Shalon’s

…em construção…SEMPRE!

O Teste do Marshmallow – The Marshmallow Test Legendado

11/02/2014 Posted by | Ferramentas, Psicologia | Deixe um comentário

CRIANÇAS COM CÂNCER (comovente vídeo publicitário)

10/02/2014 Posted by | Ferramentas, Psicologia, Uncategorized | Deixe um comentário

Nove meses – O SHOW DA VIDA

10/02/2014 Posted by | Ferramentas, Psicologia, Uncategorized | Deixe um comentário

Saiba quando PERDOAR

10/02/2014 Posted by | Ferramentas, Liderança, Psicologia | Deixe um comentário

A HARVARD DA ERA DIGITAL

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WWW.TED.COM

Você pode definir qual o seu estilo? Se tem sede de conhecimento e acredita no poder das ideias, se é um homem de ação mas prefere atuar longe das estruturas partidárias e do conceito esquerda-direita, se curte o prazer de trabalhar com sentido, porém com a mente e o coração abertos, então seu estilo é TED. Essa sigla, que significa Tecnologia, Entretenimento e Design, na tradução para o português, batizou um movimento que reúne algumas das cabeças mais brilhantes do mundo atual. Políticos (Bill Clinton, Al Gore), empresários (Bill Gates, Steve Jobs, os fundadores do Google, Larry Page e Sergey Brin), estrelas da música pop (Paul Simon, Bono Vox), celebridades hollywoodianas, como Cameron Diaz e Meg Ryan, gênios e estrelas de diversos países.

TED não é um rótulo que distingue um grupo de pessoas apenas por este ou aquele traço psicológico ou hábito, algo do tipo yuppies ou geeks. É um fenômeno da era digital. As três letrinhas nomeiam uma rede social e uma plataforma de Educação que, operando ao mesmo tempo na instância física e na internet, desafiam os padrões do velho mundo analógico com uma receita que mistura ingredientes como simplicidade, foco e flexibilidade. Recentemente, a conceituada revista americana de negócios Fast Company chegou a comparar o prestígio do TED ao da Universidade Harvard, a marca mais importante na área educacional em mais de 100 anos. Detalhe: para a Fast Company, é no TED que está tomando forma o futuro da educação.

Tudo começou em 1984, em Monterey, na Califórnia, com alguns milionários que se reuniam para ouvir inventores, aventureiros e artistas contando suas histórias e suas ideias capazes de impregnar o mundo de mudanças e novos produtos. Sob a etiqueta de TED, os vips que estiveram em Monterey há quase três décadas viram antes dos outros mortais o funcionamento do primeiro Macintosh, da Apple, e do Compact Disc da Sony e testemunharam as profecias certeiras de Nicholas Negroponte sobre a importância da internet e o futuro dos computadores. A conferência, depois transferida para Long Beach, cresceu e se tornou uma verdadeira maratona cerebral, de quatro dias de duração, destinada a 1 000 privilegiados que, com pelo menos um ano de antecedência, se candidatam a pagar 6 000 dólares para assistir a palestras de celebridades e gente anônima com ideias fascinantes.

O dado surpreendente é que o seletivo TED é também o clube mais aberto e mais acessível de que se tem notícia. Seu quadro de sócios abrange cinco continentes e seu potencial de crescimento tem o tamanho do número de usuários da internet: 2 bilhões de pessoas. Ao mesmo tempo que atua como o clube mais exclusivo do planeta, o TED também é uma comunidade global. Essa outra face, radicalmente democrática e inclusiva, começou a ser esculpida em 2002, quando Chris Anderson, um jornalista que ficou milionário ao criar uma editora de revistas sobre computadores às vésperas do boom da internet, adquiriu os direitos de organização da TED Conference. Numa época em que o evento ia mal das pernas devido à crise de seus patrocinadores, todos atingidos pela explosão da bolha das empresas pontocom, Anderson, ele próprio uma vítima da bolha, reinventou o TED, dando-lhe um perfil universal.

Foi Anderson quem, sem detonar o glamour do encontro de Long Beach, escancarou suas portas, usando a internet para democratizar seu conteúdo. Hoje, cerca de 800 das palestras já proferidas estão no site ted.com, a maioria com versões legendadas em 77 idiomas, inclusive português, o que faz da plataforma uma espécie de universidade aberta e gratuita, onde se pode entrar com um simples clique. A temática abordada é ampla e profunda, mas apresentada sem o ar solene e prolixo dos eventos acadêmicos. As palestras do TED são densas em conteúdo, porém curtas, altamente focadas e, não raro, permeadas de emoção e entusiasmo. Cada expositor é desafiado a ministrar “a melhor palestra de sua vida” entre 5 e 15 minutos e orientado a se concentrar numa única ideia. Na internet, as palestras do TED já foram vistas mais de 300 milhões de vezes, em 150 países. “As pessoas buscam inspiração e estímulo”, diz Anderson. “E, se alguém entra em contato com ideias potencialmente transformadoras, sua vida pode mudar.”

A virada que fez do TED um fenômeno mundial começou no slogan “Ideias que merecem ser espalhadas”, resumo de seu caráter aberto e eclético. São elas, as ideias, e não a imagem pública do tedster, como se autodenominam os participantes da comunidade, que definem o lugar de cada um. Em Long Beach, o brilho das celebridades se destaca na multidão, mas muitos momentos marcantes da conferência são protagonizados por pessoas comuns e desconhecidas — que, obviamente, depois disso se tornam celebridades. Um exemplo clássico é o de William Kamkwamba, um menino semianalfabeto do Malaui, na África, que construiu sozinho um gerador a vento para sua aldeia, guiando-se apenas pelas figuras de um livro emprestado de uma biblioteca. Sua palestra em 2009 arrancou mais aplausos da plateia que a de Bill Clinton, que ali, em 2007, também abriu seu coração e admitiu nada ter feito para evitar o massacre de Ruanda quando era presidente.

Outro grande momento foi protagonizado em 2008, pela neurocientista Jill Bolte Taylor. Ela sempre foi uma mulher racional, mas numa manhã de 1998, aos 37 anos, uma veia do lado esquerdo de seu cérebro — exatamente a banda relacionada ao pensamento racional — rompeu-se, dando início a uma reviravolta em sua vida. Durante a longa recuperação, Jill teve de reaprender muitas coisas, inclusive a escrever. Pela primeira vez, disse, ela pôde se entregar ao domínio do lado direito de seu cérebro, aquele que gerencia as emoções, e descobrir novas nuances da vida. O resultado foi o equilíbrio entre a razão e a emoção e mais criatividade. Apenas dois meses depois do TED, Jill figurou na lista das 100 personalidades mais influentes do mundo da revista Time.

Com tamanha força para revelar pessoas que fazem a diferença e disseminar ideias, o TED da era Anderson também ficou mais robusto em sua versão real. A conferência de Long Beach, realizada na primavera do Hemisfério Norte, ganhou uma versão europeia, a TED Global, realizada em Oxford, na Inglaterra, no verão. Outras conferências setoriais, voltadas para os desafios do milênio, para as questões das mulheres e dos jovens, e até um TED Kids, destinado a crianças, entraram na pauta de eventos da comunidade. Para estimular a criatividade de resultados sociais, foi instituído o TED Prize, um prêmio anual de 100 000 dólares concedido a um pensador de destaque para que ele possa realizar “um desejo que vai mudar o mundo”.

Nenhuma dessas inovações é comparável em ousadia ao TEDx, um programa de eventos locais organizados ao estilo TED, porém de modo independente, lançado há pouco mais de um ano. Qualquer grupo ou pessoa pode organizar um TEDx, sem pagar nada pelos direitos. A contrapartida é que o projeto local seja aprovado pela curadoria do TED internacional, que o evento não tenha fins lucrativos e que, preferencialmente, não cobre ingressos. Já foram realizados mais de 500 TEDx, em 70 países e 35 idiomas. Um dos mais simbólicos aconteceu em agosto passado na favela de Kibera, no Quênia, uma das maiores da África. TEDx grandiosos foram realizados em Paris, Amsterdã, Tóquio e São Paulo. Outros, singelos, têm lugar em comunidades, ONGs, empresas e órgãos públicos. O bairro da Vila Madalena, em São Paulo, promove mensalmente o TEDx Vila Madá.

A revolução do TED surgiu da busca de um sentido para a vida, o velho questionamento que todo homem experimenta lá pelos 35 a 45 anos — quando geralmente já conseguiu estruturar família, carreira e patrimônio — e que explodiu com força numa geração que conheceu mais cedo o sucesso. Quem assistiu, em Long Beach, à palestra de William Gates III, o dono da Microsoft, pôde ter uma ideia do que se passa na consciência de um bilionário engajado em causas sociais. Após dizer que há mais dinheiro investido na pesquisa da cura da calvície, uma doença de ricos, do que na da cura da malária, o segundo homem mais rico do mundo abriu um pote de plástico cheio de Aedes aegypti, liberando-os sobre a plateia assustada. “Não há razão para que só pobres tenham malária”, disse Bill Gates. Depois, informou que os mosquitos não estavam infectados. Como Gates, muitos vencedores acabam percebendo que só sucesso e fortuna não são suficientes para alguém se sentir completo e realizado.

Às vezes isso acontece com um empurrãozinho da adversidade. É o caso do cara que deu o toque de midas no TED, Chris Anderson, 53 anos. Nascido no Paquistão, Anderson estudou física e filosofia na Universidade Oxford, na Inglaterra. Em seguida, descobriu o jornalismo. Nos anos 80, já morando na Califórnia, nos Estados Unidos, abriu uma pequena editora de revistas sobre computadores e viu que tinha acertado na mosca. Com o boom da internet, o negócio transformou-se em pouco tempo num império editorial de 130 publicações. Na década seguinte, a Future Publishing, sua empresa, já era avaliada em 2 bilhões de dólares. Foi nesse momento que, segundo Anderson, ele caiu numa ilusão. “Acreditei que eu era um herói dos negócios”, disse pouco antes de assumir a curadoria do TED, em 2002. Com a explosão da bolha das empresas pontocom, ele passou a perder 1 milhão de dólares por dia e entrou em parafuso. A salvação veio quando decidiu usar o dinheiro acumulado durante o boom para dar um novo significado à sua vida: criou uma fundação sem fins lucrativos que adquiriu o direito de organizar a conferência de Long Beach e passou a moldar, junto com milhões de parceiros, esse jeito novo de espalhar ideias e mudar o mundo pelo conhecimento — o jeito TED.

TED à brasileira

O Brasil já se destaca na comunidade global do TED, com 16 000 associados. Em novembro, 400 especialistas de diversas áreas e pessoas comprometidas com a questão ambiental se encontraram no coração da Floresta Amazônica no primeiro TEDx Amazônia, cujo tema central foi “Qualidade de vida para todas as espécies do planeta”. O evento, realizado no hotel flutuante Amazon Jungle Palace, no Rio Negro, durou dois dias e seguiu o rastro de sucesso do TEDx São Paulo, promovido um ano antes pelo mesmo grupo de apaixonados pelo TED reunido na empresa Webcitizen.

No ambiente despojado em que os TEDx acontecem, o grande atrativo é a diversidade em desfile no palco. O TEDx Sudeste, realizado no Rio de Janeiro em maio passado, juntou num mesmo turno o ex-capitão do Bope Rodrigo Pimentel, o menino Pedro Franceschi, 13 anos, ex-hacker que virou desenvolvedor de aplicativos para o iPhone, e Andrew Essex, diretor da Droga5, a agência de publicidade “mais excitante” do mundo, segundo o jornal The Guardian. Já no evento paulistano, a experiência da atriz Regina Casé com a periferia de metrópoles do Brasil e do mundo foi exibida ao lado das ideias sobre sustentabilidade nos negócios do presidente do Santander, Fábio Barbosa.

O tema da qualidade de vida para todas as espécies inspirou tons ainda mais diversos no arco-íris de expositores do TEDx Amazônia. Durante dois dias, a plateia ouviu gente como o respeitado biólogo Jonathan Roughgarden, da Universidade Stanford, autor da tese de que existem não só dois sexos na natureza, mas uma faixa com inúmeras variações. Em 1998, numa mesa de cirurgia, Jonathan virou Joan, a cientista que agora  tenta provar que a homossexualidade está presente em centenas de espécies.

14/01/2014 Posted by | Ferramentas, Liderança | 1 Comentário

BOAS NOTÍCIAS (…)

Manjedoura e Palácio

 

Todo ser humano busca ser feliz, deseja prazer e realização com a vida. A grande realização da vida humana é ser gente na sua forma mais plena e completa. A infelicidade, de um lado, consiste na constatação de que falta algo essencial e básico para se viver. De outro lado, pelo discernimento inteligente de que existem excessos superficiais e ilusórios.

A infelicidade humana se manifesta na medida em que suprimimos o que lhe é próprio ou acrescentamos o que lhe é desnecessário. A realização humana consiste em viver para cumprir a vocação plena de ser gente. O ser humano é feliz quando cumpre o propósito para o qual foi criado.

Qual a nova de grande alegria?

Havia entre os judeus uma esperança, e mesmo que, percebida parcialmente, era uma esperança. Aguardavam um rei, politicamente identificado com o trono de Davi. Sonhavam com uma estabilidade política e econômica com a chegada do Messias. Esperavam que ele viesse para destruir a hegemonia e dominação dos romanos sobre o povo hebreu. Tinham expectativas baseadas nas relações de dominação e dependência. A diferença era apenas de inversão dos papéis de dominação. Mas, o paradigma era o mesmo. Não era, portanto dessas expectativas, desses acréscimos que os anjos estavam falando. Dominação não gera a grande alegria anunciada pelos anjos. Então, qual a nova de grande alegria?

Deus estava se manifestando na história como nunca. De várias maneiras havia tomado a iniciativa de se comunicar com os seres humanos. “Havendo Deus outrora falado de várias maneiras aos pais pelos profetas, nos últimos tempos nos falou pelo seu Filho a quem constituiu herdeiro de todas as coisas”. (Hebreus 1.1-4). Todas as outras comunicações foram parciais e limitadas. Entre os hebreus a manifestação de Deus acontece nas ambigüidades militares, na infiltração de um paganismo primitivo que confunde Deus com as divindades carentes de holocaustos, dependente de trocas de favores, uma religiosidade sem misericórdia com os portadores de deficiência física, com as mulheres, com o estrangeiro.

Na Manjedoura de Belém há uma presença suficiente – uma criança envolta em panos, nascida numa família de pouco prestígio social, pais sem uma conta bancária que se possa fazer referência relevante. Era somente, e suficientemente, a presença ambulante de Deus. Ele mesmo transitando entre os seres humanos, vivendo a possibilidade plena de nossa humanidade. Uma evidência real da imagem e semelhança de Deus expressava-se na pessoa de Jesus Cristo. Paulo afirma: “Ele é a expressão exata de seu SER” (grifo nosso – Paulo referia-se ao ser de Deus).

Os anjos trouxeram uma grande notícia: “… é que hoje vos nasceu,(…) salvador…(Lucas 2.11)
A humanidade de Deus é a grande boa-nova. A possibilidade da quebra do dualismo grego: divindade versus humanidade. Em Jesus se podia identificar a essência de ser gente – Deus estava nele, ele estava em Deus.

Era um combate a todas as formas de imperialismo: não era mais uma divindade a serviço dos caprichos de dominação militar na cultura de um povo. O Cristo da manjedoura houvera chegado para servir, salvar, sofrer e padecer. Na narrativa joanina era a notícia de que Deus habitou entre nós cheio de graça e de verdade e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai (João 1. 14).

Era a possibilidade de se observar alguém vivendo do jeito mais comum semelhante a maioria das crianças do mundo. Quando falamos que vivia em função da vida e acolhia as crianças desprezadas, incluía no seu ambiente as mulheres à margem da sociedade, estamos apenas enfatizando que este era o seu ambiente mais corriqueiro. Atendia com amor as demandas dos estrangeiros que lhe procuravam por socorro, os pecadores foram acolhidas, as mulheres incluídas no projeto. Um novo Ser – pleno pela sua singularidade, exclusividade, por se permitir ser possuído apenas de si mesmo e nada mais, e assim desfrutar a chance de, em apenas 33 anos e meio, viver a plenitude de sua humanidade. Toda espiritualidade precisa estar marcada pela expressão singular de cada ser em suas particularidades e desenvolvida pelo modelo do Jesus de Nazaré.

A alegria de uma nova comunidade – composta de mulheres, crianças, homens trabalhadores – José ou os pastores, também, alguns curiosos orientais – os magos do Oriente, o idoso Simeão, a anciã e profetiza Ana, que inspirados por vozes fora da rotina, se enchem de esperança, a despeito da dor e sofrimento que hão de vir.

As crianças são prioritárias na espiritualidade dessa nova comunidade. Elas trazem em si a alegria natural da vida. As mulheres possuem uma sensibilidade aguçada e anunciam, antes que qualquer macho, a gestação da vida. Elas percebem no silêncio da alma, que fora do útero, as crianças pobres estão mais próximas do calvário. Mas aprenderam também que a morte vem despertando a semente da ressurreição, geradora de outras sementes em vida.

A espiritualidade de Jesus esta marcada e ilustrada pela alegria e des-res-peito das crianças. De crianças de peito e do peito delas Deus suscita perfeito louvor. Os adultos, burocratizados pelos esquemas da religião não conseguem entender o perfeito louvor das crianças.

As mulheres sensíveis de gestação entendem a comunicação de uma criança ainda no ventre. Os mais pobres entre os pobres são mais sensíveis as precariedades e singeleza da vida. Uma espiritualidade, que procura imitar a espiritualidade de Jesus, passa também por outros caminhos -, mas obrigatoriamente – passa pelo caminho da criança, da mulher e dos pobres em comunidade.
As experiências de Jesus Cristo, e toda a primeira geração dos que viveram e conviveram com Ele sinalizam a possibilidade de outras comunidades invadidas ou batizadas pelo Espírito Santo. As comunidades de Jesus Cristo, em outras gerações, são sociedades alternativas, marcadas pela comunhão do Espírito, fraternidade da justiça, permanente prática do amor, fertilizada pela alegria, e aperfeiçoada pelos instrumentos da paz.

Um novo Reino, utopia e sonho dos novos cidadãos – os considerados não-gente na sociedade dos “de fora”. Eles desfrutam e manifestam uma experiência comunitária possível, baseada nos ensinos de Jesus Cristo. Desfrutam o Reino de Deus inaugurado pelo Jesus de Nazaré e pela sua comunidade de discípulos e discípulas. Reino que tem sido vivido e anunciado pelos seguidores de Jesus Cristo, através dos sinais de confrontação de poderes antagônicos e luta pela justiça paz.

Reino de Deus, que por vezes manifestou-se no cristianismo histórico, outras vezes fora dele, outras vezes contra ele. Nem todos que conhecem sobre o Reino de Deus desfrutam-no, como também, nem todos que desfrutam-no conseguem interpretá-lo; todavia, como neste reino o importante é a prática e obediência, quem vive e pratica o Reino de Deus é mais prudente do que quem conhece e engana a si mesmo. Entre os pobres, principalmente, o reino de Deus, quando vivenciado, é mais desfrute do que explicação racionalista.

A nova espiritualidade com os olhos no Reino de Deus e os pés fincados na terra tem o potencial de redirecionar as esperanças para uma vida digna. O cuidado com toda as dimensões da vida. A longevidade é uma dádiva de Deus. Quando a humanidade interrompe a vida das pessoas por causa do egoísmo, acumulação de bens, injustiça está afrontando o Deus da Vida. As comunidades de Jesus necessitam buscar uma espiritualidade marcada pelo resgate da dignidade humana, incluindo o direito a cidadania, receber um nome – ele será chamado Jesus, direito a uma família, direito aos espaços culturais de seu povo, direito a proteção – habitação digna, vestimentas como forma de proteção, alimentos suficientes para preservação da vida, formas de organização social justa que expressem fraternidade, oportunidade de vida digna para todos. Desfrutamos dessa realização quando somos salvos de nossa desumanidade; e isto só é possível quando resgatamos uma espiritualidade marcada pela vocação de ser gente, que descobre nos espaços coletivos a vida abundante para todos.

1. Uma boa-nova que provoca fascínio e encantamento. “Todos os que ouviram se admiraram das coisas referidas pelos pastores” (v 18). Precisamos acreditar nas coisas que provocam maravilha – “mirar-vale!”.

2. Uma boa-nova que nos tire do imobilismo e discernindo o caminho do projeto de Deus. “Vamos… e vejamos…”. Não basta ser ativista. Não precisamos simplesmente visitar uma criança envolta em panos rotos. Precisamos fazer a coisa certa. Há uma grande diferença em se fazer corretamente, e fazer corretamente a coisa correta.

Não basta ir a manjedoura, precisamos discernir também o momento de nos desviarmos do caminho que leva ao fascínio pelo palácio. Há um conflito sempre estranho entre a manjedoura e o palácio.

Os magos do Oriente mudaram a rota: vieram pelo palácio, conversaram com Herodes, mas mudaram a rota depois do encontro com o Menino na manjedoura. (Mateus 2. 1-12).

3. Uma boa-nova que promova a paz e glorifique a Deus (v 14 e 20). Precisamos resgatar uma espiritualidade e uma devoção capazes de motivar homens e mulheres a glorificarem a Deus pelas coisas fora dos holofotes e dos palcos. Há ainda muita ação de Deus nas galiléias dos gentios, há outras nazarés e muitas belens – todas pequenas demais para figurar entre as muitas expostas na mídia. São sinais perceptíveis pelas discretas Anas, por pobres trabalhadores noturnos. Eventualmente aparecem nas estatísticas, outras vezes em testemunhos isolados, mas são ainda sinais de esperança. É voz de uma criança – começa no ventre da mãe, depois torna-se uma voz no deserto – no deserto, mas era a voz de quem clama e anuncia o Caminho do Senhor.

FELIZ NATAL!

26/12/2013 Posted by | Igreja, Liderança, Politica Nacional, Psicologia, Teologia, Textos | Deixe um comentário

Como dar más notícias às Crianças

 

Dar uma notícia ruim é sempre uma situação difícil, ainda mais quando precisamos falar algo para uma criança. Para te ajudar nesta difícil tarefa, preparamos uma animação com dicas sobre como lidar com esta situação.

Hospital Israelita Albert Einstein!

Uma cortesia de http://www.vidasustentavel.psc.br

13/09/2013 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário

…ESTÁ INSUPORTÁVEL – Do Caio, via Ed Rene Kivitz

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PERDOEM-ME O DESGOSTO! …ESTÁ INSUPORTÁVEL!

 

 

Perdoem-me, irmãos, eu confesso a tão aguardada confissão de minha boca. Sim, eu confesso que não posso mais deixar de declarar a minha alma. Para mim é questão de vida ou morte. Perdoem-me, irmãos, mas eu preciso confessar.

 

Sim, eu confesso…

 

Está insuportável. Se eu não abrir a minha boca, minha alma explodirá em mim.

 

É insuportável ligar a televisão e ver o culto que se faz ao Monte Sinai, que gera para escravidão. Os Gálatas são o nosso jardim da infância. Nós nos tornamos PHDs do retrocesso à Lei e aos sacrifícios. Pisa-se sobre a Cruz de Cristo em nome de Jesus. Insuportável! Seja anátema!

 

É insuportável ver o culto à fé na fé, e também assistir descarados convites feitos em nome de Deus para que se façam novos sacrifícios, visto que o de Jesus não foi suficiente, e Deus só atende se alguém fizer voto de freqüência ao templo, e de dinheiro aos sacerdotes do engano e da ganância. Insuportável!

 

É insuportável assistir ao silêncio de todos os dantes protestantes—e que até hoje ofendem os cultos afro-ameríndios por seus sacrifícios, sendo que estes ainda têm razão para sacrificar, visto que não confessam e não oram em nome de Jesus—ante o estelionato feito em e do nome de Jesus, quando se convida o povo para sacrificar a Deus, tornando o sacrifício de Jesus algo menor e dispensável. Insuportável!

 

É insuportável ver o povo sendo levado para debaixo do jugo da Lei quando se ressuscitam as maldições todas do Velho Testamento, e que morreram na Cruz, quando Jesus se fez maldição em nosso lugar. Insuportável!

 

É insuportável ver que para a maioria dos cristãos a Lei não morreu em Cristo, conforme a Palavra, visto que mantêm-na vigente como “mandamento de vida”, mas que apenas existe para gerar culpa e morte, também conforme a Escritura. Insuportável!

 

É insuportável ver e ouvir pastores tratando a Graça de Deus como se fosse uma parte da Revelação, como mais uma doutrina, sem discernir que não há nada, muito menos qualquer Revelação, se não houver sempre, antes, durante, depois, transcendentemente e imanentemente, Graça e apenas Graça. Misericórdia!

 

É insuportável ver a Bíblia sendo ensinada por cegos e que guiam outros cegos, visto que nem mesmo passaram da Bíblia como livro santo, desconhecendo a Revelação da Palavra da Graça do Evangelho de Deus. Insuportável tristeza!

 

É insuportável ver que os cristãos “acreditam em Deus”, sem saber que nada fazem mais que os demônios quando assim professam, posto que não estamos nesta vida para reconhecer que Deus existe, mas para amá-Lo e conhecê-Lo. Insuportável desperdício!

 

É insuportável enxergar que a mensagem do Evangelho foi transformada em guia religioso, no manual da verdade dos cristãos, mais uma doutrina da Terra. Insuportável humilhação!

 

É insuportável ver os que pensam que possuem a doutrina certa jamais terem a coragem de tentar vivê-la como mergulho existencial de plena confiança, mas tão somente como guia de bons costumes e de elevados padrões morais. Insuportável religiosidade!

 

É insuportável ver gente tentando “estudar Deus”, e a ensinar aos outros a “anatomia do divino”, ou a buscar analisar Deus como parte de um processo, no qual Deus está aprendendo junto conosco, não sabendo tais mestres que são apenas fabricantes de ídolos psicológicos. Insuportável sutileza!

 

É insuportável ver que há muitos que sabem, mas que nada dizem; vêem, mas nada demonstram; discernem, mas em nada confrontam; conhecem, mas tratam como se nada tivesse conseqüências… Insuportável…

 

É insuportável ver que se prega o método de crescimento de igreja, não a Palavra; que se convida para a igreja, não mais para Jesus; e que a cada cinco anos toda a moda da igreja muda, conforme o que chamam de “novo mover”. Insuportável vazio!

 

É insuportável ouvir pastores dizendo que o que você diz é verdade, mas que eles não têm coragem de botar a cara para apanhar, mesmo que seja pela verdade e pela justiça do evangelho do reino de Deus. Insuportável dissimulação!

 

É insuportável ver um monte de homens e mulheres velhos e adultos brincando com o nome de Deus, posando de pastores, pastoras, bispos, bispas, apóstolos e apostolas, sendo que eles mesmos não se enxergam, e não percebem o espetáculo patético no qual se tornaram, e o ridículo de suas aspirações messiânicas estereotipadas e vazias do Espírito. Insuportável jactância e loucura!

 

É insuportável ver Jesus sendo tratado como “poder maior” e não como único poder verdadeiro. Insuportável idolatria!

 

É insuportável ver o diabo ser glorificado pela freqüência com a qual se menciona o seu nome nos cultos, sendo que Paulo dele falou menos de uma dúzia de vezes em todas as suas cartas, e as alusões que Jesus fez a ele foram mínimas. No entanto, entre nós o diabo está entronizado como o inimigo de Cristo e o Senhor das Culpas e Medos. E, assim, pela freqüência com a qual ele é mencionado, ele é crido; e seu poder cresce na alma dos humanos, a maioria dos quais sabe apenas do Medo da Lei, e nada acerca da Total Libertação que temos da Lei e do diabo na Graça de Jesus, que o despojou na Cruz. Insuportável culto!

 

É insuportável ver seres humanos sendo jogados fora do lugar de culto por causa de comida, bebida, cigarro, roupa, sexualidade, ou catástrofes de existência. Isto enquanto se alimenta o povo com maldade, inveja, mentira, politicagem, facções, e maldições. Insuportável é coar o mosquito e engolir o camelo!

 

É chegada a hora do juízo sobre a Casa de Deus!

 

De Deus não se zomba, pois aquilo que o homem semear, isto também ceifará. A eternidade está às portas. Então todos saberão que não minto, mas falo a verdade, conforme a Palavra do Evangelho de Jesus.

 

Com tremor e temor, porém certo da verdade de Jesus,

 

Caio.

27/08/2013 Posted by | Igreja, Teologia | 1 Comentário

“MODERNIDADE LÍQUIDA”

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O sociólogo polonês radicado na Inglaterra Zygmunt Bauman é um dos intelectuais mais respeitados e produtivos da atualidade. Aos 84 anos, escreveu mais de 50 livros. Dois dos mais recentes, “Vida a crédito” e “Capitalismo Parasitário” chegam ao Brasil pela Zahar. As quase duas dezenas de títulos já publicados no País pela editora venderam mais de 200 mil cópias. Um resultado e tanto para um teórico. Pode-se explicar o apelo de sua obra pela relativa simplicidade com que esmiúça aspectos diversos da “modernidade líquida”, seu conceito fundamental. É assim que ele se refere ao momento da História em que vivemos. Os tempos são “líquidos” porque tudo muda tão rapidamente. Nada é feito para durar, para ser “sólido”. Disso resultariam, entre outras questões, a obsessão pelo corpo ideal, o culto às celebridades, o endividamento geral, a paranóia com segurança e até a instabilidade dos relacionamentos amorosos. É um mundo de incertezas. E cada um por si. “Nossos ancestrais eram esperançosos: quando falavam de ‘progresso’, se referiam à perspectiva de cada dia ser melhor do que o anterior. Nós estamos assustados: ‘progresso’, para nós, significa uma constante ameaça de ser chutado para fora de um carro em aceleração”, afirma. Em entrevista à ISTOÉ, por e-mail, o professor emérito das universidades de Leeds, no Reino Unido, e de Varsóvia, na Polônia, falou também sobre temas que começou a estudar recentemente, mas são muito caros aos brasileiros: tráfico de drogas, favelas e violência policial.

O que caracteriza a “modernidade líquida”?

Zygmunt Bauman  –

Líquidos mudam de forma muito rapidamente, sob a menor pressão. Na verdade, são incapazes de manter a mesma forma por muito tempo. No atual estágio “líquido” da modernidade, os líquidos são deliberadamente impedidos de se solidificarem. A temperatura elevada — ou seja, o impulso de transgredir, de substituir, de acelerar a circulação de mercadorias rentáveis — não dá ao fluxo uma oportunidade de abrandar, nem o tempo necessário para condensar e solidificar-se em formas estáveis, com uma maior expectativa de vida.

As pessoas estão conscientes dessa situação?

Zygmunt Bauman  –

Acredito que todos estamos cientes disso, num grau ou outro. Pelo menos às vezes, quando uma catástrofe, natural ou provocada pelo homem, torna impossível ignorar as falhas. Portanto, não é uma questão de “abrir os olhos”. O verdadeiro problema é: quem é capaz de fazer o que deve ser feito para evitar o desastre que já podemos prever? O problema não é a nossa falta de conhecimento, mas a falta de um agente capaz de fazer o que o conhecimento nos diz ser necessário fazer, e urgentemente. Por exemplo: estamos todos conscientes das conseqüências apocalípticas do aquecimento do planeta. E todos estamos conscientes de que os recursos planetários serão incapazes de sustentar a nossa filosofia e prática de “crescimento econômico infinito” e de crescimento infinito do consumo. Sabemos que esses recursos estão rapidamente se aproximando de seu esgotamento. Estamos conscientes — mas e daí? Há poucos (ou nenhum) sinais de que, de própria vontade, estamos caminhando para mudar as formas de vida que estão na origem de todos esses problemas.

A atual crise financeira tem potencial para mudar a forma como vivemos?

Zygmunt Bauman  –

Pode ter ou não. Primeiramente, a crise está longe de terminar. Ainda veremos suas conseqüências de longo prazo (um grande desemprego, entre outras). Em segundo lugar, as reações à crise não foram até agora animadoras. A resposta quase unânime dos governos foi de recapitalizar os bancos, para voltar ao “normal”. Mas foi precisamente esse “normal” o responsável pela atual crise. Essa reação significa armazenar problemas para o futuro. Mas a crise pode nos obrigar a mudar a maneira como vivemos. A recapitalização dos bancos e instituições de crédito resultou em dívidas públicas altíssimas, que precisão ser pagas pelos nossos filhos e netos — e isso pode empobrecer as próximas gerações. As dívidas exorbitantes podem levar a uma considerável redistribuição da riqueza. São os países ricos agora os mais endividados. De qualquer forma, não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas.

Ao se conectarem ao mundo pela internet, as pessoas estariam se desconectando da sua própria realidade?

Zygmunt Bauman  –

Os  contatos online têm uma vantagem sobre os offline: são mais fáceis e menos arriscados — o que muita gente acha atraente. Eles tornam mais fácil se conectar e se desconectar. Casos as coisas fiquem “quentes” demais para o conforto, você pode simplesmente desligar, sem necessidade de explicações complexas, sem inventar desculpas, sem censuras ou culpa. Atrás do seu laptop ou iPhone, com fones no ouvido, você pode se cortar fora dos desconfortos do mundo offline. Mas não há almoços grátis, como diz um provérbio inglês: se você ganha algo, perde alguma coisa. Entre as coisas perdidas estão as habilidades necessárias para estabelecer relações de confiança, as para o que der vier, na saúde ou na tristeza, com outras pessoas. Relações cujos encantos você nunca conhecerá a menos que pratique. O problema é que, quanto mais você busca fugir dos inconvenientes da vida offline, maior será a tendência a se desconectar.

E o que o senhor chama de “amor líquido”?

Zygmunt Bauman  –

Amor líquido é um amor “até segundo aviso”, o amor a partir do padrão dos bens de consumo: mantenha-os enquanto eles te trouxerem satisfação e os substitua por outros que prometem ainda mais satisfação. O amor com um espectro de eliminação imediata e, assim, também de ansiedade permanente, pairando acima dele. Na sua forma “líquida”, o amor tenta substituir a qualidade por quantidade — mas isso nunca pode ser feito, como seus praticantes mais cedo ou mais tarde acabam percebendo. É bom lembrar que o amor não é um “objeto encontrado”, mas um produto de um longo e muitas vezes difícil esforço e de boa vontade.

Nesse contexto, ainda faz sentido sonhar com um relacionamento estável e duradouro?

Zygmunt Bauman  –

Ambos os tipos de relacionamento têm suas próprias vantagens e riscos. Em um mundo “líquido”, em rápida mutação, “compromissos para a vida” podem se revelar como sendo promessas que não podem ser cumpridas — deixando de serem algo valioso para virarem dificuldades. O legado do passado, afinal, é a restrição mais grave que a vida pode impor à liberdade de escolha. Mas, por outro lado, como se pode lutar contra as adversidades do destino sozinho, sem a ajuda de amigos fiéis e dedicados, sem um companheiro de vida, pronto para compartilhar os altos e baixo? Nenhuma das duas variedades de relação é infalível. Mas a vida também não o é. Além disso, o valor de um relacionamento é medido não só pelo que ele oferece a você, mas também pelo que oferece aos seus parceiros. O melhor relacionamento imaginável é aquele em que ambos os parceiros praticam essa verdade.

O que explicaria o crescimento do consumo de antidepressivos?

Zygmunt Bauman  –

Você colocou o dedo em um dos muitos sintomas da nossa crescente intolerância ao sofrimento – na verdade, uma intolerância a cada desconforto ou mesmo ligeira inconveniência. Em uma vida regulada por mercados consumidores, as pessoas passaram a acreditar que, para cada problema, há uma solução. E que esta solução pode ser comprada na loja. Que a tarefa do doente não é tanto usar sua habilidade para superar a dificuldade, mas para encontrar a loja certa que venda o produto certo que irá superar a dificuldade em seu lugar. Não foi provado que essa nova atitude diminui nossas dores. Mas foi provado, além de qualquer dúvida razoável, que a nossa induzida intolerância à dor é uma fonte inesgotável de lucros comerciais. Por essa razão, podemos esperar que essa nossa intolerância se agrave ainda mais, em vez de ser atenuada.

E a obsessão pelo corpo perfeito?

Zygmunt Bauman  –

Não é o ideal de perfeição que lubrifica as engrenagens da indústria de cosméticos, mas o desejo de melhorar. E isso significa seguir a moda atual. Todos os aspectos da aparência corporal são, atualmente, objetos da moda, não apenas o cabelo ou a cor dos lábios, mas os tamanhos dos quadris ou dos seios. A “perfeição” significaria um fim a outras “melhorias”. Na cirurgia plástica, são oferecidos aos clientes cartões de “fidelidade”, garantindo um desconto nas sucessivas cirurgias que eles certamente irão realizar. Assim como a indústria de celebridades, a indústria cosmética não tem limites e a demanda por seus serviços pode, a princípio, se expandir infinitamente.

O que está por trás desse culto às celebridades?

Zygmunt Bauman  –

Não é só uma questão de candidatos a celebridades e seu desejo por notoriedade. O que também é uma questão é que o “grande público” precisa de celebridades, de pessoas que estejam no centro das atenções. Pessoas que, na ausência de autoridades confiáveis, líderes, guias, professores, se oferecem como exemplos. Diante do enfraquecimento das comunidades, essas pessoas fornecem “assuntos-chave” em torno dos quais as quase-comunidades, mesmo que apenas por um breve momento, se condensam —para desmoronar logo depois e se recondensar em torno de outras celebridades momentâneas. É por isso que a indústria de celebridades está garantida contra todas as depressões econômicas.

Como fica o futuro nesse contexto de constantes mudanças?

Zygmunt Bauman  –

Nossos ancestrais eram esperançosos: quando falavam de “progresso”, se referiam à perspectiva de cada dia ser melhor do que o anterior. Nós estamos assustados: “progresso”, para nós, significa uma constante ameaça de ser chutado para fora de um carro em aceleração. De não descer ou embarcar a tempo. De não estar atualizado com a nova moda. De não abandonar rapidamente o suficiente habilidades e hábitos ultrapassados e de falhar ao desenvolver as novas habilidades e hábitos que os substituem. Além disso, ocupamos um mundo pautado pelo “agora”, que promete satisfações imediatas e ridiculariza todos os atrasos e esforços a longo prazo. Em um mundo composto de “agoras”, de momentos e episódios breves, não há espaço para a preocupação com “futuro”. Como diz um outro provérbio inglês: “Vamos cruzar essa ponte quando chegarmos a ela”. Mas quem pode dizer quando (e se) chegar e em que ponte?

Há cinco anos, a polícia de Londres matou o brasileiro Jean Charles de Menezes, alegando tê-lo confundido com um terrorista. Por que o mundo está tão paranóico com segurança?

Zygmunt Bauman  –

Essa obsessão e a nossa gestão dos assuntos globais, responsável por reforçá-la, constituem a ameaça mais terrível à nossa segurança. O fantástico crescimento das “indústrias de segurança”, juntamente com a crescente suspeita de perigo que ela evoca, são motivos para antever uma piora das coisas. Se não por qualquer outro motivo, então porque, na lógica das armas de fogo, uma vez carregadas, em algum elas deverão ser descarregadas.

No Brasil, a violência é uma questão especialmente preocupante. Como o sr. enxerga isso?

Zygmunt Bauman  –

Para começar, as favelas servem como uma lixeira para um número enorme de pessoas tornadas desnecessárias em partes do País onde suas fontes tradicionais de sustento foram destruídas — para quem o Estado não tinha nada a oferecer nem um plano de futuro. Mesmo que não declararem isso abertamente, as agências estatais devem estar felizes pelo fato de o povo nas favelas tomar os problemas em suas próprias mãos. Por exemplo, ao construir seus barracos rapidamente e de qualquer forma, usando materiais instáveis, encontrados ou roubados, na ausência de habitações planejadas e construídas pelas autoridades estaduais ou municipais para acomodá-los.

Essa ausência do Estado abriu espaço para os traficantes. O combate às quadrilhas às vezes é usado com justificativa para excessos da polícia. Por que tanta violência?

Zygmunt Bauman  –

As relações entre a polícia e as empresas de tráfico de drogas são, na apropriada expressão de Bernardo Sorj (sociólogo brasileiro, professor da Universidade Federal do Rio), “nem de guerra nem de paz”. Esse amor e ódio entre as duas principais agências de terror aumenta o estigma da favela como o local da violência genocida. Ao mesmo tempo, porém, também contribui para a “funcionalidade” das favelas na manutenção do atual sistema de poder no Brasil. A polícia brasileira tem um longo histórico de tratamento brutal aos pobres, anterior à proliferação relativamente recente das favelas. A brutalidade da polícia é mesmo para ser espetacular. Como não é particularmente bem sucedida no combate à criminalidade e à corrupção, a polícia, para convencer a população de seu potencial coercitivo, deve assustá-la e coagi-la a ser passivamente obediente.

O sr. vê uma solução?

Zygmunt Bauman  –

Algo está sendo feito, mesmo que, até agora, não seja suficiente para cortar um nó firmemente amarrado por décadas, senão séculos. Um exemplo é o Viva Rio (ONG que atua contra a violência). Pequenos passos, talvez, sopros não fortes o suficiente para romper a armadura do ressentimento mútuo e indiferença moral de anos entre “morro” e “asfalto” no Rio. Mas a escolha é, afinal, entre erguer paredes de pedra e aço ou o desmantelamento de cercas espirituais.

O que o sr. diria ao jovens?

Zygmunt Bauman  –

Eu desejo que os jovens percebam razoavelmente cedo que há tanto significado na vida quando eles conseguem adicionar isso a ela através de esforço e dedicação. Que a árdua tarefa de compor uma vida não pode ser reduzida a adicionar episódios agradáveis. A vida é maior que a soma de seus momentos.

ENTREVISTA CONCEDIDA A REVISTA ISTOÉ E PUBLICADA EM 24 DE SETEMBRO DE 2010.

20/07/2013 Posted by | Ferramentas, Liderança, Psicologia, Textos | Deixe um comentário

Transtorno Bipolar

Uma divertida ilustração sobre um transtorno que afetas muitos brasileiros!

Hospital Israelita Albert Einstein!

Uma cortesia de http://www.vidasustentavel.psc.br

26/05/2011 Posted by | Psicologia | Deixe um comentário

Ecstasy – Os efeitos da droga no organismo

Uma divertida ilustração sobre um assunto de saúde publica!

Hospital Israelita Albert Einstein!

Uma cortesia de http://www.vidasustentavel.psc.br

26/05/2011 Posted by | Psicologia | Deixe um comentário

Crianças vêem, crianças repetem!

Um vídeo para encorajar a reflexão do quanto influenciamos os pequenos!

Children Friendly – Make your influence positive!

Uma cortesia de http://www.vidasustentavel.psc.br

24/02/2011 Posted by | Ferramentas, Liderança, Psicologia | 1 Comentário

A MELHOR RESOLUÇÃO DE ANO NOVO – A lista do que “DEIXAR DE FAZER”

 

Qual é A melhor resolução de Ano Novo (antes que ele chegue)? Não seria a lista do ‘Parar de fazer’

Cada vez que é Ano Novo me sento para fazer as resoluções anuais que me remetem de volta a uma lição que aprendi com um notável professor. Quando eu tinha quase 30 anos eu fiz um curso sobre criatividade e inovação com Rochelle Myers e Michael Ray na Stanford Graduate School of Business, e mantive contato com eles depois que me formei.
Um dia, Rochelle apontou para o meu altíssimo ritmo de trabalho e disse: “Eu percebo, Jim, que você é uma pessoa bastante indisciplinada”.

Fiquei confuso e chocado. Afinal, eu era o tipo de pessoa que definia cuidadosamente minhas principais metas, os três principais objetivos e ações para o início de cada Ano Novo e etc. Eu me orgulhava da capacidade de trabalhar incansavelmente para alcançar objetivos, a aplicação da energia que eu herdei de minha avó dava e sobrava para tudo isso e mais um pouco.

“Seu nível de energia permite sua falta de disciplina”, continuou Rochelle. “Em vez de levar uma vida disciplinada, você leva uma vida muito ocupada.”

Ela então me deu o que eu vim à chamar de princípio 20-10. É mais ou menos assim: Suponha que você acordasse amanhã e recebesse dois telefonemas. O primeiro telefonema dizia que você herdou $ 20 milhões, sem restrições nem regras. A segunda ligação diz que você tem uma doença incurável e terminal, e você não tem mais de 10 anos para viver. O que você faria diferente, e, especialmente:

O que você pararia de fazer?

Isso representou uma grande mudança na minha vida, e a lista do “parar de fazer” se tornou um marco nas minhas resoluções de Ano Novo –  uma maneira de pensar disciplinadamente sobre como alocar o mais precioso de todos os nossos recursos:

O tempo.

As palavras de Rochelle, obrigaram-me a ver o quanto eu tinha sido muito intenso, mas nas coisas erradas. Na verdade, eu estava no caminho totalmente errado.

Após a faculdade, eu estava empregado na Hewlett-Packard. Adorei a companhia, mas odiava o trabalho. As palavras de Rochelle me ajudaram a ver que eu estava talhado para ser um professor, um pesquisador, um professor – e não um executivo – e eu precisava fazer uma curva em ângulo reto, uma mudança brusca.

Eu tive que parar trabalhar na minha carreira para poder encontrar a minha verdadeira vocação. Eu pedi demissão da HP e fui para a Stanford Business School onde me tornei professor, felizmente labutando na minha pesquisa e escrita.

A lição de Rochelle, me veio a memória alguns anos mais tarde, enquanto, tentando analisar os dados de uma pesquisa em 11 empresas que transacionaram com sucesso da mediocridade à excelência, de boa a ótima. Na etapa de catalogação, uma das etapas-chave nessa pesquisa da transição, minha equipe de pesquisa e eu estavamos impressionados com a quantidade de empresas onde as grandes decisões não eram o que fazer, mas que parar de fazer.

O caso, talvez o mais famoso, foi o de Darwin Smith, da Kimberly-Clark – um homem que havia sobrevivido a um câncer de garganta que disse um dia a sua esposa: “Eu aprendi algumas coisas com o meu câncer. Mas talvez a mais importante delas tenha sido: Se você tem um câncer no braço, você tem que ter a coragem de cortar o braço. Eu tomei uma decisão: Vamos vender as fabricas”.

Na época, a Kimberly-Clark tinha a maior parte das receitas advindas do negócio tradicional de papel. Mas Smith começou fazendo três perguntas importantes: Será que estamos apaixonados pelo negócio do papel? Podemos ser os melhores do mundo? O negócio de papel é o que melhor direciona nosso potencial de lucro?

A resposta veio: não, não e não.

E assim, Smith tomou a decisão de parar de atuar no ramo de papel e começou o processo de venda de equipamentos e estruturas que representavam 100 anos de sua história empresarial – e jogar todos os recursos resultantes para o negócio de bens de consumo (construção de marcas tais como Kleenex), e então vieram sim, sim e sim como resposta para as mesmas perguntas.

O Ano Novo é um momento perfeito para começar a fazer uma lista do que parar de fazer e fazer desta lista a pedra angular suas resoluções de Ano Novo, seja para sua empresa, sua família ou para si mesmo. Ele também é um momento perfeito para esclarecer esse três pontos. Focando no nível pessoal as três perguntas feitas por Smith são as seguintes:

1) O que você faz com profunda paixão?
2) O que na rotina você foi criado para fazer e o que você está fazendo por fazer?
3) Quais das suas vocações tem um potencial de resultado econômico para sua vida?

Aqueles que encontrarem ou criarem uma intersecção prática desses três pontos tem uma boa base para o trabalho e para a vida.

Se você fizer um inventário de suas atividades, hoje, qual o percentual do seu tempo está fora desses três pontos?
Se for mais de 50%, então lista do “parar de fazer” pode ser sua ferramenta mais importante. A pergunta é: Será que o bom está suficiente ou você tem coragem de vender as fábricas?

Olhando para trás, vejo agora Rochelle Myers como uma das poucas pessoas que eu conheço que conseguem gerir de maneira nobre a sua vida enquanto realizam um trabalho verdadeiramente gratificante. Isso resultou em grande parte de sua simplicidade notável.

Uma casa simples. Uma programação simples. Um quadro simples para seu trabalho.

Rochelle me falou várias vezes sobre a idéia de “fazer da sua vida uma obra de arte criativa”.

Uma grande obra de arte é composta sim pelo que fica pronto na parte final, mas o que vem antes da conclusão é igualmente importante.

É a disciplina para descartar o que não se encaixa, para cortar fora o que pode ter custado dias ou mesmo anos de esforço, o que distingue o artista verdadeiramente excepcional e que marca a parte fundamental do trabalho; seja ele uma sinfonia, um romance, uma pintura , uma sociedade ou, o mais importante de tudo, uma vida.

FELIZ ANO NOVO!

Traduzido e adaptado por Shalon Lages de Best New Year´s Resolution and “Stop doing list”(J. Collins)

Jim Collins é autor de Good to Great e co-autor de Built to Last

25/11/2010 Posted by | Liderança, Textos | 1 Comentário

As Fases do Esgotamento pelo Stress no Trabalho/Estudo

O Stress é uma das mais terríveis manifestações existentes pois seus sintomas podem gerar um número enorme de doenças, tanto físicas quanto psíquicas, podendo ter efeitos desastrosos na família, relações sociais, trabalho e saúde.

Um profissional de qualquer área, principalmente das que exigem maior responsabilidade ou maior volume de trabalho, está fortemente sujeito aos maléficos efeitos do stress. Estes podem ser facilmente percebidos em um grande número de profissionais de várias áreas como TI, gerencia, CEO, empresários, empreendedores e etc. Funções que exigem grande responsabilidade e por isto grande pressão podem ser uma potencial fonte de stress. Contudo, mesmo profissionais com cargas de trabalho menores ou funções consideradas menos estressantes podem adquirir stress. Tudo depende de como nos relacionamos com nosso trabalho.

Segundo os pesquisadores Herbert Freudenberger e Gail North, o esgotamento profissional não ocorre da noite para o dia, mas é um processo gradual. Sendo assim eles dividiram o processo de esgotamento em 12 estágios (a ordem em que aparecem no texto não necessariamente é a ordem em que se manifestam nas pessoas).

  1. Necessidade de se afirmar
    No começo, verifica-se com frequência uma ambição exagerada. Ãnsia por fazer as coisas, interesse e desejo de se realizar na profissão transformam-se em obstinação e na compulsão por desempenho. É preciso provar constantemente aos colegas – e, sobretudo, a sí mesmo – que faz o trabalho muito bem e que é plenamente capaz.
  2. Dedicação intensificada
    Para fazer juz às espectativas desmedidas, vai-se um pouco além e se intensifica a dedicação. Delegar tarefas torna-se cada vez mais difícil. Em vez disto, predomina o sentimento de que tem de fazer tudo sozinho, até para demonstrar que é imprescindível.
  3. Descaso com as próprias necessidades
    Práticamente todo otempo disponível é reservado para a vida profissional. Outras necessidades, como dormir, comer ou encontrar-se com amigos são descvartadas como fúteis. Atividades de lazer perdem o sentido. A pessoa justifica para sí mesma a renúncia como desempenho heróico.
  4. Recalque de conflitos
    Percebe-se que alguma coisa não vai bem, mas não se enfrenta o problema. Confronta-lo pode deflagrar uma crise e, por isso, o problema é visto como uma ameaça. Os primeiros problemas físicos começam a aparecer.
  5. Reinterpretação dos valores
    Isolamento, fuga dos conflitos e negação das próprias necessidades modificam a percepção. O que antes era importante, como amigos ou passatempo, sofre uma completa desvalorização. A única medida da própria relevância e da auto-estima é o trabalho. Tudo o mais é subordinado a esse objetivo. O embotamento emocional é visível.
  6. Negação de problemas
    O principal sintoma desta fase é a intolerância. Os outros são percebidos como incapazes, preguiçosos, exigentes demais ou indisciplinados. Predomina o sentimento de que os contatos sociais são quase insuportáveis. Cinismo e agressão tornam-se mais evidentes. Eventuais problemas são atribuidos exclusivamente à falta de tempo e à jornada de trabalho, e não à transformação pela qual se está passando.
  7. Recolhimento
    Os contatos sociais são reduzidos ao mínimo. Vive-se recolhido, com a crescente sensação de desesperança e desorientação. No trabalho, “faz-se estritamente o necessário”. Nesta fase, muitos recorrem ao álcool ou às drogas.
  8. Mudanças evidentes de comportamento
    Agora, é impossível para os outros não perceber a transformação pessoal. Os outrora tão dedicados e ativos revelam-se amedrontados, tímidos e apáticos. Atribuem a culpa ao mundo à sua volta. Interiormente sentem-se cada vez mais inúteis.
  9. Despersonalização
    Nesta fase, rompe-se o contato consigo próprio. Ninguém mais parece ter valor, nem o próprio afetado nem os outros, as necessidades pessoais deixam de ser percebidas. A perspectiva temporal restringe-se ao presente. A vida é rebaixada ao mero funcionamento mecânico.
  10. Vazio interior
    A sensação de vazio interior é cada vez mais forte e mais ampla. A fim de superá-la, procura-se nervosamente por atividades. Surgem reações excessivas, como intensificação da vida sexual, alimentação exagerada e consumo de álcool e drogas. Tempo livre é tempo vazio, entorpecido.
  11. Depressão
    Aqui, sindrome do esgotamento equivale a depressão. A pessoa se torna indiferente, desesperançada, exausta e não vê perspectivas. Todos os sintomas dos estados depressivos podem se manifestar, desde a agitação até a apatia. A vida perde o sentido.
  12. Síndrome do esgotamento profissional
    Este estágio corresponde ao total colapso físico e psíquico. Quase todos os afetados pensam em suicidio e não são poucos os que a ele recorrem. Pacientes neste estado constituem casos de emergência: precisam de ajuda médica e psicológica o mais rápido possível.

Tendo em vista os doze estágios listados acima cabe ao profissional avaliar com profunda sinceridade seu estado atual. Permanecer em um estado de stress constante pode, além dos efeitos citados anteriormente, inclusive comprometer seriamente a qualidade do trabalho e seu rendimento.

Apesar das exigências modernas pela velocidade e produtividade é necessário avaliar nossos limites físicos e psíquicos para que o trabalho ou a vida profissional, acima de tudo, tenham qualidade, peça fundamental nas empresas modernas.

22/11/2010 Posted by | Textos | 2 Comentários

Carta aberta sobre o posicionamento do Pr. Paschoal Piragine sobre as eleições 2010.

Carta aberta sobre o posicionamento do Pr. Paschoal Piragine sobre as eleições 2010.

O vídeo e o posicionamento do Paschoal Piragine sobre as eleições 2010 têm causado verdadeiro frisson na comunidade evangélica brasileira. Mas não se preocupem pastores, todos nós vez por outra falamos bobagens impensadas, pouco refletidas (assim espero) e isso não seria privilégio do Pr. Paschoal, mas uma constante no ser humano, ser falível, como eu e você que me lê. Qualquer um que se aventure a difícil tarefa de se expressar está sob esse risco. Hesitei em escrever sobre esse pronunciamento por achar uma perda de tempo “responder” a tamanha tolice, com todo o respeito, mesmo tendo ficado mais uma vez decepcionado com os rumos do cristianismo no Brasil. Contudo inspirado em palavras do também Pr. Batista, Dr. Martin Luther King Jr, não consegui ficar calado ao começar a receber, via todas as mídias sociais, apelos para me engajar no chamado “movimento contra a iniqüidade” citado no tal vídeo e no tal pronunciamento.

Nessa “carta aberta”, em alguns momentos vou me referir ao pronunciamento e em alguns momentos ao Pr. Paschoal por ser ele o autor do pronunciamento. Não revisei, não corrigi; fui escrevendo, muitas vezes ponto a ponto…e que Deus nos abençoe! (Meus comentários estão em negrito e itálico)

A primeira pergunta do Pr. Paschoal Piragine é sobre INIQUIDADE: O que é iniquidade? E ele segue;  

“Iniqüidade é quando a gente tá tão acostumado ao pecado que a gente não tem mais vergonha de cometê-lo e ele passa a ser algo tremendamente natural na nossa vida”

A definição correta, ainda que incompleta, acima mencionada, é interessante. Mas nos últimos 30 anos, e tenho 34 anos, se eu fosse fazer um vídeo sobre iniqüidade “institucionalizada” no Brasil, teria que contar com a paciência dos expectadores, pois faria “Ben Hur” parecer um comercial da NBA. Não vi no vídeo nada sobre os órfãos deixados pelos assassinatos brutais durante os anos da ditadura no Brasil, não vi nada sobre censura, garantias dos direitos fundamentais do cidadão independente de sua orientação religiosa, não vi nada sobre desigualdade social, racismo, AIDS; não vi nada sobre corrupção nem mesmo quando ela teve como pivôs nossos irmãos em cristo que passam a semana no Planalto Central. Vale lembrar que nesses últimos 30 anos, é publico, que muitos “vampiros”, “sanguessugas”, e até “mensaleiros” tinham uma grande bíblia preta no sovaco.

Continua então: E a bíblia diz que quando a iniqüidade chega (…), é tempo que Deus tem que julgar sua terra, julgar seu povo, julgar uma nação”.

Realmente, eu tenho medo do que Deus fará, mas não com o Brasil em primeira instancia, mas tenho medo sim de quando Ele julgar aqueles a quem chama de “a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido” Quem são os leprosos do século XXI? Quem são os Samaritanos? Quem são as viúvas pobres e quem são os pródigos? Na outra ponta, quem são os Escribas e Fariseus? Quem são os publicanos? Que são os idolatras (geralmente dizem simplesmente que são os irmãos católicos). E o que é o objeto dessa idolatria? Há uma clara incoerência entre a manjedoura e o palácio e só não vê quem não quer. O que será que Deus dirá da omissão do Seu povo? Das brigas estúpidas pelo que o Ap. Paulo chamou de “matérias disputáveis”, assuntos bobos, tolices.

E é por causa disso que eu tenho que falar uma coisa que durante 30 anos no meu ministério eu nunca fiz. Completei 30 anos de ministério no dia 08 de agosto, e nesses 30 anos eu nunca fiz o que eu fiz hoje pela manhã e vou fazer agora á noite.

Pastor, siga o exemplo de Lutero, ensine a Bíblia e os bêbados caírão trôpegos naturalmente no caminho pelo poder da palavra. Caso contrário, humildemente rogo que fique sem falar por mais 30 anos.

Eu quero dizer pra vocês que nós precisamos tomar muito cuidado com essas eleições que vão acontecer porque existe uma serie de leis que estão tramitando que vão depender do voto do Deputado Federal, do voto do senador que vão ser incorporadas pela ação da maquina estatal através da presidência da republica, nós vamos estar votando nessas pessoas no próximo mês, que vai tomar força também nas câmaras estaduais, nas ações que são feitas através do estado, e nós precisamos de valores cristãos trabalhando nesses contextos.

Cuidado e prudência em eleições sempre foi necessário, mas é fato que nos últimos 30 anos não tivemos tantas oportunidades assim de exercitar isso pois em parte desse tempo isso nem era possível. A propósito, muitos pastores nossos estavam era recebendo “flores” do regime ditatorial. Nossa “colonização” batista do sul dos estados unidos, do mesmo sul de George W. Bush e dos Cavaleiros da Klã, invocava o verso que fala sobre submissão a autoridade constituída por “deus” para rezar na cartilha e ficar em berço esplêndido. De fato, muita atenção nessas eleições. Aprecio seu destaque ao cuidado com o voto para as câmaras, mesmo sabendo que nossos motivos são diferentes. Nesse Blog, há um texto interessante do amigo Bento Souto. O título? EU VOTO É NO SAMARITANO. Esse texto explica porque não necessariamente voto em “irmão” que “combate” a “iniquidade institucionalizada”

Por causa disso está acontecendo no Brasil um movimento que eu faço parte agora, graças a Deus, de lideres cristão de varias denominações, evangélicos e católicos, que estão trabalhando para que a gente possa impedir que a iniqüidade seja institucionalizada na forma de lei. Por isso alguns pastores tem se posicionado firmemente no radio, na televisão, com suas igrejas e também a CNBB(Conferencia Nacional dos Bispos do Brasil), nessa ultima semana escreveu um documento e publicou e lançou na mão de toda a imprensa, se posicionando com relação a esses assuntos.

Fico admirado com a naturalidade com a qual o senhor fala dessa “parceria ideológica“ com a CNBB. Até bem pouco tempo isso levava a “fogueira da inquisição” batista sob o estigma de “ecumênico” no uso mais simplista e preconceituoso que poderia se fazer dessa bela palavra. Mas porque ninguém foi a publico apoiar a CNBB quando ela pressionou o governo para agir com políticas que reduzissem o valor da cesta básica no Brasil? Deus nos ajude, de agora em diante, e conto com a sua influencia, a nos juntarmos ao que de bom Deus estiver fazendo ao nosso redor.

Eu vou pedir que você assista um vídeo de alguns minutos que fala desses problemas e de como nos precisamos levar isso a sério porque isso tudo o que vai passar aqui é iniqüidade institucionalizada e que nos precisamos nos posicionar e dizer”nós não queremos isso na nossa nação” e procurar pessoas que nos representem pra dizer “vou votar contra essas coisas” porque caso o contrario a iniqüidade será oficializada, e Deus não vai ter outra coisa a fazer a não ser julgar a nossa terra.

Olha, eu queria saber se alguém que me lê, conhece uma só pessoa que se posicione a favor da pedofilia. Ninguém mesmo! Muito menos o PT que tem em seus quadros pessoas engajadas a muitos anos na luta, não só contra a pedofilia, mas contra a prostituição infantil e afins. Queria dizer que se o PLC122/2006 é apelidado de lei da mordaça, eu queria ter inventado esse apelido. O que eu já ouvi de absurdos sobre esse assunto só porque a nossa liberdade de credo nos dava lastro para tal não tá no gibi. Se isso vai parar, é benção. Vejo com bons olhos precisarmos pensar mais responsavelmente quando esse for o assunto. Não acho que Jesus, caminhando no nosso meio hoje, fosse dar grandes bolas pra esse tema diante de pautas tão urgentemente anteriores a essas. A questão do infanticídio indígena não pode também ser tratado passionalmente. Qualquer pessoa que viva no nosso contexto cultural ficaria chocada, mas não é uma questão passional, nem “religiosista”. É um tema de alta complexidade jurídico-antropológica, e por isso eu me atenho a mencionar a complexidade do tema e a tira-lo do debate reducionista de pecado ou não pecado. O fim de tudo é que o vídeo é claramente de extrema direita, e eu conheço bem a extrema direita. Venho de lá! Mas prefiro dizer que o vídeo é de uma infelicidade sem tamanho.

Há um partido político que fechou questão sobre esse assunto, o partido político que é o PT de nosso presidente, em seu congresso desse ano, ele, no seu congresso geral, quando eles indicam seus deputados, ele fechou questão sobre essas questões. Ou seja, se um deputado, se um senador do PT, se ele votar contra, de acordo com sua consciência, contra qualquer uma dessas leis, ele é expulso do partido. Já dois deputados federais foram expulsos do PT, por se manifestarem contra o aborto. Isso fez com que a igreja católica se manifestasse publicamente, por que eles estavam ligados a igreja católica, junto ao PT, e se manifestarem contra, e por isso foram expulso do partido. E a igreja católica então emitiu nota pública dizendo: olha não votem em ninguém do PT. Eu diria para você a mesma coisa. Algumas pessoas não vão gostar do que eu estou falando, mas estou falando bem claramente. Porque quando não se pode votar com a consciência, não adianta votar em pessoas, porque o partido já fechou questão.

Primeiro não sou Advogado e muito menos Advogado do PT. Mas não há uma verdade se quer nessas afirmações que chegaram ao pastor. Acredito, pela caminhada idônea do pastor, que faltou informação e não acredito em ma fé a priori. Mas se alguém quiser me tirar do sério, que diga simplesmente “NÃO VOTEM NO PT” aqui na Bahia (e não deve ser diferente no resto do Brasil). Aqui, Walter Pinheiro é um dos homens mais sérios que eu já conheci. Ele vota com o PT, pois é o seu partido, quando isso não fere seu credo e suas liberdades individuais previstas no estatuto do Partido dos Trabalhadores. Aqui, Neuza Cadore, ex-freira católica, depois de fazer um trabalho brilhante no sertão, E SER CRUELMENTE SABOTADA PELA EXTREMA DIREITA, é hoje uma legítima representante do REINO DE DEUS, no que isso tem de mais inclusivo, na Assembléia Legislativa do Estado. Portanto, esse dois exemplos me dão a certeza de que foi uma afirmativa muito, muito, muito infeliz generalizar o PT. Eu não digo pra ninguém votar ou não votar em partido ou pessoa alguma. Se eu oriento alguém politicamente apelo pra sua dedicação pessoal, discernimento, pesquisa e busca da verdade sobre cada candidato.

Mas além de tudo, eu ficaria triste de ver, por via judicial, o PT assumir o púlpito da PIB de Curitiba para exercer o seu direito de resposta assegurado pelo código eleitoral. Pastor Paschoal, alguém no PT decidiu caminhar a segunda milha com o senhor se isso não acontecer.

Então eu queria pedir para você levar a sério essa questão. Como pastor eu nunca fiz isso. Eu não estou dizendo para você votar em A ou B. Eu vou dizer para você em quem não votar: em pessoas que estejam trabalhando pela iniqüidade em nossa terra.

Porque senão queridos, Deus vai julgar a nossa terra. E se Deus julgar a nossa terra, isso vai acontecer na tua vida na minha vida, porque eu faço parte dessa terra. Porque Deus não tolera iniquidade. Amem? (Aplausos)”

Pastor, nessa carta aberta, eu queria fazer algumas considerações, e agora, considerações finais. Primeiro, parabéns pelos seus 30 anos de ministério. Ninguém pode descrever apenas com palavras as agruras do ministério pastoral. As solidões no meio da multidão, a sobrecarga e as conseqüências visíveis e invisíveis de um dia ter se dedicado integralmente ao ministério pastoral. Segundo, se nunca fez isso nesses 30 anos, passe mais 30 sem fazer ou consulte seus mestres e mentores. E por ultimo, queria contar uma breve historia: Quando houve toda aquela crise desencadeada pelo Dep. Roberto Jeferson, eu pensava com meus botões: “Se o presidente Lula fosse a publico e confessasse seu erro, ou omissão ou incompetência. Se o PT fizesse o mesmo (…). Na minha ignorância das complexidades da política eu creio que o desfecho seria mais limpo e proveitoso para a construção não só de um projeto de longo prazo para o PT, mas para o amadurecimento da nossa frágil democracia”. De volta ao pronunciamento do púlpito da PIB de Curitiba, eu pediria a mesma coisa com todo o amor do mundo: Se o senhor for a publico e prestar alguns esclarecimentos eu creio que será de uma grandeza imensurável e os dividendos disso para as gerações de Cristãos e cidadãos brasileiros serão imensos e colhidos por gerações. Eu quero estar sempre apto a me posicionar, pensar livremente, discutir e sempre que necessário dizer: EU ERREI! É esse meu humilde conselho ao senhor porque eu gostaria de receber tal conselho que só seria dado por alguem que se importasse comigo. Deus nos abençoe das formas mais abrangentes que o Seu infinito e gracioso amor puder, e que isso seja instrumento, não para julgamento, mas para redenção da nossa nação e de nós mesmos.

Fraternalmente,

 

Shalon Riker Lages

15/09/2010 Posted by | Igreja, Liderança, Politica Nacional, Textos | 29 Comentários