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…em construção…SEMPRE!

A HARVARD DA ERA DIGITAL

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Você pode definir qual o seu estilo? Se tem sede de conhecimento e acredita no poder das ideias, se é um homem de ação mas prefere atuar longe das estruturas partidárias e do conceito esquerda-direita, se curte o prazer de trabalhar com sentido, porém com a mente e o coração abertos, então seu estilo é TED. Essa sigla, que significa Tecnologia, Entretenimento e Design, na tradução para o português, batizou um movimento que reúne algumas das cabeças mais brilhantes do mundo atual. Políticos (Bill Clinton, Al Gore), empresários (Bill Gates, Steve Jobs, os fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin), estrelas da música pop (Paul Simon, Bono Vox), celebridades hollywoodianas, como Cameron Diaz e Meg Ryan, gênios e estrelas de diversos países.

TED não é um rótulo que distingue um grupo de pessoas apenas por este ou aquele traço psicológico ou hábito, algo do tipo yuppies ou geeks. É um fenômeno da era digital. As três letrinhas nomeiam uma rede social e uma plataforma de Educação que, operando ao mesmo tempo na instância física e na internet, desafiam os padrões do velho mundo analógico com uma receita que mistura ingredientes como simplicidade, foco e flexibilidade. Recentemente, a conceituada revista americana de negócios Fast Company chegou a comparar o prestígio do TED ao da Universidade Harvard, a marca mais importante na área educacional em mais de 100 anos. Detalhe: para a Fast Company, é no TED que está tomando forma o futuro da educação.

Tudo começou em 1984, em Monterey, na Califórnia, com alguns milionários que se reuniam para ouvir inventores, aventureiros e artistas contando suas histórias e suas ideias capazes de impregnar o mundo de mudanças e novos produtos. Sob a etiqueta de TED, os vips que estiveram em Monterey há quase três décadas viram antes dos outros mortais o funcionamento do primeiro Macintosh, da Apple, e do Compact Disc da Sony e testemunharam as profecias certeiras de Nicholas Negroponte sobre a importância da internet e o futuro dos computadores. A conferência, depois transferida para Long Beach, cresceu e se tornou uma verdadeira maratona cerebral, de quatro dias de duração, destinada a 1 000 privilegiados que, com pelo menos um ano de antecedência, se candidatam a pagar 6 000 dólares para assistir a palestras de celebridades e gente anônima com ideias fascinantes.

O dado surpreendente é que o seletivo TED é também o clube mais aberto e mais acessível de que se tem notícia. Seu quadro de sócios abrange cinco continentes e seu potencial de crescimento tem o tamanho do número de usuários da internet: 2 bilhões de pessoas. Ao mesmo tempo que atua como o clube mais exclusivo do planeta, o TED também é uma comunidade global. Essa outra face, radicalmente democrática e inclusiva, começou a ser esculpida em 2002, quando Chris Anderson, um jornalista que ficou milionário ao criar uma editora de revistas sobre computadores às vésperas do boom da internet, adquiriu os direitos de organização da TED Conference. Numa época em que o evento ia mal das pernas devido à crise de seus patrocinadores, todos atingidos pela explosão da bolha das empresas pontocom, Anderson, ele próprio uma vítima da bolha, reinventou o TED, dando-lhe um perfil universal.

Foi Anderson quem, sem detonar o glamour do encontro de Long Beach, escancarou suas portas, usando a internet para democratizar seu conteúdo. Hoje, cerca de 800 das palestras já proferidas estão no site ted.com, a maioria com versões legendadas em 77 idiomas, inclusive português, o que faz da plataforma uma espécie de universidade aberta e gratuita, onde se pode entrar com um simples clique. A temática abordada é ampla e profunda, mas apresentada sem o ar solene e prolixo dos eventos acadêmicos. As palestras do TED são densas em conteúdo, porém curtas, altamente focadas e, não raro, permeadas de emoção e entusiasmo. Cada expositor é desafiado a ministrar “a melhor palestra de sua vida” entre 5 e 15 minutos e orientado a se concentrar numa única ideia. Na internet, as palestras do TED já foram vistas mais de 300 milhões de vezes, em 150 países. “As pessoas buscam inspiração e estímulo”, diz Anderson. “E, se alguém entra em contato com ideias potencialmente transformadoras, sua vida pode mudar.”

A virada que fez do TED um fenômeno mundial começou no slogan “Ideias que merecem ser espalhadas”, resumo de seu caráter aberto e eclético. São elas, as ideias, e não a imagem pública do tedster, como se autodenominam os participantes da comunidade, que definem o lugar de cada um. Em Long Beach, o brilho das celebridades se destaca na multidão, mas muitos momentos marcantes da conferência são protagonizados por pessoas comuns e desconhecidas — que, obviamente, depois disso se tornam celebridades. Um exemplo clássico é o de William Kamkwamba, um menino semianalfabeto do Malaui, na África, que construiu sozinho um gerador a vento para sua aldeia, guiando-se apenas pelas figuras de um livro emprestado de uma biblioteca. Sua palestra em 2009 arrancou mais aplausos da plateia que a de Bill Clinton, que ali, em 2007, também abriu seu coração e admitiu nada ter feito para evitar o massacre de Ruanda quando era presidente.

Outro grande momento foi protagonizado em 2008, pela neurocientista Jill Bolte Taylor. Ela sempre foi uma mulher racional, mas numa manhã de 1998, aos 37 anos, uma veia do lado esquerdo de seu cérebro — exatamente a banda relacionada ao pensamento racional — rompeu-se, dando início a uma reviravolta em sua vida. Durante a longa recuperação, Jill teve de reaprender muitas coisas, inclusive a escrever. Pela primeira vez, disse, ela pôde se entregar ao domínio do lado direito de seu cérebro, aquele que gerencia as emoções, e descobrir novas nuances da vida. O resultado foi o equilíbrio entre a razão e a emoção e mais criatividade. Apenas dois meses depois do TED, Jill figurou na lista das 100 personalidades mais influentes do mundo da revista Time.

Com tamanha força para revelar pessoas que fazem a diferença e disseminar ideias, o TED da era Anderson também ficou mais robusto em sua versão real. A conferência de Long Beach, realizada na primavera do Hemisfério Norte, ganhou uma versão europeia, a TED Global, realizada em Oxford, na Inglaterra, no verão. Outras conferências setoriais, voltadas para os desafios do milênio, para as questões das mulheres e dos jovens, e até um TED Kids, destinado a crianças, entraram na pauta de eventos da comunidade. Para estimular a criatividade de resultados sociais, foi instituído o TED Prize, um prêmio anual de 100 000 dólares concedido a um pensador de destaque para que ele possa realizar “um desejo que vai mudar o mundo”.

Nenhuma dessas inovações é comparável em ousadia ao TEDx, um programa de eventos locais organizados ao estilo TED, porém de modo independente, lançado há pouco mais de um ano. Qualquer grupo ou pessoa pode organizar um TEDx, sem pagar nada pelos direitos. A contrapartida é que o projeto local seja aprovado pela curadoria do TED internacional, que o evento não tenha fins lucrativos e que, preferencialmente, não cobre ingressos. Já foram realizados mais de 500 TEDx, em 70 países e 35 idiomas. Um dos mais simbólicos aconteceu em agosto passado na favela de Kibera, no Quênia, uma das maiores da África. TEDx grandiosos foram realizados em Paris, Amsterdã, Tóquio e São Paulo. Outros, singelos, têm lugar em comunidades, ONGs, empresas e órgãos públicos. O bairro da Vila Madalena, em São Paulo, promove mensalmente o TEDx Vila Madá.

A revolução do TED surgiu da busca de um sentido para a vida, o velho questionamento que todo homem experimenta lá pelos 35 a 45 anos — quando geralmente já conseguiu estruturar família, carreira e patrimônio — e que explodiu com força numa geração que conheceu mais cedo o sucesso. Quem assistiu, em Long Beach, à palestra de William Gates III, o dono da Microsoft, pôde ter uma ideia do que se passa na consciência de um bilionário engajado em causas sociais. Após dizer que há mais dinheiro investido na pesquisa da cura da calvície, uma doença de ricos, do que na da cura da malária, o segundo homem mais rico do mundo abriu um pote de plástico cheio de Aedes aegypti, liberando-os sobre a plateia assustada. “Não há razão para que só pobres tenham malária”, disse Bill Gates. Depois, informou que os mosquitos não estavam infectados. Como Gates, muitos vencedores acabam percebendo que só sucesso e fortuna não são suficientes para alguém se sentir completo e realizado.

Às vezes isso acontece com um empurrãozinho da adversidade. É o caso do cara que deu o toque de midas no TED, Chris Anderson, 53 anos. Nascido no Paquistão, Anderson estudou física e filosofia na Universidade Oxford, na Inglaterra. Em seguida, descobriu o jornalismo. Nos anos 80, já morando na Califórnia, nos Estados Unidos, abriu uma pequena editora de revistas sobre computadores e viu que tinha acertado na mosca. Com o boom da internet, o negócio transformou-se em pouco tempo num império editorial de 130 publicações. Na década seguinte, a Future Publishing, sua empresa, já era avaliada em 2 bilhões de dólares. Foi nesse momento que, segundo Anderson, ele caiu numa ilusão. “Acreditei que eu era um herói dos negócios”, disse pouco antes de assumir a curadoria do TED, em 2002. Com a explosão da bolha das empresas pontocom, ele passou a perder 1 milhão de dólares por dia e entrou em parafuso. A salvação veio quando decidiu usar o dinheiro acumulado durante o boom para dar um novo significado à sua vida: criou uma fundação sem fins lucrativos que adquiriu o direito de organizar a conferência de Long Beach e passou a moldar, junto com milhões de parceiros, esse jeito novo de espalhar ideias e mudar o mundo pelo conhecimento — o jeito TED.

TED à brasileira

O Brasil já se destaca na comunidade global do TED, com 16 000 associados. Em novembro, 400 especialistas de diversas áreas e pessoas comprometidas com a questão ambiental se encontraram no coração da Floresta Amazônica no primeiro TEDx Amazônia, cujo tema central foi “Qualidade de vida para todas as espécies do planeta”. O evento, realizado no hotel flutuante Amazon Jungle Palace, no Rio Negro, durou dois dias e seguiu o rastro de sucesso do TEDx São Paulo, promovido um ano antes pelo mesmo grupo de apaixonados pelo TED reunido na empresa Webcitizen.

No ambiente despojado em que os TEDx acontecem, o grande atrativo é a diversidade em desfile no palco. O TEDx Sudeste, realizado no Rio de Janeiro em maio passado, juntou num mesmo turno o ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel, o menino Pedro Franceschi, 13 anos, ex-hacker que virou desenvolvedor de aplicativos para o iPhone, e Andrew Essex, diretor da Droga5, a agência de publicidade “mais excitante” do mundo, segundo o jornal The Guardian. Já no evento paulistano, a experiência da atriz Regina Casé com a periferia de metrópoles do Brasil e do mundo foi exibida ao lado das ideias sobre sustentabilidade nos negócios do presidente do Santander, Fábio Barbosa.

O tema da qualidade de vida para todas as espécies inspirou tons ainda mais diversos no arco-íris de expositores do TEDx Amazônia. Durante dois dias, a plateia ouviu gente como o respeitado biólogo Jonathan Roughgarden, da Universidade Stanford, autor da tese de que existem não só dois sexos na natureza, mas uma faixa com inúmeras variações. Em 1998, numa mesa de cirurgia, Jonathan virou Joan, a cientista que agora  tenta provar que a homossexualidade está presente em centenas de espécies.

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14/01/2014 - Posted by | Ferramentas, Liderança

1 Comentário »

  1. gostei muito do texto, vou procurar me aprofundar mais e mais no assunto.

    Comentário por ANA IARA | 16/01/2014 | Responder


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