captor ou de conquistar a simpatia do seqüestrador.
  
A síndrome recebe seu nome em referência ao famoso assalto de Norrmalmstorg do Kreditbanken em Norrmalmstorg, Estocolmo que durou de 23 de agosto a 28 de agosto de 1973. Nesse acontecimento, as vítimas continuavam a defender seus captores mesmo depois dos seis dias de prisão física terem terminado e mostraram um comportamento reticente nos processos judiciais que se seguiram. O termo foi cunhado pelo criminólogo e psicólogo Nils Bejerot, que ajudou a polícia durante o assalto, e se referiu à síndrome durante uma reportagem. Ele foi então adotado por muitos psicólogos no mundo todo.
 
A síndrome é relacionada a captura da noiva e tópicos semelhantes na antropologia cultural.
 
As vítimas começam por identificar-se emocionalmente com os sequestradores, a princípio como mecanismo de defesa, por medo de retaliação e/ou violência. Pequenos gestos gentis por parte dos captores são frequentemente amplificados porque, do ponto de vista do refém é muito difícil, senão impossível, ter uma visão clara da realidade nessas circunstâncias e conseguir mensurar o perigo real. As tentativas de libertação, são, por esse motivo, vistas como uma ameaça, porque o refém pode correr o risco de ser magoado. É importante notar que os sintomas são consequência de um stress físico e emocional extremo. O complexo e dúbio comportamento de afetividade e ódio simultâneo junto aos captores é considerado uma estratégia de sobrevivência por parte das vítimas.
 
É importante observar que o processo da síndrome ocorre sem que a vítima tenha consciência disso. A mente fabrica uma estratégia ilusória para proteger a psique da vítima. A identificação afetiva e emocional com o sequestrador acontece para proporcionar afastamento emocional da realidade perigosa e violenta a qual a pessoa está sendo submetida. Entretanto, a vítima não se torna totalmente alheia à sua própria situação, parte de sua mente conserva-se alerta ao perigo e é isso que faz com que a maioria das vítimas tente escapar do sequestrador em algum momento, mesmo em casos de cativeiro prolongado.
 
Não são todas as vítimas que desenvolvem traumas após o término da situação.
 
O caso mais famoso e mais característico do quadro da doença é o de Patty Hearst, que desenvolveu a doença em 1974, após ser seqüestrada durante um assalto a banco realizado pela organização militar politicamente engajada (o Exército de Libertação Simbionesa). Depois de libertada do cativeiro, Patty juntou-se aos seus captores, indo viver com eles e sendo cúmplice em assalto a bancos.
 
A síndrome pode se desenvolver em vítimas de sequestro, em cenários de guerra, sobreviventes de campos de concentração, pessoas que são submetidas a prisão domiciliar por familiares e também em vítimas de abusos pessoais, como mulheres e crianças submetidas a violência doméstica e familiar. É comum também no caso de violência doméstica e familiar em que a mulher é agredida pelo marido e continua a amá-lo e defendê-lo como se as agressões fossem normais.
 
As bandas Yo La Tengo, Muse, Milburn e Blink-182 fizeram músicas inspiradas nessa síndrome, chamadas Stockholm Syndrome.
 
Caso brasileiro notório
Outro caso foi o do sequestro da filha de Sílvio Santos, Patrícia Abravanel, que, ao dar entrevistas, lembrava com afeto dos seus sequestradores.
 
Literatura
A síndrome de Estocolmo pode muito bem ser identificada na literatura infantil, no clássico conto francês, escrito por Marie le Prince de Beaumont, “A Bela e a Fera” que conta a história de uma garota bonita e inteligente que é vitima de cárcere privado por uma Fera, e por fim desenvolve um relacionamento afetivo e se casa com a fera.
 
Arlequina, vilã do super-herói Batman e parceira do Coringa, era psiquiatra antes de se tornar vilã. Ela foi fazer uma consulta ao Coringa no Asilo Arkham e acabou se apaixonando pelo vilão. Depois da consulta, ela o ajudou a escapar do asilo e a partir daí começou sua carreira de crimes ao seu lado.
 
Cinema
Há correlação da síndrome com dois dos personagens centrais de Jogos Mortais, uma proeminente série de filmes já consolidada na cultura pop importada dos Estados Unidos. A jovem ex-drogada Amanda (Shawnee Smith), após ter conseguido concluir as provas do assassino Jigsaw (John Kramer), conquistou a admiração dele por lutar por sua vida e passou a trabalhar para ele, dando continuidade à sua série de matanças.

08/12/2009 Posted by | Psicologia | Deixe um comentário

XÔ ESTRESSE

 

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Matar vários leões por dia compromete a saúde de qualquer indivíduo dos tempos modernos, mas é possível amansar feras, controlar a tensão e viver melhor.

Imagine as seguintes situações: um caçador faminto espreitando a caça, um homem pré-histórico fugindo de uma fera, um executivo atrasado preso no trânsito, um jovem vestibulando à espera do resultado da prova. O que esses indivíduos têm em comum? Todos estão passando por um fenômeno biológico, de estímulo externo, e que atinge os sistemas nervoso e endócrino, liberando uma carga extra de hormônios na corrente sangüínea e colocando o indivíduo em um estado alterado. Simplificando, todos estão passando por uma situação de estresse. No entanto, diferentemente do que se convencionou pensar – muito pela abordagem monotemática da mídia –, esse estado não é exatamente um fenômeno exclusivo da vida moderna. “Historicamente, a gente pode associar o seu surgimento ao aparecimento do próprio ser humano”, explica o psicólogo Esdras Guerreiro Vasconcelos, especialista no assunto. “O organismo se desenvolveu para reagir, fugindo ou atacando. Se o motivo fosse a fome, o homem atacava; se ele estivesse sendo ameaçado, ele tinha de fugir daquela situação.” Vasconcelos, que é diretor científico do Instituto Paulista de Stress [a palavra aqui aparece com a grafia em inglês], Psicossomática e Psiconeuroendocrinoimunologia (IPSPP), explica que o fenômeno é primordialmente biológico. “Depois se torna psicológico, na medida em que se desenvolve um núcleo do cérebro, chamado córtex cerebral, que permite ao indivíduo ter estresse – e reagir a ele – psicologicamente.” Ainda segundo sua análise, a própria mudança de estilo de vida causada pela evolução social do homem fez com que o estresse deixasse de ser o da sobrevivência e passasse a ser causado pelas atribulações e pressões típicas de uma vida civilizada, “o que se chama de estresse da vida moderna”, diz. E foi aí que a coisa se complicou: “O problema não é o estresse em si”, continua o especialista.“Mas sim o nível dele e o significado que tem para a nossa vida hoje.” O psicólogo revela ainda que essa “dança” de hormônios e neurotransmissores que caracterizam o estado de estresse é necessária para que tenhamos a mobilização para realizar atividades, resolver problemas, enfim, reagir ao mundo que nos cerca. A dificuldade surge quando o elemento externo causador do estresse se torna maior do que nossa capacidade de lidar com ele. Ou quando a freqüência desses “estímulos” é tamanha que o organismo e a mente não têm mais chances de “descansar” entre uma situação estressante e outra. É um dia que começa com a notícia de uma crise financeira no jornal, logo no café-da-manhã, segue para um congestionamento monstro na ida para o trabalho, continua com toda a pressão que a atividade profissional representa para a maioria, e ainda vai longe, até o último noticiário noturno, quando ficamos sabendo de um crime hediondo ocorrido na data. “O que acontece hoje, e que está adoecendo muito as pessoas, é o estresse crônico, no qual elas se sentem impotentes diante da situação, e não conseguem lidar com ela de uma forma adaptável”, explica a psicóloga e psicoterapeuta corporal Maria de Melo, autora do livro A Coragem de Crescer (Record, 2005), que trata do assunto. “Ou seja, na nossa cultura, você vive constantemente diante de situações muito mais complicadas do que aquilo que a sua estrutura pessoal e social (de consciência, maturidade etc.) consegue resolver. Então, como a coisa volta a toda hora, o indivíduo não chega a desarmar a situação de ‘ataque’. É como se o leão nunca fosse embora.”

Cultura do Excesso

A equação do estresse é talvez mais complexa do que muitos daqueles “problemões” de matemática de arrepiar os cabelos. Isso porque muitas vezes as situações altamente estressantes nos são impostas. Mas, por outro lado, nós mesmos também vamos atrás delas. “Tem gente que se viciou em estresse, por assim dizer”, afirma Esdras Vasconcelos. “Hoje em dia é chique você dizer que não tem tempo para nada e que vive estressado. Isso pertence ao ‘kit de importância’ da pessoa. Isso dá status social. Se um sujeito é um executivo de altíssima posição, tem dois ou três celulares, duas ou três secretárias, uma Mont Blanc [sofisticada, e cara, marca de canetas], um Rolex no pulso, dirige uma BMW e não é estressado, tem alguma coisa errada com ele”, brinca Esdras Vasconcelos, para dizer que o mundo moderno cobra caro pelo êxito pessoal e financeiro. “Dependendo da saúde da pessoa – aí entra a história de vida, o equilíbrio entre descanso e atividade, a carga biológica, e mesmo a estrutura de personalidade – primeiramente ela vai desenvolver sintomas sociais para depois ficar fisicamente doente. Mas, claro, vai ser uma pessoa de sucesso.” E não é apenas o aspecto profissional dos indivíduos que pode ser “contaminado” pelo vírus do estresse. Nosso tempo livre também corre risco se não cuidarmos bem dele. “Ninguém precisa ter 128 canais à disposição, receber milhares de e-mails, isso é uma poluição altamente prejudicial porque mobiliza, dentro do organismo, uma certa quantidade de hormônios de estresse”, alerta Vasconcelos. “Quando você lê uma notícia, aquilo não é um ato intelectual abstrato, é algo que implica corpo e mente. Resulta numa mobilização de hormônios específicos para o cérebro para que você possa entender aquilo que você está lendo. É que a gente não pensa nisso na hora que vai esmiuçar as notícias ruins da mídia.” O quadro ainda se agrava quando somamos uma característica do ser humano à qual muitos sucumbem: a curiosidade mórbida – a atração por fatos e notícias negativas. A psicoterapeuta Maria de Melo explica: “A desgraça do outro dá uma sensação de energia. É como um movimento. O indivíduo está ali parado, quando ele vê a desgraça, aquilo o alimenta, por isso eu falo em vampirismo. Não é diferente de, por exemplo, você procurar um excesso de diversão ou você ser ‘viciado’ em brigar. Tudo isso dá a sensação de que você está vivo, tem um mínimo de movimento num campo onde está tudo parado.”

Nova Atitude

No entanto, é possível buscar – e achar – vida e bem-estar movido por um sentimento bem mais positivo do que a curiosidade mórbida. O segredo está na mudança de atitudes e de hábitos. “Tem gente que não se estressa no trânsito, por exemplo”, comenta Vasconcelos. “Pense, por exemplo, num congestionamento. Na verdade, temos aí pelo menos dois fatores de estresse: o atraso e a sensação de imobilidade. Só que você pode encontrar uma pessoa que vá sair do carro para ver o que está acontecendo, vá buzinar, tentar passar na frente, enquanto outra pode aproveitar para pôr a leitura em dia, ouvir uma música e dizer ‘não posso fazer nada, isso é São Paulo’.” Maria de Melo propõe um equilíbrio na relação com os fatos e problemas do mundo. Segundo ela, é essencial saber que os indivíduos fazem parte deles, mas não devem se deixar consumir. “Acompanhar a queda da bolsa e a alta do dólar achando que vai morrer por causa disso é loucura, mas é preciso saber que não existe nada que aconteça em nenhum lugar do mundo que não reflita em cada um de nós. A consciência da interconexão num determinado ponto é importante”, diz. Por outro lado, a psicoterapeuta garante que cada um de nós pode tornar-se um instrumento de mudança. Ou seja, fazer a sua parte para um mundo melhor também desestressa. “Hoje em dia está se impondo uma mudança da estrutura humana, e que deve começar em cada pessoa”, analisa. “Um novo caminho que vai nos levar a perceber o valor da colaboração, saber que não adianta apertar demais o outro, que estamos todos no mesmo barco. Se você está na primeira classe e eu estou na terceira, nesse momento, essa diferença não importa mais, porque o barco está para afundar. Vejo isso como solução planetária para o estresse.” Além da mudança de atitudes de longo prazo, algumas ações imediatas podem nos ajudar a relaxar depois de um dia estressante. “Se você quiser uma recomendação prática, posso começar dizendo para pegar o relógio que você tem na cabeceira da cama e virá-lo para a parede”, indica Esdras Vasconcelos. “Porque, assim, se você acordar de noite, você não vai fazer as contas de quantas horas você já dormiu e quantas horas você ainda tem pela frente. Isso estressa.” Entre as sugestões do psicólogo encontram-se também procurar evitar notícias chocantes antes de dormir, praticar atividades físicas (veja boxe No stress), dormir bem, garantir que o tempo livre seja ocupado com atividades prazerosas e com descanso e, claro, evitar o trânsito em horas de grande congestionamento – a edição de dezembro de 2007 da Revista E contém algumas dicas sobre esse assunto, acesse o conteúdo no site do Sesc (www.sescsp.org.br).

21/09/2009 Posted by | Liderança, Psicologia | Deixe um comentário

Porque procurar um Psicólogo?

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Porque procurar um Psicólogo?

Psicologia significa o estudo da alma. É a ciência que se dedica a estudar o indivíduo em sua essência: sua mente, razão, instintos, desejos, emoções, comportamentos e seus conflitos nas relações com os outros e consigo mesmo.

Existem muitas formas de entender e conceituar os conteúdos psicológicos e, dependendo do enfoque dessa análise, surgem as diferentes teorias que vão compreender e explicar a natureza humana, as chamadas abordagens ou linhas teóricas da Psicologia como a Psicanálise, a Psicologia Existencial-Humanista, o Psicodrama, a Psicologia Comportamental, entre outras. Embora cada uma delas estude o homem de uma forma diferente, todas buscam compreendê-lo de maneira global e todas contribuem na obtenção de uma visão mais precisa e detalhada da condição e das características humanas. Da mesma forma que muitas são as abordagens psicológicas, são muitas também as técnicas para aplicar clinicamente os conhecimentos psicológicos. A aplicação clínica das técnicas psicológicas com objetivo de tratamento é chamada Psicoterapia. A Psicoterapia objetiva auxiliar o indivíduo a lidar com suas emoções e com seus conflitos psicológicos da mesma forma que um oftalmologista auxilia aqueles que estão sofrendo um problema de visão ou um dentista auxilia aquele que tem uma dor de dente. Parece lógico alguém que não está enxergando bem procurar um oftalmologista ou alguém que quebrou um dente procurar um dentista, mas por que ainda é tão complicado para aqueles que sofrem com seus problemas psicológicos, procurar um psicólogo? Existem muitas respostas possíveis para esta pergunta como o antigo preconceito de que a Psicologia só trata de loucos, a idéia de ser um tratamento caro ou então muito demorado, etc. Assim, a pessoa até pensa em buscar ajuda, mas por vergonha ou desinformação, acaba desistindo.

A Psicoterapia, ao contrário do que muitos pensam, é um tratamento com começo, meio e fim onde o psicólogo aplica seus conhecimentos para diagnosticar o problema, entender e criar estratégias, juntamente com o indivíduo que o procurou, para solucioná-lo. Assim como o médico vai diagnosticar e tratar aquele problema físico, o psicólogo vai tratar suas dores emocionais. Mas que dores são essas? As angústias, medos, ansiedades, os problemas de relacionamento, as depressões e tantas outras dificuldades e inquietações que dificultam ou, até mesmo, impedem o desenvolvimento saudável da vida da pessoa que sofre por não saber lidar com elas. A psicoterapia é o caminho de enfrentamento dessas questões que incomodam. É um cuidado que se tem com sua saúde emocional. Ter saúde não significa apenas não ter alguma doença instalada no corpo ou na mente, ter saúde significa viver bem, ter qualidade de vida, dispor de bem-estar físico, psíquico e social. Infelizmente nem sempre conseguimos manter esse bem-estar e uma boa qualidade de vida. São muitas as razões que temos hoje em dia para que algum desequilíbrio aconteça. Temos tantos compromissos a cumprir, papéis a desempenhar, contas a pagar, problemas para solucionar… Estamos diariamente expostos a fatores estressantes que estão por toda parte: trânsito, violência urbana, poluição sonora, visual, ambiental, falta de um período reservado ao descanso, desentendimentos com amigos ou familiares, problemas no trabalho, em casa ou mesmo tantos outros motivos particulares e únicos que podem nos levar a alguma alteração de ordem física ou psicológica das quais sentimos não poder dar conta sozinhos. É comum sentir-se exausto depois de um dia cheio de atividades e de correria, tristes após uma briga com o namorado, um parente ou algum amigo querido. Às vezes acordamos com preguiça, mal-humorados ou então ficamos desencorajados de sair de casa para trabalhar em um dia frio e chuvoso. Tudo isso faz parte do nosso cotidiano, principalmente nas grandes cidades. Porém, esses problemas vêm e vão, são acontecimentos comuns do ambiente em que vivemos e cada indivíduo a seu modo, cria estratégias para lidar com eles.

Buscamos fontes de alegria e prazer de diversas formas como no happy hour com os colegas após o trabalho, em casa vendo um bom filme, passando alguns momentos com a família. Realizamos coisas que nos fazem bem, nos trazem descanso ou satisfação e assim vamos vivendo, trabalhando, correndo atrás de nossos objetivos, sonhos, deveres e construindo nossa história. Lidamos com nossos problemas, enfrentamos as dificuldades que vão surgindo e aproveitamos os bons momentos que vivemos, mas o que fazer quando as coisas não ocorrem assim? Existem muitas pessoas que se sentem mal freqüentemente, não conseguem levar bem suas vidas, mas preferem mascarar seu sofrimento e esperar que ele passe por si só. Pensam que nada podem fazer a respeito, mesmo sentindo-se infelizes e inadequadas, querem falar e não sentem que são realmente ouvidas ou compreendidas pelas pessoas de seu convívio. Alguns se calam, preferem se isolar. Há aqueles que agridem e descontam seus problemas nas pessoas que estão ao seu redor. Outros se medicam por conta própria. Existe também quem passa a se entorpecer com drogas e os que podem se engajar em comportamentos viciados e destrutivos como, por exemplo, a utilização exagerada e inapropriada de jogos, da atividade sexual ou de comportamentos de auto-risco para si e para os outros. Tudo isso pode ser muito eficaz para iludir a si mesmo e arrastar seus sofrimentos por mais tempo, mas nunca irão de fato resolver nada de concreto, pelo contrário, vão contribuir para a piora do quadro de angústia, culpa, sensação de vazio, além de outros problemas mais sérios que podem surgir. Quando o mal-estar parece tomar conta da vida, quando a irritação e a ansiedade extrapolam os limites da boa convivência com as pessoas ou quando a tristeza aparece sem motivo aparente e se instala por dias, semanas ou mesmo meses e não parece ter ânimo de ir embora. Quando algo não vai bem, incomoda, machuca, persiste e não encontramos recursos suficientes em nós mesmos para compreender e enfrentar a situação que está afetando ou impedindo o andamento saudável de nossa vida, podemos buscar um auxílio psicológico. A Psicologia vai buscar um ponto de equilíbrio entre suas emoções, suas razões e seus comportamentos para favorecer atitudes que gerem segurança e bem-estar. O psicólogo vai escutá-lo e ajudá-lo a identificar suas dificuldades e necessidades, a refletir a respeito delas e de suas causas criando meios para tratar estes conflitos, gerando, assim modificações positivas em sua vida. Alguns benefícios que um bom processo psicoterapêutico poderá trazer: – De início, pode-se dizer que o simples compartilhar desses conflitos já ajuda a aliviar a pressão causadora de sofrimento. -Em seguida, durante o processo psicoterapêutico, você passará a compreender progressivamente seus conteúdos internos e suas atitudes. Assim, poderá ver as coisas por outros ângulos e enxergar o que antes era desconhecido para você mesmo. -Será mais fácil, por exemplo, perceber de que forma e em que intensidade você se deixa atingir pelo seu ambiente, pelas pessoas ou por sua história de vida. -Proporcionará analisar com maior clareza de que maneira você está levando sua vida, como lida com seus limites, sentimentos, frustrações. -Aumentará sua percepção a respeito de suas qualidades positivas e negativas de forma a poder utilizá-las mais a seu favor. -Auxiliará na modificação de comportamentos e hábitos prejudiciais. -Favorecerá a liberação de sentimentos indesejáveis, ilusões, racionalizações e equívocos sobre si mesmo e sobre os outros. -Resgatará a auto-estima. -Permitirá a tomada de decisões mais conscientes para sua vida porque ampliará a visualização de outras possibilidades. -Promoverá a que quebra do círculo vicioso de comportamentos padrão, sentimentos, pensamentos e atitudes que você insiste em repetir e nem se dá conta. -Ajudará a lidar com as insatisfações e frustrações. -Cuidará de problemas específicos que lhe estão incomodando, entre outros. A Psicoterapia pode, realmente, lhe trazer muitos destes benefícios, mas é importante que se saiba que isso leva tempo e demanda esforço e disciplina do paciente. É um processo muitas vezes doloroso, mas que traz como recompensa o amadurecimento, crescimento e desenvolvimento pessoal. A procura pelo auxílio de um psicólogo pode se dar pelos mais diversos motivos que vão desde problemas emergenciais muito bem focalizados, orientações e esclarecimentos, dificuldades existenciais ou mesmo pela busca de autoconhecimento. Entre tais motivos podemos destacar: – Perdas (de um ente querido, emprego, separação conjugal, etc). – Problemas de relacionamento interpessoal com a família, amigos, colegas de trabalho, cônjuge… – Timidez – Depressão – Stress – Insegurança – Dificuldades Afetivas – Incapacidade para lidar com mudanças – Fobias – Pânico – Alterações freqüentes de humor – Transtorno de ansiedade – Transtorno obsessivo-compulsivo – Transtornos alimentares – Problemas sexuais – Doenças psicossomáticas – Problemas de aprendizagem – Orientação vocacional – Crises de transição das fases da vida como adolescência, maturidade, envelhecimento, etc.

Quanto mais cedo se procura ajuda, mais cedo se diagnostica e se trata o problema. Para que o processo psicoterapêutico se dê de forma satisfatória é preciso saber que o psicólogo não tem sozinho as respostas que você procura e, portanto, não lha dará soluções mágicas. O sucesso da terapia ocorrerá como resultado do trabalho e do comprometimento do terapeuta e do paciente. A atitude firme do paciente em querer melhorar é fundamental para o sucesso da terapia da mesma forma que é importante a competência profissional do terapeuta. Quanto à duração do processo psicoterapêutico deve-se dizer que não há um tempo certo para finalizar um tratamento. Cada caso tem suas características próprias, assim como cada pessoa tem um ritmo único e pessoal para lidar com sua subjetividade. Algumas vezes o paciente chega com uma queixa bem delimitada que em poucas sessões é resolvida e em outros casos os problemas trazidos são mais complexos demandando assim um tempo maior. Cada um tem seu tempo. Ao procurar um profissional é preciso se certificar de que se trata de alguém preparado e que, portanto, tem condições de ajudá-lo de fato. Observe se é formado e se tem registro no Conselho de Psicologia. O paciente deve saber que tudo o que é tratado em psicoterapia mantém-se em sigilo absoluto. Esse é um direito do paciente assegurado pelo Código de Ética Profissional de Psicologia. Além disso, também é importante que você sinta empatia e confiança no seu psicólogo e que se sinta bem e acolhido na clínica em que procurou para fazer terapia. Não tenha receio de visitar alguns profissionais antes de se decidir por aquele que você mais gostou. Geralmente a primeira entrevista não é cobrada e é uma boa oportunidade para você tirar suas dúvidas e conhecer o trabalho realizado pelo terapeuta.

Procurar ajuda psicológica é um sinal de coragem e maturidade.

É a oportunidade que você se dá para olhar de frente seus problemas e as dificuldades causadoras de infelicidade e sofrimento para aprender a melhor maneira de lidar com elas, se fortalecer, desenvolver seus potenciais, se autoconhecer. É um investimento na sua qualidade de vida e no seu crescimento pessoal. Fazer psicoterapia é reservar um espaço e um tempo na sua vida para cuidar de você.

12/05/2009 Posted by | Psicologia | 5 Comentários