Shalon’s

…em construção…SEMPRE!

BOAS NOTÍCIAS (…)

Manjedoura e Palácio

 

Todo ser humano busca ser feliz, deseja prazer e realização com a vida. A grande realização da vida humana é ser gente na sua forma mais plena e completa. A infelicidade, de um lado, consiste na constatação de que falta algo essencial e básico para se viver. De outro lado, pelo discernimento inteligente de que existem excessos superficiais e ilusórios.

A infelicidade humana se manifesta na medida em que suprimimos o que lhe é próprio ou acrescentamos o que lhe é desnecessário. A realização humana consiste em viver para cumprir a vocação plena de ser gente. O ser humano é feliz quando cumpre o propósito para o qual foi criado.

Qual a nova de grande alegria?

Havia entre os judeus uma esperança, e mesmo que, percebida parcialmente, era uma esperança. Aguardavam um rei, politicamente identificado com o trono de Davi. Sonhavam com uma estabilidade política e econômica com a chegada do Messias. Esperavam que ele viesse para destruir a hegemonia e dominação dos romanos sobre o povo hebreu. Tinham expectativas baseadas nas relações de dominação e dependência. A diferença era apenas de inversão dos papéis de dominação. Mas, o paradigma era o mesmo. Não era, portanto dessas expectativas, desses acréscimos que os anjos estavam falando. Dominação não gera a grande alegria anunciada pelos anjos. Então, qual a nova de grande alegria?

Deus estava se manifestando na história como nunca. De várias maneiras havia tomado a iniciativa de se comunicar com os seres humanos. “Havendo Deus outrora falado de várias maneiras aos pais pelos profetas, nos últimos tempos nos falou pelo seu Filho a quem constituiu herdeiro de todas as coisas”. (Hebreus 1.1-4). Todas as outras comunicações foram parciais e limitadas. Entre os hebreus a manifestação de Deus acontece nas ambigüidades militares, na infiltração de um paganismo primitivo que confunde Deus com as divindades carentes de holocaustos, dependente de trocas de favores, uma religiosidade sem misericórdia com os portadores de deficiência física, com as mulheres, com o estrangeiro.

Na Manjedoura de Belém há uma presença suficiente – uma criança envolta em panos, nascida numa família de pouco prestígio social, pais sem uma conta bancária que se possa fazer referência relevante. Era somente, e suficientemente, a presença ambulante de Deus. Ele mesmo transitando entre os seres humanos, vivendo a possibilidade plena de nossa humanidade. Uma evidência real da imagem e semelhança de Deus expressava-se na pessoa de Jesus Cristo. Paulo afirma: “Ele é a expressão exata de seu SER” (grifo nosso – Paulo referia-se ao ser de Deus).

Os anjos trouxeram uma grande notícia: “… é que hoje vos nasceu,(…) salvador…(Lucas 2.11)
A humanidade de Deus é a grande boa-nova. A possibilidade da quebra do dualismo grego: divindade versus humanidade. Em Jesus se podia identificar a essência de ser gente – Deus estava nele, ele estava em Deus.

Era um combate a todas as formas de imperialismo: não era mais uma divindade a serviço dos caprichos de dominação militar na cultura de um povo. O Cristo da manjedoura houvera chegado para servir, salvar, sofrer e padecer. Na narrativa joanina era a notícia de que Deus habitou entre nós cheio de graça e de verdade e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai (João 1. 14).

Era a possibilidade de se observar alguém vivendo do jeito mais comum semelhante a maioria das crianças do mundo. Quando falamos que vivia em função da vida e acolhia as crianças desprezadas, incluía no seu ambiente as mulheres à margem da sociedade, estamos apenas enfatizando que este era o seu ambiente mais corriqueiro. Atendia com amor as demandas dos estrangeiros que lhe procuravam por socorro, os pecadores foram acolhidas, as mulheres incluídas no projeto. Um novo Ser – pleno pela sua singularidade, exclusividade, por se permitir ser possuído apenas de si mesmo e nada mais, e assim desfrutar a chance de, em apenas 33 anos e meio, viver a plenitude de sua humanidade. Toda espiritualidade precisa estar marcada pela expressão singular de cada ser em suas particularidades e desenvolvida pelo modelo do Jesus de Nazaré.

A alegria de uma nova comunidade – composta de mulheres, crianças, homens trabalhadores – José ou os pastores, também, alguns curiosos orientais – os magos do Oriente, o idoso Simeão, a anciã e profetiza Ana, que inspirados por vozes fora da rotina, se enchem de esperança, a despeito da dor e sofrimento que hão de vir.

As crianças são prioritárias na espiritualidade dessa nova comunidade. Elas trazem em si a alegria natural da vida. As mulheres possuem uma sensibilidade aguçada e anunciam, antes que qualquer macho, a gestação da vida. Elas percebem no silêncio da alma, que fora do útero, as crianças pobres estão mais próximas do calvário. Mas aprenderam também que a morte vem despertando a semente da ressurreição, geradora de outras sementes em vida.

A espiritualidade de Jesus esta marcada e ilustrada pela alegria e des-res-peito das crianças. De crianças de peito e do peito delas Deus suscita perfeito louvor. Os adultos, burocratizados pelos esquemas da religião não conseguem entender o perfeito louvor das crianças.

As mulheres sensíveis de gestação entendem a comunicação de uma criança ainda no ventre. Os mais pobres entre os pobres são mais sensíveis as precariedades e singeleza da vida. Uma espiritualidade, que procura imitar a espiritualidade de Jesus, passa também por outros caminhos -, mas obrigatoriamente – passa pelo caminho da criança, da mulher e dos pobres em comunidade.
As experiências de Jesus Cristo, e toda a primeira geração dos que viveram e conviveram com Ele sinalizam a possibilidade de outras comunidades invadidas ou batizadas pelo Espírito Santo. As comunidades de Jesus Cristo, em outras gerações, são sociedades alternativas, marcadas pela comunhão do Espírito, fraternidade da justiça, permanente prática do amor, fertilizada pela alegria, e aperfeiçoada pelos instrumentos da paz.

Um novo Reino, utopia e sonho dos novos cidadãos – os considerados não-gente na sociedade dos “de fora”. Eles desfrutam e manifestam uma experiência comunitária possível, baseada nos ensinos de Jesus Cristo. Desfrutam o Reino de Deus inaugurado pelo Jesus de Nazaré e pela sua comunidade de discípulos e discípulas. Reino que tem sido vivido e anunciado pelos seguidores de Jesus Cristo, através dos sinais de confrontação de poderes antagônicos e luta pela justiça paz.

Reino de Deus, que por vezes manifestou-se no cristianismo histórico, outras vezes fora dele, outras vezes contra ele. Nem todos que conhecem sobre o Reino de Deus desfrutam-no, como também, nem todos que desfrutam-no conseguem interpretá-lo; todavia, como neste reino o importante é a prática e obediência, quem vive e pratica o Reino de Deus é mais prudente do que quem conhece e engana a si mesmo. Entre os pobres, principalmente, o reino de Deus, quando vivenciado, é mais desfrute do que explicação racionalista.

A nova espiritualidade com os olhos no Reino de Deus e os pés fincados na terra tem o potencial de redirecionar as esperanças para uma vida digna. O cuidado com toda as dimensões da vida. A longevidade é uma dádiva de Deus. Quando a humanidade interrompe a vida das pessoas por causa do egoísmo, acumulação de bens, injustiça está afrontando o Deus da Vida. As comunidades de Jesus necessitam buscar uma espiritualidade marcada pelo resgate da dignidade humana, incluindo o direito a cidadania, receber um nome – ele será chamado Jesus, direito a uma família, direito aos espaços culturais de seu povo, direito a proteção – habitação digna, vestimentas como forma de proteção, alimentos suficientes para preservação da vida, formas de organização social justa que expressem fraternidade, oportunidade de vida digna para todos. Desfrutamos dessa realização quando somos salvos de nossa desumanidade; e isto só é possível quando resgatamos uma espiritualidade marcada pela vocação de ser gente, que descobre nos espaços coletivos a vida abundante para todos.

1. Uma boa-nova que provoca fascínio e encantamento. “Todos os que ouviram se admiraram das coisas referidas pelos pastores” (v 18). Precisamos acreditar nas coisas que provocam maravilha – “mirar-vale!”.

2. Uma boa-nova que nos tire do imobilismo e discernindo o caminho do projeto de Deus. “Vamos… e vejamos…”. Não basta ser ativista. Não precisamos simplesmente visitar uma criança envolta em panos rotos. Precisamos fazer a coisa certa. Há uma grande diferença em se fazer corretamente, e fazer corretamente a coisa correta.

Não basta ir a manjedoura, precisamos discernir também o momento de nos desviarmos do caminho que leva ao fascínio pelo palácio. Há um conflito sempre estranho entre a manjedoura e o palácio.

Os magos do Oriente mudaram a rota: vieram pelo palácio, conversaram com Herodes, mas mudaram a rota depois do encontro com o Menino na manjedoura. (Mateus 2. 1-12).

3. Uma boa-nova que promova a paz e glorifique a Deus (v 14 e 20). Precisamos resgatar uma espiritualidade e uma devoção capazes de motivar homens e mulheres a glorificarem a Deus pelas coisas fora dos holofotes e dos palcos. Há ainda muita ação de Deus nas galiléias dos gentios, há outras nazarés e muitas belens – todas pequenas demais para figurar entre as muitas expostas na mídia. São sinais perceptíveis pelas discretas Anas, por pobres trabalhadores noturnos. Eventualmente aparecem nas estatísticas, outras vezes em testemunhos isolados, mas são ainda sinais de esperança. É voz de uma criança – começa no ventre da mãe, depois torna-se uma voz no deserto – no deserto, mas era a voz de quem clama e anuncia o Caminho do Senhor.

FELIZ NATAL!

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26/12/2013 Posted by | Igreja, Liderança, Politica Nacional, Psicologia, Teologia, Textos | Deixe um comentário

Carta aberta sobre o posicionamento do Pr. Paschoal Piragine sobre as eleições 2010.

Carta aberta sobre o posicionamento do Pr. Paschoal Piragine sobre as eleições 2010.

O vídeo e o posicionamento do Paschoal Piragine sobre as eleições 2010 têm causado verdadeiro frisson na comunidade evangélica brasileira. Mas não se preocupem pastores, todos nós vez por outra falamos bobagens impensadas, pouco refletidas (assim espero) e isso não seria privilégio do Pr. Paschoal, mas uma constante no ser humano, ser falível, como eu e você que me lê. Qualquer um que se aventure a difícil tarefa de se expressar está sob esse risco. Hesitei em escrever sobre esse pronunciamento por achar uma perda de tempo “responder” a tamanha tolice, com todo o respeito, mesmo tendo ficado mais uma vez decepcionado com os rumos do cristianismo no Brasil. Contudo inspirado em palavras do também Pr. Batista, Dr. Martin Luther King Jr, não consegui ficar calado ao começar a receber, via todas as mídias sociais, apelos para me engajar no chamado “movimento contra a iniqüidade” citado no tal vídeo e no tal pronunciamento.

Nessa “carta aberta”, em alguns momentos vou me referir ao pronunciamento e em alguns momentos ao Pr. Paschoal por ser ele o autor do pronunciamento. Não revisei, não corrigi; fui escrevendo, muitas vezes ponto a ponto…e que Deus nos abençoe! (Meus comentários estão em negrito e itálico)

A primeira pergunta do Pr. Paschoal Piragine é sobre INIQUIDADE: O que é iniquidade? E ele segue;  

“Iniqüidade é quando a gente tá tão acostumado ao pecado que a gente não tem mais vergonha de cometê-lo e ele passa a ser algo tremendamente natural na nossa vida”

A definição correta, ainda que incompleta, acima mencionada, é interessante. Mas nos últimos 30 anos, e tenho 34 anos, se eu fosse fazer um vídeo sobre iniqüidade “institucionalizada” no Brasil, teria que contar com a paciência dos expectadores, pois faria “Ben Hur” parecer um comercial da NBA. Não vi no vídeo nada sobre os órfãos deixados pelos assassinatos brutais durante os anos da ditadura no Brasil, não vi nada sobre censura, garantias dos direitos fundamentais do cidadão independente de sua orientação religiosa, não vi nada sobre desigualdade social, racismo, AIDS; não vi nada sobre corrupção nem mesmo quando ela teve como pivôs nossos irmãos em cristo que passam a semana no Planalto Central. Vale lembrar que nesses últimos 30 anos, é publico, que muitos “vampiros”, “sanguessugas”, e até “mensaleiros” tinham uma grande bíblia preta no sovaco.

Continua então: E a bíblia diz que quando a iniqüidade chega (…), é tempo que Deus tem que julgar sua terra, julgar seu povo, julgar uma nação”.

Realmente, eu tenho medo do que Deus fará, mas não com o Brasil em primeira instancia, mas tenho medo sim de quando Ele julgar aqueles a quem chama de “a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido” Quem são os leprosos do século XXI? Quem são os Samaritanos? Quem são as viúvas pobres e quem são os pródigos? Na outra ponta, quem são os Escribas e Fariseus? Quem são os publicanos? Que são os idolatras (geralmente dizem simplesmente que são os irmãos católicos). E o que é o objeto dessa idolatria? Há uma clara incoerência entre a manjedoura e o palácio e só não vê quem não quer. O que será que Deus dirá da omissão do Seu povo? Das brigas estúpidas pelo que o Ap. Paulo chamou de “matérias disputáveis”, assuntos bobos, tolices.

E é por causa disso que eu tenho que falar uma coisa que durante 30 anos no meu ministério eu nunca fiz. Completei 30 anos de ministério no dia 08 de agosto, e nesses 30 anos eu nunca fiz o que eu fiz hoje pela manhã e vou fazer agora á noite.

Pastor, siga o exemplo de Lutero, ensine a Bíblia e os bêbados caírão trôpegos naturalmente no caminho pelo poder da palavra. Caso contrário, humildemente rogo que fique sem falar por mais 30 anos.

Eu quero dizer pra vocês que nós precisamos tomar muito cuidado com essas eleições que vão acontecer porque existe uma serie de leis que estão tramitando que vão depender do voto do Deputado Federal, do voto do senador que vão ser incorporadas pela ação da maquina estatal através da presidência da republica, nós vamos estar votando nessas pessoas no próximo mês, que vai tomar força também nas câmaras estaduais, nas ações que são feitas através do estado, e nós precisamos de valores cristãos trabalhando nesses contextos.

Cuidado e prudência em eleições sempre foi necessário, mas é fato que nos últimos 30 anos não tivemos tantas oportunidades assim de exercitar isso pois em parte desse tempo isso nem era possível. A propósito, muitos pastores nossos estavam era recebendo “flores” do regime ditatorial. Nossa “colonização” batista do sul dos estados unidos, do mesmo sul de George W. Bush e dos Cavaleiros da Klã, invocava o verso que fala sobre submissão a autoridade constituída por “deus” para rezar na cartilha e ficar em berço esplêndido. De fato, muita atenção nessas eleições. Aprecio seu destaque ao cuidado com o voto para as câmaras, mesmo sabendo que nossos motivos são diferentes. Nesse Blog, há um texto interessante do amigo Bento Souto. O título? EU VOTO É NO SAMARITANO. Esse texto explica porque não necessariamente voto em “irmão” que “combate” a “iniquidade institucionalizada”

Por causa disso está acontecendo no Brasil um movimento que eu faço parte agora, graças a Deus, de lideres cristão de varias denominações, evangélicos e católicos, que estão trabalhando para que a gente possa impedir que a iniqüidade seja institucionalizada na forma de lei. Por isso alguns pastores tem se posicionado firmemente no radio, na televisão, com suas igrejas e também a CNBB(Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil), nessa ultima semana escreveu um documento e publicou e lançou na mão de toda a imprensa, se posicionando com relação a esses assuntos.

Fico admirado com a naturalidade com a qual o senhor fala dessa “parceria ideológica“ com a CNBB. Até bem pouco tempo isso levava a “fogueira da inquisição” batista sob o estigma de “ecumênico” no uso mais simplista e preconceituoso que poderia se fazer dessa bela palavra. Mas porque ninguém foi a publico apoiar a CNBB quando ela pressionou o governo para agir com políticas que reduzissem o valor da cesta básica no Brasil? Deus nos ajude, de agora em diante, e conto com a sua influencia, a nos juntarmos ao que de bom Deus estiver fazendo ao nosso redor.

Eu vou pedir que você assista um vídeo de alguns minutos que fala desses problemas e de como nos precisamos levar isso a sério porque isso tudo o que vai passar aqui é iniqüidade institucionalizada e que nos precisamos nos posicionar e dizer”nós não queremos isso na nossa nação” e procurar pessoas que nos representem pra dizer “vou votar contra essas coisas” porque caso o contrario a iniqüidade será oficializada, e Deus não vai ter outra coisa a fazer a não ser julgar a nossa terra.

Olha, eu queria saber se alguém que me lê, conhece uma só pessoa que se posicione a favor da pedofilia. Ninguém mesmo! Muito menos o PT que tem em seus quadros pessoas engajadas a muitos anos na luta, não só contra a pedofilia, mas contra a prostituição infantil e afins. Queria dizer que se o PLC122/2006 é apelidado de lei da mordaça, eu queria ter inventado esse apelido. O que eu já ouvi de absurdos sobre esse assunto só porque a nossa liberdade de credo nos dava lastro para tal não tá no gibi. Se isso vai parar, é benção. Vejo com bons olhos precisarmos pensar mais responsavelmente quando esse for o assunto. Não acho que Jesus, caminhando no nosso meio hoje, fosse dar grandes bolas pra esse tema diante de pautas tão urgentemente anteriores a essas. A questão do infanticídio indígena não pode também ser tratado passionalmente. Qualquer pessoa que viva no nosso contexto cultural ficaria chocada, mas não é uma questão passional, nem “religiosista”. É um tema de alta complexidade jurídico-antropológica, e por isso eu me atenho a mencionar a complexidade do tema e a tira-lo do debate reducionista de pecado ou não pecado. O fim de tudo é que o vídeo é claramente de extrema direita, e eu conheço bem a extrema direita. Venho de lá! Mas prefiro dizer que o vídeo é de uma infelicidade sem tamanho.

Há um partido político que fechou questão sobre esse assunto, o partido político que é o PT de nosso presidente, em seu congresso desse ano, ele, no seu congresso geral, quando eles indicam seus deputados, ele fechou questão sobre essas questões. Ou seja, se um deputado, se um senador do PT, se ele votar contra, de acordo com sua consciência, contra qualquer uma dessas leis, ele é expulso do partido. Já dois deputados federais foram expulsos do PT, por se manifestarem contra o aborto. Isso fez com que a igreja católica se manifestasse publicamente, por que eles estavam ligados a igreja católica, junto ao PT, e se manifestarem contra, e por isso foram expulso do partido. E a igreja católica então emitiu nota pública dizendo: olha não votem em ninguém do PT. Eu diria para você a mesma coisa. Algumas pessoas não vão gostar do que eu estou falando, mas estou falando bem claramente. Porque quando não se pode votar com a consciência, não adianta votar em pessoas, porque o partido já fechou questão.

Primeiro não sou Advogado e muito menos Advogado do PT. Mas não há uma verdade se quer nessas afirmações que chegaram ao pastor. Acredito, pela caminhada idônea do pastor, que faltou informação e não acredito em ma fé a priori. Mas se alguém quiser me tirar do sério, que diga simplesmente “NÃO VOTEM NO PT” aqui na Bahia (e não deve ser diferente no resto do Brasil). Aqui, Walter Pinheiro é um dos homens mais sérios que eu já conheci. Ele vota com o PT, pois é o seu partido, quando isso não fere seu credo e suas liberdades individuais previstas no estatuto do Partido dos Trabalhadores. Aqui, Neuza Cadore, ex-freira católica, depois de fazer um trabalho brilhante no sertão, E SER CRUELMENTE SABOTADA PELA EXTREMA DIREITA, é hoje uma legítima representante do REINO DE DEUS, no que isso tem de mais inclusivo, na Assembléia Legislativa do Estado. Portanto, esse dois exemplos me dão a certeza de que foi uma afirmativa muito, muito, muito infeliz generalizar o PT. Eu não digo pra ninguém votar ou não votar em partido ou pessoa alguma. Se eu oriento alguém politicamente apelo pra sua dedicação pessoal, discernimento, pesquisa e busca da verdade sobre cada candidato.

Mas além de tudo, eu ficaria triste de ver, por via judicial, o PT assumir o púlpito da PIB de Curitiba para exercer o seu direito de resposta assegurado pelo código eleitoral. Pastor Paschoal, alguém no PT decidiu caminhar a segunda milha com o senhor se isso não acontecer.

Então eu queria pedir para você levar a sério essa questão. Como pastor eu nunca fiz isso. Eu não estou dizendo para você votar em A ou B. Eu vou dizer para você em quem não votar: em pessoas que estejam trabalhando pela iniqüidade em nossa terra.

Porque senão queridos, Deus vai julgar a nossa terra. E se Deus julgar a nossa terra, isso vai acontecer na tua vida na minha vida, porque eu faço parte dessa terra. Porque Deus não tolera iniquidade. Amem? (Aplausos)”

Pastor, nessa carta aberta, eu queria fazer algumas considerações, e agora, considerações finais. Primeiro, parabéns pelos seus 30 anos de ministério. Ninguém pode descrever apenas com palavras as agruras do ministério pastoral. As solidões no meio da multidão, a sobrecarga e as conseqüências visíveis e invisíveis de um dia ter se dedicado integralmente ao ministério pastoral. Segundo, se nunca fez isso nesses 30 anos, passe mais 30 sem fazer ou consulte seus mestres e mentores. E por ultimo, queria contar uma breve historia: Quando houve toda aquela crise desencadeada pelo Dep. Roberto Jeferson, eu pensava com meus botões: “Se o presidente Lula fosse a publico e confessasse seu erro, ou omissão ou incompetência. Se o PT fizesse o mesmo (…). Na minha ignorância das complexidades da política eu creio que o desfecho seria mais limpo e proveitoso para a construção não só de um projeto de longo prazo para o PT, mas para o amadurecimento da nossa frágil democracia”. De volta ao pronunciamento do púlpito da PIB de Curitiba, eu pediria a mesma coisa com todo o amor do mundo: Se o senhor for a publico e prestar alguns esclarecimentos eu creio que será de uma grandeza imensurável e os dividendos disso para as gerações de Cristãos e cidadãos brasileiros serão imensos e colhidos por gerações. Eu quero estar sempre apto a me posicionar, pensar livremente, discutir e sempre que necessário dizer: EU ERREI! É esse meu humilde conselho ao senhor porque eu gostaria de receber tal conselho que só seria dado por alguem que se importasse comigo. Deus nos abençoe das formas mais abrangentes que o Seu infinito e gracioso amor puder, e que isso seja instrumento, não para julgamento, mas para redenção da nossa nação e de nós mesmos.

Fraternalmente,

 

Shalon Riker Lages

15/09/2010 Posted by | Igreja, Liderança, Politica Nacional, Textos | 29 Comentários

Marina imaculada

Politicamente correta, com biografia sem nódoas e uma doçura sem par, a senadora verde diz por que deixou o PT e o que defenderá na corrida à Presidência da República em 2010 Sandra Brasil Lailson Santos “Também sou negra, mas seria muito pretensioso da minha parte me apresentar como similar ao Obama” A senadora Marina Silva, do Acre, causou um abalo amazônico ao Partido dos Trabalhadores. Depois de trinta anos de militância aguerrida, abandonou a legenda e marchou para o Partido Verde, seduzida por um convite para ser a candidata da agremiação à Presidência da República em 2010. Para o PT, o prejuízo foi duplo: não só perdeu um de seus poucos integrantes imaculadamente éticos, como ganhou uma adversária eleitoral de peso. Os petistas temem, e com razão, que a candidatura de Marina tire muitos votos da sua candidata ao Planalto, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Na semana passada, Marina, de 51 anos, casada, quatro filhos, explicou a VEJA as razões que a levaram a deixar o PT – e opinou sobre temas como aborto, legalização da maconha e criacionismo.

A senhora será candidata a presidente pelo Partido Verde?

Ainda não é hora de assumir candidatura. Há uma grande possibilidade de que isso aconteça, mas só anunciarei minha decisão em 2010. “Não vou me colocar em uma posição de vítima em relação à ministra Dilma. Não é por termos divergências que vou transformá-la em vilã. Não vou fazer o discurso fácil da demonização”

Se sua candidatura sair, como parece provável, que perfil de eleitor a senhora pretende buscar?

Os jovens. Eles estão começando a reencontrar as utopias. Estão vendo que é possível se mobilizar a favor do Brasil, da sustentabilidade e do planeta. Minha geração ajudou a redemocratizar o país porque tínhamos mantenedores de utopia. Gente como Chico Mendes, Florestan Fernandes, Paulo Freire, Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, que sustentava nossos sonhos e servia de referência. Agora, aos 51 anos, quero fazer o que eles fizeram por mim. Quero ser mantenedora de utopias e mobilizar as pessoas.

Sua saída abalou o PT. Além da possibilidade de disputar o Planalto, o que mais a moveu?

O PT teve uma visão progressista nos seus primeiros anos de vida, mas não fez a transição para os temas do século XXI. Isso me incomodava. O desafio dos nossos dias é dar resposta às crises ambiental e econômica, integrando duas questões fundamentais: estimular a criação de empregos e fomentar o desenvolvimento sem destruir o planeta. O crescimento econômico não pode acarretar mais efeitos negativos que positivos. Infelizmente, o PT não percebe isso. Cansei de tentar convencer o partido de que a questão do desenvolvimento sustentável é estratégica – como a sociedade, aliás, já sabe. Hoje, as pessoas podem eleger muito mais do que o presidente, o senador e o deputado. Elas podem optar por comprar madeira certificada ou carne e cereais produzidos em áreas que respeitam as reservas legais. A sociedade passou a fazer escolhas no seu dia a dia também baseada em valores éticos.

A crise moral que se abateu sobre o PT durante o governo Lula pesou na decisão?

Os erros cometidos pelo PT foram graves, mas estão sendo corrigidos e investigados. Quando da criação do PT, eu idealizava uma agremiação perfeita. Hoje, sei que isso não existe. Minha decisão não foi motivada pelos tropeços morais do partido, mesmo porque eles foram cometidos por uma minoria. Saí do PT, repito, por falta de atenção ao tema da sustentabilidade.

Ou seja, apesar de mudar de sigla, a senhora não rompeu com o petismo?

De jeito nenhum. Tenho um sentimento que mistura gratidão e perda em relação ao PT. Sair do partido foi, para mim, um processo muito doloroso. Perdi quase 3 quilos. Foi difícil explicar até para meus filhos. No álbum de fotografias, cada um deles está sempre com uma estrelinha do partido. É como se eu tivesse dividido uma casa por muito tempo com um grupo de pessoas que me deram muitas alegrias e alguns constrangimentos. Mudei de casa, mas continuo na mesma rua, na mesma vizinhança.

No período em que comandou o Ministério do Meio Ambiente, a senhora acumulou desavenças com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. Como será enfrentá-la em sua eventual campanha à Presidência?

Não vou me colocar numa posição de vítima em relação à ministra Dilma. Quando eu era ministra e tínhamos divergências, era o presidente Lula quem arbitrava a solução. Não é por ter divergências com Dilma que vou transformá-la em vilã. Acredito que o Brasil pode fazer obras de infraestrutura com base no critério de sustentabilidade. Temos visões diferentes, mas não vou fazer o discurso fácil da demonização de quem quer que seja

Um de seus maiores embates com a ministra Dilma foi causado pelas pressões da Casa Civil para licenciar as hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira. A senhora é contra a construção de usinas?

No Brasil, quando a gente levanta algum “porém”, já dizem que somos contra. Nunca me opus a nenhuma hidrelétrica. O que aconteceu naquele caso foi que eu disse que, antes de construir uma usina enorme no meio do rio, era preciso resolver o problema do mercúrio, de sedimentos, dos bagres, das populações locais e da malária. E eu tinha razão. Como as pessoas traduziram a minha posição? Dizendo que eu era contra hidrelétricas. Isso é falso. “Creio que Deus criou todas as coisas como elas são, mas isso não significa que descreia da ciência. Não é necessário contrapor a ciência à religião. Há pesquisadores e cientistas que creem em Deus”

Se a senhora for eleita presidente, proibirá o cultivo de transgênicos?

Eis outra falácia: dizer que sou contra os transgênicos. Nunca fui. Sou a favor, isso sim, de um regime de coexistência, em que seria possível ter transgênicos e não transgênicos. Mas agora esse debate está prejudicado, porque a legislação aprovada é tão permissiva que não será mais possível o modelo de coexistência. Já há uma contaminação irreversível das lavouras de milho, algodão e soja.

O que a senhora mudaria no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)?

Eu não teria essa visão de só acelerar o crescimento. Buscaria o desenvolvimento com sustentabilidade, para que isso pudesse ser traduzido em qualidade de vida para as pessoas. Obviamente, é necessário que o país tenha infraestrutura adequada. Mas é preciso evitar os riscos e problemas que os empreendimentos podem trazer, sobretudo na questão ambiental.

Na economia, faria mudanças?

Não vou me colocar no lugar dos economistas. Prefiro ficar no lugar de política. Em linhas gerais, acho que o estado não deve se colocar como uma força que suplanta a capacidade criativa do mercado. Nem o estado deve ser onipresente, nem o mercado deve ser deificado. Também gosto da ideia do Banco Central com autonomia, como está, mas acho que estão certos os que defendem juros mais baixos.

No seu novo partido, o PV, há uma corrente que defende a descriminalização da maconha. Como a senhora se posiciona a respeito desse assunto?

Não sou favorável. Existem muitos argumentos em favor da descriminalização. Eles são defendidos por pessoas sérias e devem ser respeitados. Mas questões como essa não podem ser decididas pelo Executivo, e sim pelo Legislativo, que representa a sociedade. A minha posição não será um problema, porque o PV pretende aprovar na próxima convenção uma cláusula de consciência, para que haja divergências de opinião dentro do partido.

Os Estados Unidos elegeram o primeiro presidente negro de sua história, Barack Obama. Ele é fonte de inspiração?

Eu também sou negra, mas seria muito pretensioso da minha parte me colocar como similar ao Obama. Ele é uma inspiração para todas as pessoas que ousam sonhar. A questão racial teve um peso importante na eleição americana. Mas os Estados Unidos têm uma realidade diferente da do Brasil. Eu nunca fui vítima de preconceito racial aqui.

A senhora poderia se apresentar como uma candidata negra na campanha presidencial?

Não. É legítimo que as pessoas decidam votar em alguém por se identificar com alguma de suas características, como o fato de ser mulher, negra e de origem humilde. Mas seria oportunismo explorar isso numa campanha. O Brasil tem uma vasta diversidade étnica e deve conviver com as suas diferentes realidades. Caetano Veloso (cantor baiano) já disse que “Narciso acha feio o que não é espelho”. Nós temos de aprender a nos relacionar com as diferenças, e não estimular a divisão. A história engraçada é que, durante as prévias do Partido Democrata americano, quando a Hillary Clinton disputava a vaga com Obama, um amigo meu brincou comigo dizendo que os Estados Unidos tinham de escolher entre uma mulher e um negro, e, se eu fosse candidata no Brasil, não teríamos esse problema, porque sou mulher e negra.

A senhora é a favor da política de cotas raciais para o acesso às universidades?

Há quem ache que as cotas levam à segregação, mas eu sou a favor de que se mantenha essa política por um período determinado. Acho que há, sim, um resgate a ser feito de negros e índios, uma espécie de discriminação positiva.

Mas a senhora entrou numa universidade pública sem precisar de cotas, embora seja negra, de origem humilde e alfabetizada pelo Mobral.

Sou uma exceção. Tenho sete irmãos que não chegaram lá.

Aos 16 anos, a senhora deixou o seringal e foi para a cidade, a fim de se tornar freira. Como uma católica tão fervorosa trocou a Igreja pela Assembleia de Deus?

Fui católica praticante por 37 anos, um aspecto fundamental para a construção do meu senso de ética. Meu ingresso na Assembleia de Deus foi fruto de uma experiência de fé, que não se deu pela força ou pela violência, mas pelo toque do Espírito. Para quem não tem fé, não há como compreender. Esse meu processo interior aconteceu em 1997, quando já fazia um ano e oito meses que eu não me levantava da cama, com diagnóstico de contaminação por metais pesados. Hoje, estou bem.

A senhora é mesmo partidária do criacionismo, a visão religiosa segundo a qual Deus criou o mundo tal como ele é hoje, em oposição ao evolucionismo?

Eu creio que Deus criou todas as coisas como elas são, mas isso não significa que descreia da ciência. Não é necessário contrapor a ciência à religião. Há médicos, pesquisadores e cientistas que, apesar de todo o conhecimento científico, creem em Deus.

O criacionismo deveria ser ensinado nas escolas?

Uma vez, fiz uma palestra em uma escola adventista e me perguntaram sobre essa questão. Respondi que, desde que ensinem também o evolucionismo, não vejo problema, porque os jovens têm a oportunidade de fazer suas escolhas. Ou seja, não me oponho. Mas jamais defendi a ideia de que o criacionismo seja matéria obrigatória nas escolas, nem pretendo defender isso. Sou professora e uma pessoa que tem fé. Como 90% dos brasileiros, acredito que Deus criou o mundo. Só isso.

A senhora é contra todo tipo de aborto, mesmo os previstos em lei, como em casos de estupro?

Não julgo quem o faz. Quando uma mulher recorre ao aborto, está em um momento de dor, sofrimento e desamparo. Mas eu, pessoalmente, não defendo o aborto, defendo a vida. É uma questão de fé. Tenho a clareza, porém, de que o estado deve cumprir as leis que existem. Acho apenas que qualquer mudança nessa legislação, por envolver questões éticas e morais, deveria ser objeto de um plebiscito.

Seu histórico médico inclui doenças muito sérias, como cinco malárias, três hepatites e uma leishmaniose. A senhora acredita que tem condições físicas de enfrentar uma campanha presidencial?

Ainda não sou candidata, mas, se for, encontrarei forças no mesmo lugar onde busquei nas quatro vezes em que cheguei a ser desenganada pelos médicos: na fé e na ciência.

05/04/2010 Posted by | Igreja, Liderança, Politica Nacional | 1 Comentário