Carta de uma prisão em Birmingham

16 de abril de 1963
Meus caros amigos clérigos,
Durante meu confinamento aqui na prisão municipal de Birmingham, deparei-me com sua declaração recente chamando minhas atividades atuais de “insensatas e inoportunas”. Raramente paro para responder a críticas do meu trabalho e ideias. Se tentasse responder a todas as críticas que passam pela minha mesa, minhas secretárias mal teriam tempo para outra coisa que não para essas correspondências no decorrer do dia, e eu não teria tempo algum para o trabalho construtivo. Mas, como sinto que vocês são homens de genuína boa vontade e que suas críticas são expostas com sinceridade, quero tentar responder a sua declaração em termos que espero que sejam pacientes e razoáveis.
Acho que devo mencionar por que estou aqui em Birmingham, já que vocês foram influenciados pela visão que se opõe aos “forasteiros invasores”. Tenho a honra de servir como presidente da Conferência Sulista de Liderança Cristã (Southern Christian Leadership Conference), uma organização que opera em todos os estados sulistas, com sede em Atlanta, Geórgia. Temos cerca de oitenta organizações filiadas por todo o Sul, e uma delas é o Movimento Cristão pelos Direitos Humanos do Alabama (Alabama Christian Movement for Human Rights). Frequentemente, compartilhamos pessoal, recursos educacionais e financeiros com nossos afiliados. Muitos meses atrás, a afiliada aqui em Birmingham pediu-nos para ficar de sobreaviso para tomarmos parte em um programa de ação direta e pacífica, se isso fosse considerado necessário. Nós prontamente concordamos, e, quando o momento chegou, honramos nossa promessa. Assim, eu, junto a vários membros do meu pessoal, estou aqui porque fui convidado. Estou aqui porque tenho vínculos organizacionais aqui.
No entanto, mais fundamentalmente, estou em Birmingham porque a injustiça está aqui. Assim como os profetas do século VIII A.C. abandonaram suas vilas e levaram seu “assim disse o Senhor” muito além das fronteiras de suas cidades natais, e assim como o Apóstolo Paulo abandonou sua vila de Tarso e levou o evangelho de Jesus Cristo às mais remotas partes do mundo greco-romano, também eu sou compelido a levar o evangelho da liberdade para além de minha própria cidade natal. Como Paulo, devo constantemente responder ao chamado macedônio por ajuda.
Além disso, estou ciente do inter-relacionamento entre todas as comunidades e Estados. Não posso ficar ociosamente parado em Atlanta e não estar preocupado com o que acontece em Birmingham. A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todos os lugares. Estamos presos em uma rede inescapável de mutualidade, atados em um único laço do destino. Algo que aja sobre alguém diretamente age sobre todos indiretamente. Não podemos nunca mais nos permitir viver com a ideia estreita, provinciana, do “forasteiro agitador”. Qualquer pessoa que viva dentro dos Estados Unidos não pode jamais ser considerada um forasteiro em qualquer lugar dentro de suas fronteiras.
Vocês deploram as manifestações que estão ocorrendo em Birmingham. Mas sua declaração, sinto dizer, deixa de expressar preocupação semelhante com as condições que provocaram as manifestações. Tenho certeza de que nenhum de vocês gostaria de descansar contente com o tipo raso de análise social que trata meramente dos efeitos e não ataca as causas subjacentes. É lamentável que as manifestações estejam ocorrendo em Birmingham, mas é ainda mais lamentável que a estrutura de poder dos brancos da cidade tenha deixado a comunidade negra sem alternativa.
Em qualquer campanha pacífica, há quatro passos básicos: coleta dos fatos para determinar se existem injustiças; negociação; auto-purificação; e ação direta. Efetuamos todos esses passos em Birmingham. Não pode haver nenhum ganho em enunciar o fato de que a injustiça racial engole essa comunidade. Birmingham é provavelmente a cidade mais completamente segregada dos Estados Unidos. Sua feia história de brutalidade é amplamente conhecida. Os negros experimentaram um tratamento grosseiramente injusto nos tribunais. Houve mais bombardeios não solucionados de casas e igrejas negras em Birmingham do que em qualquer outra cidade no país. Esses são os fatos duros e brutais do caso. Com base nessas condições, os líderes negros tentaram negociar com as autoridades da cidade. Mas os últimos recusaram-se consistentemente a tomar parte em negociações de boa fé.
Então, no último mês de setembro, surgiu a oportunidade de falar com os líderes da comunidade econômica de Birmingham. No decorrer das negociações, certas promessas foram feitas pelos comerciantes – por exemplo, de remover os sinais raciais humilhantes das lojas. Com base nessas promessas, o reverendo Fred Shuttlesworth e os líderes do Movimento Cristão pelos Direitos Humanos de Alabama acordaram uma interrupção das manifestações. Com o passar de semanas e meses, percebemos que éramos as vítimas de uma promessa quebrada. Alguns sinais, removidos por pouco tempo, retornaram; outros permaneceram. Como em muitas outras experiências anteriores, nossas esperanças tinham sido destruídas, e a sombra de uma decepção profunda caiu sobre nós. Não tínhamos alternativa a não ser nos prepararmos para a ação direta, por meio da qual exibiríamos nossos próprios corpos como um meio de apresentar nossa causa à consciência das comunidades local e nacional. Cientes das dificuldades envolvidas, decidimos empreender um processo de auto-purificação. Iniciamos uma série de oficinas sobre o pacifismo, e repetidamente nos perguntávamos: “Vocês são capazes aceitar golpes sem retaliar?” “Vocês são capazes de resistir à provação da cadeia?” Decidimos marcar nosso programa de ação direta no período de Páscoa, percebendo que, exceto pelo Natal, é o principal período de compras do ano. Sabendo que um programa vigoroso de retração econômica seria o efeito colateral da ação direta, sentimos que esse seria o melhor momento para aplicar uma pressão sobre os comerciantes em prol da mudança necessária.
Então, demo-nos conta de que a eleição para prefeito de Birmingham ocorreria em março, e rapidamente decidimos postergar a ação para depois do dia de eleição. Quando descobrimos que o Comissário de Segurança Pública, Eugene “Touro” Connor, havia reunido votos suficientes para ir ao segundo turno, decidimos mais uma vez postergar a ação para depois do dia do segundo turno, para que as manifestações não pudessem ser usadas para obscurecer os temas. Como muitos outros, esperávamos ver a derrota do Sr. Connor, e com esse fim aguentamos adiamento após adiamento. Tendo ajudado nessa necessidade da comunidade, sentimos que nosso programa de ação direta não poderia mais ser atrasado.
Vocês podem muito bem perguntar: “Por que ação direta? Por que sit-ins, marchas e assim por diante? Não seria a negociação um caminho melhor?” Vocês estão bastante certos em clamar por negociações. Na verdade, esse é o real propósito da ação direta. A ação direta pacífica busca criar uma tal crise e promover uma tal tensão que a comunidade que constantemente se recusou a negociar é forçada a confrontar o tema. Ela busca, assim, dramatizar um tema que não pode mais ser ignorado. Minha referência à criação de tensão como parte do trabalho do resistente pacífico pode soar um tanto chocante. Mas devo confessar que não tenho medo da palavra “tensão”. Opus-me veementemente à tensão violenta, mas há um tipo de tensão construtiva, pacífica, que é necessária para o crescimento. Assim como Sócrates sentiu que era necessário criar uma tensão na mente para que os indivíduos pudessem ascender da servidão de mitos e de meias verdades ao reino livre de amarras da análise criativa e da avaliação objetiva, também nós temos de ver a necessidade de impertinentes pacíficos para criar o tipo de tensão na sociedade que ajudará os homens a ascenderem das escuras profundezas do preconceito e do racismo às alturas majestosas da compreensão e da fraternidade. O propósito de nosso programa de ação direta é criar uma situação tão recheada de crise que inevitavelmente abrirá as portas à negociação. Eu, portanto, concordo com vocês no seu clamor por negociações. Nossas amadas terras do Sul têm estado atoladas por tempo demais em um trágico esforço para viver em um monólogo ao invés de em um diálogo.
Um dos pontos fundamentais em sua declaração é o de que a ação que eu e meus associados tomamos em Birmingham é inoportuna. Alguns perguntaram: “Por que vocês não deram à nova administração da cidade tempo para agir?” A única resposta que posso dar a essa indagação é que a nova administração de Birmingham tem de ser incitada tanto quanto a que está de saída, antes que ela aja. Estaremos tristemente enganados se sentirmos que a eleição de Albert Boutwell como prefeito trará uma época de ouro a Birmingham. Embora o Sr. Boutwell seja uma pessoa muito mais tolerante do que o Sr. Connor, ambos são segregacionistas, dedicados à manutenção do status quo. Tenho esperança em que o Sr. Boutwell será razoável o bastante para notar a futilidade de uma resistência ampla ao fim da segregação. Mas ele não notará isso sem a pressão dos partidários dos direitos civis. Meus amigos, tenho de dizer a vocês que não obtivemos um único ganho em direitos civis sem uma firme pressão legal e pacífica. Lamentavelmente, é um fato histórico que grupos privilegiados raramente renunciam aos seus privilégios por vontade própria. Indivíduos podem ver a luz da moral e renunciar voluntariamente às suas posturas injustas; mas, como Reinhold Niebuhr lembrou-nos, grupos tendem a ser mais imorais do que indivíduos.
Sabemos por meio de experiências dolorosas que a liberdade nunca é voluntariamente concedida pelo opressor; ela tem de ser exigida pelo oprimido. Francamente, ainda não tomei parte em uma campanha de ação direta que fosse “oportuna” na visão daqueles que não sofreram indevidamente da doença da segregação. Já faz anos que ouço a palavra “Espere!” Ela ressoa nos ouvidos de cada negro com uma familiaridade aguda. Esse “espere” quase sempre significou “nunca”. Temos de chegar à percepção, junto com um de nossos eminentes juristas, de que “a justiça adiada por muito tempo é justiça negada”.
Esperamos por mais de 340 anos por nossos direitos constitucionais e concedidos por Deus. As nações da Ásia e da África estão dirigindo-se com uma velocidade a jato rumo à conquista da independência política, mas nós ainda nos arrastamos a passo de cavalo e de charrete rumo à conquista de uma xícara de café em um aparador. Talvez seja fácil àqueles que nunca sentiram os dardos perfurantes da segregação dizer “espere”. Mas quando você viu bandos perversos lincharem suas mães e pais à vontade e afogar suas irmãs e irmão a seu capricho; quando você viu policiais cheios de ódio amaldiçoarem, chutarem e até matarem seus irmãos e irmãs negros; quando você vê a vasta maioria de seus vinte milhões de irmãos negros sufocando-se em uma jaula hermética da pobreza em meio a uma sociedade de abundância; quando você de repente descobre sua língua travada e sua fala gaga ao tentar explicar a sua irmã de seis anos de idade por que ela não pode ir ao parque de diversões público cuja propaganda acabou de passar na televisão, e vê lágrimas jorrando dos olhos dela quando lhe é dito que o Funtown está fechado para crianças de cor, e vê ameaçadoras nuvens de inferioridade começando a se formar no pequeno céu mental dela, e a vê começar a distorcer sua personalidade ao desenvolver um rancor inconsciente contra as pessoas brancas; quando você tem de inventar uma resposta a um filho de cinco anos de idade que está perguntando: “papai, por que as pessoas brancas tratam as pessoas de cor tão mal?”; quando você faz uma viagem através de seu estado e descobre ser necessário dormir noite após noite nos cantos desconfortáveis de seu carro porque nenhum motel o aceita; quando você é humilhado entra dia sai dia por sinais irritantes dizendo “branco” e “de cor”; quando seu prenome torna-se “neguinho”, seu nome do meio torna-se “menino” (não importa sua idade) e seu sobrenome torna-se “John”, e sua mulher e mãe nunca são chamadas pelo título respeitável de “Sras.”; quando você é perseguido de dia e assombrado à noite pelo fato de que você é um negro, vivendo constantemente na ponta dos pés, sem saber exatamente o que esperar em seguida, e é atormentado por medos interiores e ressentimentos exteriores; quando você está sempre lutando contra uma impressão degradante de “não ser ninguém” – então você entenderá porque achamos difícil esperar. Chega um momento em que a capacidade de suportar esgota-se, e os homens não estão mais dispostos a mergulhar no abismo do desespero. Espero, senhores, que vocês possam compreender nossa impaciência legítima e inevitável. Vocês manifestam uma boa dose de ansiedade quanto à nossa disposição de violar as leis. Essa é certamente uma preocupação legítima. Como nós exortamos tão ativamente as pessoas a obedecerem à decisão de 1954 da Suprema Corte que baniu a segregação em escolas públicas, à primeira vista pode parecer um tanto paradoxal que nós conscientemente violemos leis. Também se poderia perguntar: “Como vocês podem advogar a violação de certas leis e a obediência a outras?” A resposta está no fato de que existem dois tipos de leis: as justas e as injustas. Eu seria o primeiro a advogar a obediência a leis justas. Tem-se uma responsabilidade não só legal como também moral de obedecer a leis justas. De modo contrário, tem-se uma responsabilidade moral de desobedecer a leis injustas. Concordaria com Santo Agostinho em que “uma lei injusta simplesmente não é lei”.
Agora, qual é a diferença entre as duas? Como se pode determinar se uma lei é justa ou injusta? Uma lei justa é um código produzido pelo homem que se ajusta à lei moral ou à lei de Deus. Uma lei injusta é um código que está em desacordo com a lei moral. Para colocar nos termos de Santo Tomás de Aquino: uma lei injusta é uma lei humana que não está radicada na lei eterna e na lei natural. Qualquer lei que eleve a personalidade humana é justa. Qualquer lei que degrade a personalidade humana é injusta. Todos os estatutos segregacionistas são injustos porque a segregação desfigura a alma e danifica a personalidade. Ela dá ao segregador uma falsa impressão de superioridade e aos segregados, uma falsa impressão de inferioridade. A segregação, para usar a terminologia do filósofo judeu Martin Buber, substitui uma relação “eu-você” por uma relação “eu-isso” e acaba por relegar pessoas à condição de coisas. Portanto, a segregação não é apenas política, econômica e sociologicamente doentia: é moralmente errada e pecaminosa. Paul Tillich disse que o pecado é uma separação. A segregação não é uma expressão existencial da trágica separação do homem, da sua horrível alienação, da sua terrível pecaminosidade? Sendo assim, posso exortar os homens a obedecerem à decisão de 1954 da Suprema Corte, porque ela é moralmente correta; e posso exortá-los a desobedecerem a normas segregacionistas, porque elas são moralmente erradas.
Consideremos um exemplo mais concreto de leis justas e injustas. Uma lei injusta é um código que um grupo majoritário em termos de poder ou de número compele um grupo minoritário a obedecer, mas ao qual não se sujeita. Isso é a diferença tornada legal. Pela mesma razão, uma lei justa é um código que uma maioria compele uma minoria a seguir e que ela própria está disposta a seguir. Isso é a igualdade tornada legal. Deixe-me fazer outro esclarecimento. Uma lei é injusta se for imposta a uma minoria que, por ter o direito de votar negado a si, não participou da decretação ou da criação da lei. Quem pode dizer que o parlamento do Alabama que constituiu as leis segregacionistas daquele Estado foi democraticamente eleito? Por todo o Alabama, todos os tipos de métodos tortuosos foram usados para impedir os negros de tornarem-se eleitores registrados, e há alguns municípios em que, embora os negros componham a maioria da população, um negro sequer está registrado. Qualquer lei decretada sob essas circunstâncias pode ser considerada democraticamente estruturada?
Às vezes, uma lei é justa no papel e injusta na sua aplicação. Por exemplo, fui preso por uma acusação de fazer uma passeata sem autorização. Agora, não há nada de errado em existir uma norma que exija uma autorização para uma passeata. Mas essa norma torna-se injusta quando é usada para manter a segregação e negar a cidadãos o direito fundamental da primeira emenda à Constituição de reunião pacífica e de protesto.
Espero que vocês sejam capazes de observar a distinção que estou tentando mostrar. De modo algum, defendo a evasão e o desafio à lei, como faria o segregacionista furioso. Isso levaria à anarquia. Alguém que viole uma lei injusta tem de fazê-lo abertamente, amorosamente, e com disposição para aceitar a pena. Argumento que um indivíduo que viola uma lei que a consciência lhe diz que é injusta, e que aceita de bom grado a pena de prisão a fim de despertar a consciência da comunidade quanto à sua injustiça, está na verdade exprimindo o mais elevado respeito à lei.
Obviamente, não há nada de novo nessa forma de desobediência civil. Ela foi manifestada de maneira sublime pela recusa de Shadrach, Meshach e Abednego a obedecerem às leis de Nabucodonosor, sob o argumento de que estava em jogo uma lei moral mais elevada. Foi praticada soberbamente pelos primeiros cristãos, que preferiam enfrentar leões famintos e a dor torturante do talho a submeter-se a certas leis injustas do Império Romano. Até certo ponto, a liberdade acadêmica é uma realidade hoje porque Sócrates praticou a desobediência civil. Na nossa própria nação, o Boston Tea Party representou um ato imponente de desobediência civil.
Nunca devemos nos esquecer de que tudo que Adolf Hitler fez na Alemanha era “legal” e tudo que os combatentes húngaros da liberdade fizeram na Hungria era “ilegal”. Era “ilegal” ajudar e confortar um judeu na Alemanha de Hitler. Ainda assim, tenho certeza de que, se tivesse vivido na Alemanha naquele tempo, teria ajudado e confortado meus irmãos judeus. Se vivesse hoje em um país comunista onde certos princípios caros à fé cristã foram suprimidos, defenderia abertamente a desobediência às leis antirreligiosas do país.
Tenho de fazer duas confissões sinceras a vocês, meus irmãos cristãos e judeus. Primeiro, tenho de confessar que ao longo dos últimos anos decepcionei-me seriamente com os brancos moderados. Quase cheguei à lamentável conclusão de que a maior pedra no caminho dos negros em seu avanço rumo à liberdade não é o White Citizen’s Counciler ou o membro da Ku Klux Klan, mas os brancos moderados, que são mais zelosos da “ordem” do que da justiça; que preferem uma paz negativa que é a ausência de tensão a uma paz positiva que é a presença da justiça; que dizem constantemente: “concordo com vocês quanto ao objetivo que buscam, mas não posso concordar com seus métodos de ação direta”; que acreditam paternalisticamente que podem fixar o cronograma para a liberdade de outro homem; que vivem sob um conceito mítico do tempo e que constantemente aconselham o negro à espera por uma “época mais apropriada”. A compreensão superficial de pessoas de boa vontade é mais frustrante do que a incompreensão completa de pessoa de má vontade. A aceitação morna é muito mais atordoante do que a rejeição total.
Eu tinha tido esperanças de que os brancos moderados compreenderiam que a lei e a ordem existem para o propósito de estabelecer a justiça e que quando fracassam nesse propósito tornam-se represas estruturadas perigosamente que bloqueiam o curso do progresso social. Tinha tido esperanças de que os brancos moderados compreenderiam que a atual tensão no sul é uma fase necessária da transição de uma detestável paz negativa, em que os negros passivamente aceitavam suas injustas situações difíceis, para uma paz positiva e substantiva, em que todos os homens respeitarão a dignidade e o valor da personalidade humana. Na realidade, nós que nos envolvemos em ações diretas pacíficas não somos os criadores da tensão. Tão-somente trazemos à superfície a tensão oculta que já existe. Descortinamo-la, para que possa ser vista e tratada. Como um furúnculo que não pode ser curado enquanto estiver coberto, mas que deve ser exposto com toda a sua feiura aos remédios naturais do ar e da luz, a injustiça tem de ser desvendada, com toda a tensão que sua exposição gera, à luz da consciência humana e ao ar da opinião nacional, antes que possa ser curada.
Em sua declaração, vocês afirmam que nossas ações, embora pacíficas, devem ser condenadas porque precipitam a violência. Mas essa é uma afirmação lógica? Isso não equivale a condenar um homem roubado porque sua posse de dinheiro precipitou o ato mau do roubo? Isso não equivale a condenar Sócrates porque seu compromisso inabalável com a verdade e suas investigações filosóficas precipitaram o ato do povo mal orientado pelo qual o fizeram beber a cicuta? Isso não equivale a condenar Jesus porque sua singular consciência divina e devoção inesgotável à vontade de Deus precipitaram o ato mau da crucificação? Devemos notar que, como os tribunais federais consistentemente afirmaram, é errado incitar um indivíduo a interromper seus esforços para obter seus direitos constitucionais básicos porque a jornada pode precipitar a violência. A sociedade tem de proteger o roubado e punir o ladrão. Também tinha tido esperanças de que os brancos moderados rejeitariam o mito concernente ao tempo em relação à luta pela liberdade. Recebi há pouco uma carta de um irmão branco do Texas. Ele escreve: “Todos os cristãos sabem que as pessoas de cor um dia receberão direitos iguais, mas é possível que vocês estejam com uma pressa religiosa grande demais. A cristandade precisou de quase dois mil anos para alcançar o que tem hoje. Os ensinamentos de Cristo demoram a chegar a Terra.” Essa concepção decorre de um trágico conceito errôneo do tempo, da noção estranhamente irracional de que há algo no próprio curso do tempo que inevitavelmente curará todos os males. Na realidade, o tempo em si é neutro; pode ser usado quer destrutivamente, quer construtivamente. Cada vez mais, sinto que as pessoas de má vontade usam o tempo de modo muito mais eficaz do que as pessoas de boa vontade. Nós nos arrependeremos, no tocante a essa geração, não apenas das palavras e ações odiáveis das pessoas más, como também do silêncio espantoso das pessoas boas. O progresso humano nunca advém da roda da inevitabilidade; ele deflui dos incansáveis esforços de homens dispostos a serem colegas de trabalho de Deus, e, sem esse trabalho duro, o próprio tempo torna-se um aliado das forças da estagnação social. Temos de usar o tempo criativamente, com base no conhecimento de que o tempo sempre está pronto para fazer o certo. Agora é a hora de tornar real a promessa de democracia e de transformar nossa iminente elegia nacional em um criativo salmo da fraternidade. Agora é a hora de alçar nossa política nacional da areia movediça da injustiça racial à sólida rocha da dignidade humana.
Vocês falam de nossa atividade em Birmingham como extrema. A princípio, fiquei um pouco decepcionado com o fato de amigos clérigos considerarem meus esforços pacíficos como os de um extremista. Comecei a pensar sobre o fato de que me situo no meio de duas forças opostas na comunidade negra. Uma é a força da complacência, composta em parte por negros que, como resultado de longos anos de opressão, estão tão carentes de amor-próprio e da sensação de “ser alguém” que se adaptaram à segregação; e em parte de alguns negros de classe média que, devido a certo grau de segurança acadêmica e econômica e porque se beneficiam de algum modo da segregação, tornaram-se insensíveis aos problemas das massas. A outra é uma força da amargura e do ódio, que chega perigosamente perto de defender a violência. Manifesta-se em vários grupos nacionalistas negros que estão brotando por todo o país, sendo o maior e mais conhecido o movimento islâmico de Elijah Muhammad. Alimentado pela frustração dos negros pela existência contínua da discriminação racial, esse movimento é composto de pessoas que perderam a fé nos Estados Unidos, que repudiaram completamente o cristianismo e que concluíram que o homem branco é um “demônio” incorrigível.
Tentei me situar entre essas duas forças, dizendo que não precisamos imitar nem a inação dos complacentes nem o ódio e o desespero dos nacionalistas negros. Porque existe a maneira muito melhor do amor e do protesto pacífico. Sou grato a Deus por, mediante a influência da igreja negra, a maneira do pacifismo ter-se tornado uma parte essencial de nossa luta. Se essa filosofia não tivesse surgido, muitas ruas do sul estariam agora, tenho certeza, com rios de sangue. Estou ainda mais certo de que, se nossos irmãos brancos repudiarem aqueles de nós que empregam ações diretas pacíficas como “um bando de inflamados” ou “forasteiros agitadores”, e se se recusarem a apoiar nossos esforços pacíficos, milhões de negros buscarão, por frustração e desespero, consolo e segurança em ideologias nacionalistas negras – uma evolução que inevitavelmente levaria a um assustador pesadelo racial.
Pessoas oprimidas não podem permanecer oprimidas para sempre. A ânsia pela liberdade por fim manifesta-se, e foi isso que aconteceu com o negro americano. Algo em seu interior lembrou-lhe de seu direito inato à liberdade, e algo exterior lembrou-lhe que ele pode ser obtido. Consciente ou inconscientemente, ele foi apanhado pelo espírito da época, e com seus irmãos negros da África e seus irmãos amarelos e pardos da Ásia, da América do Sul e do Caribe, o negro dos Estados Unidos está se movendo com uma sensação de incrível urgência rumo à terra prometida da justiça racial. Ao reconhecer-se esse anseio vital que se apoderou da comunidade negra, entende-se prontamente por que manifestações públicas estão ocorrendo. O negro tem muitos ressentimentos reprimidos e frustrações latentes, e ele precisa libertá-los. Então, deixe-o marchar; deixe-o fazer peregrinações pias às prefeituras; deixe-o ir em viagens pela liberdade – e tente entender por que ele tem de fazê-lo. Se suas emoções reprimidas não forem liberadas de maneiras pacíficas, buscarão expressão por meio da violência; isso não é uma ameaça, mas um fato histórico. Assim, não disse ao meu povo: “livre-se de seu desgosto”. Antes, tentei dizer que esse desgosto normal e saudável pode ser canalizado por escapes criativos como a ação direta pacífica. E agora esse método está sendo denominado de extremista. Mas, embora tenha ficado inicialmente decepcionado ao ser classificado como extremista, continuando a pensar sobre o assunto, gradualmente extraí certa dose de satisfação do rótulo. Não era Jesus um extremista do amor: “Ame seus inimigos, abençoe aqueles que te amaldiçoam, faça o bem àqueles que te odeiam e reze por aqueles que desprezivelmente te usam e te atormentam”? Não era Amos um extremista da justiça: “Deixem a justiça fluir como as águas e a probidade como um rio que nunca para”? Não era Paulo um extremista do evangelho cristão: “Carrego no meu corpo as marcas do Senhor Jesus”? Não era Martinho Lutero um extremista: “Aqui estou; não tenho alternativa, então que Deus me ajude”? E John Bunyan: “Ficarei na prisão até o fim dos meus dias, até que faça da minha consciência um matadouro”? E Abraham Lincoln: “Esse país não pode sobreviver metade escravo e metade livre”? E Thomas Jefferson: “Temos essas verdades como auto-evidentes, de que todos os homens nascem iguais…”? Assim, a questão não é se seremos extremistas, mas que tipo de extremistas seremos. Seremos extremistas do ódio ou do amor? Seremos extremistas da preservação da injustiça ou da extensão da justiça? Naquela cena dramática do Calvário, três homens foram crucificados. Nunca devemos nos esquecer de que todos os três foram crucificados pelo mesmo crime – o crime de extremismo. Dois eram extremistas da imoralidade e, assim, estavam abaixo dos demais. O outro, Jesus Cristo, era um extremista do amor, da verdade e do bem, e, por conseguinte, ergueu-se acima dos demais. Talvez o sul, o país e o mundo estejam com uma terrível carência de extremistas criativos.
Tivera esperança de que os brancos moderados notariam essa carência. Talvez estivesse otimista demais; talvez esperasse demais. Suponho que deveria ter percebido que poucos membros da raça opressora podem compreender os graves gemidos e os anseios apaixonados da raça oprimida, e que menos ainda têm a perspicácia para notar que a injustiça tem de ser extirpada por ações fortes, persistentes e determinadas. Sou grato, contudo, pelo fato de que alguns de nossos irmãos brancos do sul alcançaram o significado dessa revolução social e empenharam-se nela. Eles ainda são muito poucos em quantidade, mas são muitos em qualidade. Alguns – como Ralph McGill, Lillian Smith, Harry Golden, James McBride Dabbs, Ann Braden e Sarah Patton Boyle – escreveram sobre nossa luta em termos eloquentes e proféticos. Outros marcharam conosco por ruas sem nome do sul. Debilitaram-se em prisões imundas, infestada por baratas, sofrendo os abusos e a brutalidade de policiais que os veem como “sujos amantes dos negros”. Diferentemente de tantos de seus irmãos e irmãs moderados, reconheceram a urgência do momento e sentiram a necessidade de poderosos antídotos “de ação” para combater a doença da segregação. Deixem-me tomar nota de minha outra grande decepção. Decepcionei-me tão imensamente com a igreja branca e suas lideranças. É claro, há algumas notáveis exceções. Não me esqueço do fato de que cada um de vocês tomou algumas posições significativas nesse tema. Louvo-o, reverendo Stallings, pela sua postura cristã no último domingo, ao receber negros nos seus serviços de devoção de maneira não-segregacionista. Louvo os líderes católicos desse Estado por terem integrado o Spring Hill College muitos anos atrás.
Mas, apesar dessas notáveis exceções, tenho de sinceramente reiterar que me decepcionei com sua igreja. Não digo isso como um daqueles críticos negativos que sempre conseguem encontrar algo errado na igreja. Digo isso como um sacerdote do evangelho, que ama a igreja; que foi acalentado em seu seio; que tem sido sustentado por suas bênçãos espirituais e que permanecerá fiel a ela enquanto o fio da vida estender-se.
Quando fui de repente catapultado à liderança do protesto dos ônibus em Montgomery, Alabama, há alguns anos, achei que seríamos apoiados pela igreja branca. Achei que os sacerdotes, os padres e os rabinos brancos do sul estariam entre os nossos mais firmes aliados. Ao contrário, alguns foram completos oponentes, recusando-se a compreender o movimento pela liberdade e deturpando seus líderes; muitos outros foram mais cautelosos do que corajosos e permaneceram mudos atrás da segurança anestesiante das janelas de vitral.
A despeito de meus sonhos despedaçados, vim a Birmingham com a esperança de que a liderança religiosa branca dessa comunidade veria a justiça de nossa causa e, com profunda preocupação moral, serviria como canal através do qual nossas justas queixas alcançariam a estrutura do poder. Tivera esperança de que cada um de vocês compreenderia. Mas, de novo, decepcionei-me.
Ouvi numerosos líderes religiosos sulistas admoestarem seus devotos a cumprir a decisão contra a segregação porque é a lei, mas ansiei por ouvir sacerdotes brancos declararem: “Sigam esse decreto porque a integração é moralmente correta e porque o negro é seu irmão.” Em meio a barulhentas injustiças infligidas sobre o negro, observei membros da igreja permanecerem à distancia e declamarem irrelevâncias pias e platitudes carolas. Em meio a uma vigorosa luta para livrar nosso país da injustiça racial e econômica, ouvi muitos sacerdotes dizerem: “Esses são temas sociais, com os quais o evangelho não tem nenhuma preocupação real”. E vi muitas igrejas empenharem-se numa religião completamente de outro mundo que faz uma estranha e não-bíblica distinção entre o corpo e a alma, entre o sagrado e o secular.
Viajei acima e abaixo por Alabama, Mississipi e todos os outros estados sulistas. Em dias sufocantes de verão e manhãs revigorantes de outono, contemplei as lindas igrejas do sul, com seus cumes majestosos apontados em direção aos céus. Admirei os perfis impressionantes dos amplos edifícios de educação religiosa. Repetidamente, peguei-me perguntando: “Que tipo de pessoa ora aqui? Quem é seu Deus? Onde estavam suas vozes quando dos lábios do governador Barnett respingaram palavras de interposição e nulificação? Onde elas estavam quando o governador Wallace deu um toque de clarim em favor do desafio e do ódio? Onde estavam suas vozes de apoio quando homens e mulheres negros, feridos e exaustos, decidiram levantar-se dos calabouços escuros da complacência até as colinas claras do protesto criativo?”
Sim, essas perguntas ainda estão na minha mente. Em decepção profunda, chorei pela frouxidão da igreja. Mas estejam certos de que minhas lágrimas foram lágrimas de amor. Não pode existir decepção profunda onde não existe amor profundo. Sim, amo a igreja. Como poderia não amar? Estou na posição um tanto singular de filho, neto e bisneto de pregadores. Sim, vejo a igreja como o corpo de Cristo. Mas, oh!, como maculamos e deixamos cicatrizes nesse corpo por meio da negligência social e por meio do medo de sermos não-conformistas.
Houve um tempo em que a igreja era bastante ponderosa – no tempo em que os primeiros cristãos regozijavam-se por ser considerados dignos de ter sofrido por aquilo em que acreditavam. Naqueles dias, a igreja não era apenas um termômetro que registrava as idéias e princípios da opinião pública; era um termostato que transformava os costumes da sociedade. Quando os primeiros cristãos entravam em uma cidade, as pessoas no poder ficavam transtornadas e imediatamente buscavam condenar os cristãos por serem “perturbadores da paz” e “forasteiros agitadores”. Mas os cristãos prosseguiam, com a convicção de que eram “uma colônia do céu”, que devia obediência a Deus e não ao homem. Pequenos em número, eram grandes em compromisso. Eles eram intoxicados demais por Deus para serem “astronomicamente intimidados”. Com seu esforço e exemplo, puseram um fim em maldades antigas como o infanticídio e duelos de gladiadores. As coisas são diferentes agora. Com tanta frequência a igreja contemporânea é uma voz fraca, ineficaz com um som incerto. Com tanta frequência é uma arquidefensora do status quo. Longe de se sentir transtornada pela presença da igreja, a estrutura do poder da comunidade normal é confortada pela sanção silenciosa – e com frequência sonora – da igreja das coisas tais como são.
Mas o julgamento de Deus pesa sobre a igreja como nunca pesou. Se a igreja atual não recuperar o espírito de sacrifício da igreja primitiva, perderá sua autenticidade, será privada da lealdade de milhões e será descartada como um clube social irrelevante com nenhum significado para o século XX. Todos os dias, encontro pessoas jovens cuja decepção com a igreja tornou-se uma repugnância absoluta.
Talvez tenha sido mais uma vez otimista demais. Estará a religião organizada ligada inextricavelmente demais ao status quo para salvar o país e o mundo? Talvez deva dirigir minha fé à igreja interior, espiritual, a igreja dentro da igreja, como a verdadeira ekklesia e a esperança do mundo. Mas, de novo, sou grato a Deus por algumas almas nobres das fileiras da igreja organizada terem rompido as correntes paralisantes do conformismo e unido-se a nós como parceiros ativos na luta pela liberdade. Eles abandonaram suas congregações seguras e percorreram as ruas de Albany, Geórgia, conosco. Desceram as rodovias do sul em viagens tortuosas pela liberdade. Sim, foram para a cadeia conosco. Alguns foram expulsos de suas igrejas, perderam o apoio de seus bispos e colegas sacerdotes. Mas agiram com a fé de que o bem derrotado é mais forte do que o mal triunfante. Sua testemunha tem sido o sal espiritual que tem preservado o verdadeiro significado do evangelho nesses tempos turbulentos. Eles cavaram um túnel de esperança através da montanha negra da decepção. Espero que a igreja como um todo enfrente o desafio nessa hora decisiva. Mas mesmo que a igreja não venha ajudar a justiça, não perco a esperança no futuro. Não tenho medo a respeito do resultado de nossa luta em Birmingham, mesmo que nossas razões sejam no momento mal compreendidas. Alcançaremos a meta da liberdade em Birmingham e no mundo inteiro, porque a meta dos Estados Unidos é a liberdade. Não importa se estamos ofendidos e escarnecidos, nosso destino está ligado ao destino dos Estados Unidos. Antes de os peregrinos desembarcarem em Plymouth, estávamos aqui. Antes de a pena de Jefferson desenhar as palavras majestosas da Declaração de Independência através das páginas da história, estávamos aqui. Por mais de dois séculos, nossos antepassados trabalharam nesse país sem receber salários; eles colheram o algodão; eles construíram as casas de seus senhores enquanto sofriam injustiças crassas e humilhações vergonhosas – e, no entanto, com uma vitalidade sem fim, continuaram a prosperar e a desenvolver-se. Se as crueldades inenarráveis da escravidão não puderam parar-nos, a oposição que enfrentamos agora certamente fracassará. Ganharemos nossa liberdade porque a herança sagrada de nosso país e a eterna vontade de Deus estão incorporadas nas nossas sonoras exigências. Antes de encerrar, sinto-me impelido a mencionar outro ponto em sua declaração que me perturbou profundamente. Vocês calorosamente elogiaram a força policial de Birmingham por manter a “ordem” e “impedir a violência”. Duvido que teriam elogiado tão calorosamente a força policial se tivessem visto seus cães afundando seus dentes em negros desarmados, pacíficos. Duvido que teriam elogiado tão rapidamente os policiais se fossem observar seu tratamento horrível e desumano dos negros aqui na prisão municipal; se fossem vê-los empurrar e amaldiçoar velhas mulheres negras e jovens meninas negras; se fossem vê-los estapear e chutar velhos homens negros e jovens meninos; se fossem observá-los, como fizeram em duas ocasiões, negar-nos comida porque queríamos cantar nossa oração juntos. Não posso acompanhá-los no seu louvor ao departamento de polícia de Birmingham.
É verdade que a polícia demonstrou um nível de disciplina ao lidar com os manifestantes. Nesse sentido, eles se conduziram um tanto “pacificamente” em público. Mas com que propósito? Para preservar o sistema maligno da segregação. Ao longo dos últimos anos, continuamente preguei que o pacifismo exige que os meios que usamos devem ser tão puros quanto os fins que buscamos. Tentei deixar claro que é errado usar meios imorais para alcançar fins morais. Mas agora tenho de afirmar que isso é tão errado, ou talvez ainda mais errado, quanto usar meios morais para preservar fins imorais. Talvez o Sr. Connor e seus policiais tenham sido um tanto pacíficos em público, como foi o coronel Pritchett em Albany, Geórgia, mas eles usaram os meios morais do pacifismo para manter o fim imoral da injustiça racial. Como T. S. Eliot disse: “A última tentação é a maior traição: fazer a coisa certa pelo motivo errado.”
Gostaria que vocês tivessem louvado os sit-inners e manifestantes negros de Birmingham pela sua coragem sublime, sua disposição para sofrer e sua disciplina incrível em meio a uma grande provocação. Um dia, o sul reconhecerá seus verdadeiros heróis. Eles serão os James Merediths, com o nobre senso de justiça que lhes permite enfrentar bandos zombeteiros e hostis, e com a solidão agonizante que caracteriza a vida do pioneiro. Eles serão as velhas, oprimidas, castigadas mulheres negras, simbolizadas em uma velha mulher de setenta e dois anos de idade de Montgomery, Alabama, que se ergueu com um senso de dignidade e com seus iguais decidiu não viajar em ônibus segregacionistas, e que respondeu com profundidade agramatical a alguém que lhe indagou sobre seu cansaço: “Meus pé está cansado, mas minha alma está em paz.” Eles serão os estudantes colegiais e universitários, os jovens sacerdotes do evangelho e uma multidão de seus pais, corajosa e pacificamente sentando-se em aparadores e dispostos a ir para cadeia por amor à consciência. Um dia, o sul saberá que quando esses filhos deserdados de Deus sentaram-se em aparadores, estavam na verdade fazendo jus ao que há de melhor no sonho americano e o que há de mais sagrado nos valores de nossa herança judaico-cristã, desse modo trazendo nosso país de volta àqueles grandes poços de democracia que foram cavados em profundidade pelos pais fundadores na sua formulação da Constituição e da Declaração de Independência.
Nunca escrevi uma carta tão longa. Temo que seja longa demais para tomar seu tempo precioso. Posso lhes garantir que teria sido muito menor se a tivesse escrito em uma mesa confortável, mas o que mais se pode fazer quando se está sozinho em um cela apertada a não ser escrever longas cartas, pensar longos pensamentos e rezar longas orações?
Se disse algo nessa carta que exagera os fatos e indica uma impaciência imoderada, peço que me perdoem. Se disse algo que atenua os fatos e indica uma paciência que me permite conciliar-me com algo menor do que a fraternidade, peço a Deus que me perdoe.
Espero que essa carta encontre-os fortes em sua fé. Espero também que as circunstâncias em breve permitam que me encontre com cada um de vocês, não como um integracionista ou um líder dos direitos civis, mas como um colega clérigo e um irmão cristão. Tenhamos todos esperança em que as nuvens negras do preconceito desapareçam em breve e a neblina profunda da incompreensão dissipe-se das nossas comunidades cheias de medo, e que em um amanhã não muito distante as estrelas radiantes do amor e da fraternidade brilhem sobre nosso grande país com toda a sua beleza cintilante.
Sinceramente, pela causa da Paz e da Fraternidade, Martin Luther King, Jr.
CIENTISTAS QUE CRIAM EM DEUS!!!

Através de estudos feitos através do livro “Men of Science – Men of God” (“Homem da Ciência e Homem de Deus”), que me serviu de fonte de informação, mostro cientistas crentes em Jesus Cristo, consagrados servos de Deus e defensores de Sua Palavra – A Bíblia.
Porque durante a história, onde surgiram grandes cientistas, podemos hoje não ser a maioria, mas tivemos os maiores e mais importantes cientistas na face da terra em todo a história. Mesmo que tivéssemos hoje, somente um cientista crente, seria para a hipotética teoria da evolução (já desacreditada, anticientífica e nunca comprovada cientificamente pela ciência empírica – verdadeira e comprovada), um desafio do impossível, explicar a origem da vida e muito mais questionamentos que a fazem dormir como as pirâmides no deserto do Egito. Assim, os classificamos:
I. FUNDADORES DA CIÊNCIA MODERNA
Leonard da Vinci (1452-1519). Além de incomparável pintor, lidou com os problemas da: Dinâmica, Anatomia, Física, Óptica, Biologia, Hidráulica e até mesmo Aeronáutica.
Johan Kepler (1571-1630). Foi o fundador da Astronomia Física. Ardoroso crente, disse: “Desde que nós astrônomos somos sacerdotes do Deus Altíssimo com respeito ao livro da Natureza, devemos estar cônscios não da glória das nossas mentes, mas da glória de Deus acima de tudo.” Francis Bacon.
Blaise Pascal (1623-1662). Filósofo e matemático, é o pai da ciência da hidrostática e um dos fundadores da hidrodinâmica,
Robert Boyle (1627-1691). Foi o pai da química moderna, crente humilde, estudioso da Bíblia e de grande visão missionária. Dava grandes contribuições financeiras em favor da propagação do Evangelho de Cristo.
Galileu (1564-1642). Físico e Astrônomo italiano, descobriu a Lei da Oscilação dos Pêndulos, inventou o termômetro, a balança hidrostática e o primeiro telescópio. Apesar de pressionado pela Igreja de Roma, cria na Bíblia na qual fundamentava sua certeza de que o Sol era o centro de nosso sistema planetário.
II. A ÉPOCA DE NEWTON
- Isaac Newton (1642-1717). É considerado pela maioria dos scholars como o maior cientista de todos os tempos. Descobriu a lei da gravitação universal, as 3 leis do movimento que tornaram possíveis as disciplinas da dinâmica e de todas as suas subdivisões, etc. Crente genuíno em Cristo como o seu Salvador, cria na Bíblia como a Palavra de Deus, no dilúvio universal e nos 6 dias literais da criação. Como dissemos em epígrafe, os maiores e mais importantes cientistas eram crentes.
Thomas Burnet,(1635-1715). foi um dos primeiros geólogos da época. Uma narrativa bíblica da criação e do dilúvio são básicos na interpretação da história da Terra e aparecem em seu livro: “Sagrada Teoria da Terra”.
William Whiston (1667-1752). Sucessor de Newton escreveu “A New Theory Of The Earth” (A Nova Teoria da Terra), que harmoniza o registro bíblico da criação e do dilúvio com os crescentes dados da física e da geologia. Carolus Linneaus (1707-1781).
John Woodward (1665-1728). Um dos fundadores da ciência da geologia, tinha grande consideração pela Bíblia.
Carolus Linneaus (1707-1781). Pai da taxonomia biológica era homem de grande piedade e respeitava as Escrituras Sagradas.
Janathan Edwards (1703-1758). Mais conhecido como teólogo do que como cientista, entendia de Física, meteorologia e astronomia, ultrapassando os conhecimentos de sua época. Ministro de Deus, foi grandemente usado num singular ministério de despertamento espiritual.
William Herschel (1738-1822). Notável crente e notável astrônomo.
III. POUCO ANTES DE DARWIN
Michael Faraday (1791-1827). Um dos maiores físicos de todos os tempos. Eletricidade, magnetismo, descoberta da indução eletromagnética, linhas de força magnética, a invenção do gerador, duas unidades básicas, uma na eletrólise, entre outras invenções chaves, são contribuições deste cientista considerado um dos mais humildes crentes que se poderia encontrar.
Samuel F.B.Morse (1791-1872). Inventor do telégrafo, sua primeira mensagem foi: “O que Deus Operou”. Foi professor de escultura e pintura. Construiu também a primeira máquina fotográfica da América e fez o primeiro retrato fotográfico do mundo. Quatro anos antes de sua morte escreveu: “Quanto mais me aproximo do fim da minha peregrinação, tanto mais clara vai ficando a evidência da origem divina da Bíblia; a grandeza e a sublimidade do remédio de Deus para o homem caído são mais apreciadas, e o futuro esta iluminado com esperança e alegria”.
Charles Bell (1774-1842).
Joseph Henry (1797-1878). Físico americano, entre outros feitos descobriu o princípio da auto-indução, inventou o motor eletromagnético e o galvanômetro. Crente firme em sua fé cristã bíblica, costumava antes de começar as suas experiências científicas, parar, adorar a Deus e orar, pedindo a direção de seu Pai Celestial para o seu trabalho.
Charles Babbage (1792-1871). Responsável por muitas invenções, este célebre matemático desenvolveu os primeiros verdadeiros computadores com um cartão para processamento de dados e o sistema de retorno de informações. Escreveu várias obras cristãs. O Primeiro velocímetro foi invenção sua.
William Buckland (1784-1856). Notável biólogo, cria na Bíblia e era convicto criacionista.
David Brewster(1781-1868).
Matthew Maury (1806-1873).
James Simpson (1811-1870). Um dos principais fundadores da Ginecologia, foi professor de Medicina Obstétrica. Descobridor do clorofórmio, ajudou a lançar o fundamento da moderna anestesiologia. Segundo o seu próprio testemunho, sua maior descoberta foi: “Eu tenho um Salvador. Olhei e pelos olhos da fé, vi Jesus, meu substituto, açoitado em meu lugar e morrendo na cruz por mim. Olhei para Ele, chorei e fui perdoado. É meu dever falar-vos desse Salvador para ver se não quereis também olhar para Ele e viver, como Ele vive hoje. “Ele foi ferido pelas nossas transgressões…. e pelas suas pisaduras fomos sarados”(Is. 53:5-6).
James Joule (1818-1889). Sua maior descoberta foi a constante conhecida como a “equivalência mecânica do calor…”, dando na lei da conservação da energia, a mais básica e universal de todas as leis da ciência, a 2a. Lei da Termodinâmica. É, pois, o fundador da termodinâmica como disciplina científica. Era homem de fé cristã sincera.
John Herschel (1792-1871). Notável astrônomo e crente dedicado.
John Dalton (1766-1844). Pai da moderna teoria atômica.
IV. POUCO DEPOIS DE DARWIN
Louis Agassiz (1807-1873). Crente paleontologista, foi o pai da geologia glacial e da ciência da glaciologia. Jamais foi superado em seus estudos dos peixes tantos vivos como fósseis. Mestre em suas especialidades, produziu os mais notáveis professores da América, tendo atuado igualmente na Europa, etc.
Filho de pregador do evangelho, Agassiz descendia de uma vasta linha de ministros de fé cristã. Cria profundamente em Deus e em Sua especial criação de cada espécie de organismo. Ninguém mais do que ele teve conhecimento tão vasto de grande variedade de animais em existência e extintos. Até o fim de sua vida foi vigoroso oponente do evolucionismo.
James Dana(1813-1895). Autor de muitos livros sobre geologia e mineralogia, era geólogo americano. Deu este testemunho: “O grandioso e velho livro de Deus ainda está de pé; e quanto a esta Terra, tanto mais se cubra de folhas abundantes quanto mais ilustrará e confirmará a Palavra Sagrada”.
John William Dawson (1820-1899). Geólogo Canadense… Crente dedicado, era convicto anti-evolucionista. Autor de muitos livros sobre a Bíblia e a criação de Deus.
George Stokes (1819-1903). Grande físico inglês. Charles P.Smyth(1819-1900). Astrônomo. Rudolph Virchow (1832-1902). Antropólogo e Arqueólogo, cria que estas ciências estavam de acordo com o ponto de vista bíblico da história. foi o pai da moderna patologia, etc. Philip H. Gosse (1810-1888). Ornitologista, autor de muitos livros sobre zoologia, tanto sua fé bíblica como seu conhecimento científico eram genuínos e reconhecidos.
Gregor Mendel (1822-1844). Era criacionista e rejeitava as idéias evolucionistas no começo das pesquisas de Darwin. É considerado o pai da genética. Deixou claro, por suas experiências com ervilhas, que pode haver variações dentro das espécies – jamais evolução no seu sentido vertical darwinista. Exemplo da raça de cães, existem diversas variações dentro dessa raça, mas o cão permanece cão, houve transformações dentro da espécie, nunca evolução, por acaso algum cachorro já virou gato?
Luis Pasteur (1822-1895). Grande vulto na história da ciência e da medicina, estabeleceu a teoria do gérmen, tiro de morte na insustentável teoria da geração espontânea. Físico e químico, aprofundou-se em pesquisas bacteriológicas e desenvolveu vacinas para combater muitas doenças. Acentuadamente religioso, era homem de grande fé.
Henri Faber (1829-1915). Pai da entomologia, forte oponente das falsas ciências da geração espontânea e da evolução. O testemunho de sua fé em Deus vai aqui em suas palavras: “Sem Ele nada entendo; sem Ele tudo é escuridão… Cada época tem as suas manias. O ateísmo é uma mania. É o mal desta época e o seu inventor Darwin, pelo que sei, antes de falecer, em 1882, com 73 anos, Darwin abriu o seu coração para Deus e faleceu com a leitura do Livro de Hebreus aberto em suas mãos. Será mais fácil arrancar a minha pele do que minha fé em Deus.”
Joseph Lister (1827-1912). Cirurgião inglês, desenvolveu a cirurgia antissética. Crente, era homem de grande humildade.
James Clark Maxwell (1831-1879). Um dos maiores cientistas de todos os tempos, mereceu este reconhecimento de Einstein em face de suas conquistas no terreno da física, destacando-se o seu “espectro de onda eletromagnética”: “o mais profundo e o mais frutífero que a física já experimentou desde os tempos de Newton”. Disse: Tendo cristo como meu Senhor e Salvador, sou dedicado estudante das Escrituras.
Bernhard Riemann (1826-1866). Matemático alemão, o próprio Einstein desenvolveu muito da teoria da relatividade e da curvatura do espaço usando como base a “geometria riemanniana”. Estudou teologia, visando o Ministério da Palavra de Deus.
John Bell Pettigrow (1834-1908). George Romanes (1848-1894). Richard Owen (1804-1892). Edward Hitchcock (1793-1864). Pertencem estes quatro a este período, sendo que entre os cometimentos científicos de Hitchcock, encontra-se o primeiro e detalhado estudo das famosas pegadas de dinossauros e homens no vale do Rio Connecticut. Era firme e convicto criacionista.
V. PERÍODO MODERNO
Edward H. Maunder (1851-1920). Renomado astrônomo britânico, encarregado do Dept. Solar do Obs. de Greenwich, escreveu sobre astronomia da Bíblia, defendendo a precisão bíblica em assuntos astronômicos. Foi grande batalhador pela defesa da fé cristã.
William Mitchell Ramsay (1851-1939). Dentre os maiores arqueólogos, Ramsay descobri na arqueologia confirmações plenas sobre a veracidade do livro de Atos. Escreveu mais de 20 livros cuja maioria dedicada a provar arqueologicamente a veracidade do Novo Testamento. Suas descobertas o levaram a crer em Cristo como Salvador.
John Strutt, Lord Rayleigh (1842-1919). Físico que continuou os estudos de Maxwell sobre ondas eletromagnéticas, óptica, som e dinâmica do gás. Alexandre MacAlister (1844-1919). Professor de anatomia.
A.H.Sayce (1845-1933). Filólogo e arqueólogo inglês, contribuiu para confirmar fatos históricos do Velho Testamento. Assiriólogo, teve sua fé bíblica revigorada com descobertas arqueológicas. Autor de 25 livros em suas especialidades.
John Ambrose Fleming (1849-1945). Pai da moderna eletrônica, projetou o primeiro e verdadeiro tubo eletrônico e foi consulente de Thomas Edison e Marconi, Professor por 40 anos de engenharia elétrica, foi fundador e presidente do Movimento de Protesto contra a Evolução.
Howard A Kelly (1858-1943). Ginecologista número um da América na 1ª década deste século. Deu seu testemunho cristão através de um de seus livros: “The Scientific Man and His Bible” (O Homem Científico e Sua Bíblia). Era dedicado ganhador de almas.
George Washington Carver (1864-1943). Cientista Negro. Químico e agricultor.
Charles Stine (1882-1954). Eminente químico orgânico, tinha poderoso testemunho cristão bíblico. Escreveu o livro: “The Chemist And His Bible” (O Químico e Sua Bíblia). Deu este testemunho: “O mundo ao nosso redor… maravilhoso além da imaginação do mais hábil cientista, esta bela e intrincada criação, traz a assinatura do seu Criador, gravada em suas obras.”
Douglas Dewar (1875-1957). Naturalista e ornitólogo(parte da zoologia que estuda as aves).
Paul Lemoine (1878-1940). Geólogo, editor da Encyclopedia Française, edição de 1937, onde diz: “A Teoria da Evolução é Impossível”.
Williams Ramssay (1852-1916). Químico descobridor do argônio e outros gases inativos, etc.
Werhner Von Braun (1912-1977). Ph.D. nas ciências de aeronáutica e espaço. desenvolveu o famoso foguete v-2, e engajou-se no desenvolvimento de mísseis guiados dos E.U.A. e tornou-se diretor do Centro de Vôo Espacial da NASA. crente luterano, testemunhou: “Um lance d’olhos através dos vastos mistérios do universo, apenas confirma nossa fé na certeza do Criador. Acho difícil compreender um cientista que não reconhece a presença de uma racionalidade superior por trás da existência do universo, tanto quanto seria difícil compreender um teólogo que negasse os fatos da ciência.”
Estes foram alguns cientistas criacionistas mais importantes da história da humanidade, que em suas épocas ultrapassaram a casa dos mil. Há hoje um verdadeiro avivamento criacionista mundial em contraste com a situação de arrefecimento criacionista das primeiras décadas deste século. Se não estamos em maioria hoje, com certeza, foram como crentes, os maiores e mais importantes cientistas destes últimos 450 anos.
DESPERTAMENTO BÍBLICO CIENTÍFICO ATUAL!
Na promoção deste despertamento científico bíblico estão “The Creation Research Society” (A Criação e Pesquisa Social), “The American Scientific Affiliation”(A Americana Associação Científica), “The Bible-Science Association”(A Ciência da Associação Bíblica) e “The Institute For Creation Research” (O Instituto para Criação e Pesquisa).
ALGUNS CIENTISTAS DO INSTITUTO PARA CRIAÇÃO E PESQUISA:
Dos 21 “Scientists Who Believe In Creation” (Cientistas que crêem na criação), os quais me correspondi por anos e adquiri conhecimento em suas experiências cientificamente comprovadas, traduzo o testemunho de 6 deles a seguir:
1. O Físico, Dr. Thomas G.Barnes.
Ele é professor de Física da Universidade do Texas, em El Paso. Foi, por muitos anos, diretor do “Shellenger Research Laboratories”, nesse Estado; encarregado de numerosos e importantes projetos de pesquisas na física atmosférica, patrocinados pelo governo. É autor de um importante manual, “Fundamentos de Eletricidade e Magnetismo”, bem como de muitos artigos científicos. Foi presidente da “Creation Research Society” e é autor da Monografia Técnica: “Origin and Destiny of the Earth’s Magnetic Field” (Origem e Destino do Campo Magnético da Terra”). Dr. Barnes é diácono e professor da Primeira Igreja Batista de El Paso e tem notável testemunho entre os estudantes e a faculdade no campus da UTEP.
Disse ele: “Como cientista, minha preocupação relacionada com a evolução é que ela representa uma barreira ao progresso científico. Por exemplo: O rápido declínio do magnetismo da terra, uma perda de 5,5 x 10 elevado a 21 potência ampére-metro2, desde sua primeira medição em 1835, é o mais notável e mundial fenômeno geofísico já documentado. Quando examinado à luz da teoria eletro-magnética e do fator tempo envolvido, resulta num excelente apoio em favor de uma Criação Especial. Nunca vi um evolucionista disposto a enfrentar corajosamente este fato.” E agora, conforme a teoria da evolução tudo vem evoluindo, como se explicar essa realidade? até o magnetismo da terra vem declinando/regredindo.
2. O Cientista Aero-Espacial, Dr. Edward Blick é professor de aero-espaço, mecânico e engenheiro nuclear, professor associado de engenharia da Universidade de Oklahoma. Trabalha atualmente em pesquisas de aero-dinâmica e bioquímica. Publicou muitos documentos neste campo, e é professor muito popular na Universidade. É co-autor do manual: “Fluid Mechanics and Heat Transfer” (Mecânica dos Fluidos e Transferência do Calor).Ele disse: “A evolução é um científico conto de fadas, exatamente como o foi a teoria da terra chata no século XII”.
“A Evolução contradiz frontalmente a Segunda Lei da Termodinâmica, que declara que, a menos que exista um inteligente planejador dirigindo um sistema, ele estará indo sempre na direção da desordem e da deterioração. Baseado em matemática elementar, é possível demonstrar que a probabilidade contra a formação, por acaso, até mesmo da mais simples molécula de proteína, é muitíssimo maior que 1 elevado a 1.067 . Imaginem o número 1 seguido de 1.067 zeros. A Evolução requer uma fé deveras incompreensível. A Criação Bíblica é a única alternativa sensata.”
3. Administrador Técnico de Engenharia, o Dr. Davi é professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Estado de Iowa, uma das principais instituições de ciência e engenharia dos Estados Unidos. Seu B.S.(Bacharel em Ciências) é em Engenharia Química da Universidade de Kansas em 1943, e seu Ph. D. foi concedido pelo Estado de Iowa em 1952. Antes de sua atual nomeação, ele servia como Diretor do Instituto de Pesquisas em Engenharia do Estado de Iowa.
Ele declarou: “Ensinando no campus e na igreja, verifiquei uma compreensão das leis físicas, particularmente a 1ª e 2ª Leis da Termodinâmica, é essencial para a defesa das verdades bíblicas. A 2ª Lei tem sido particularmente útil no desenvolvimento de uma apologética(defesa) contra a abiogênese(vida que veio da matéria sem vida). Meu testemunho pessoal é que a complexa, filosófica, emocional e genética natureza do homem só pode ser plenamente compreendida através da revelação acerca do homem dada na Bíblia. Como engenheiro, não posso aceitar o “puro acaso” como explicação das origens, nem o desenvolvimento evolucionário como explicação do presente estado do homem.
“A evidência das obras das mãos de Deus na natureza é abundante, como testificou o salmista no capitulo dezenove do livro dos Salmos. Mas a evidência da obra de Deus no terreno espiritual é ainda mais convincente. Sua presença em minha vida, como crente, é uma realidade. Seu perdão, que nos vem por Cristo, é uma íntima consolação. Suas provisões pela oração é uma fonte de forca interior. E Sua Palavra é uma permanente benção.”
4. Educador no campo da Ciência, John N. Moore é largamente conhecido como preletor criacionista e tem um testemunho sincero e efetivo no campus da Universidade do Estado de Michigan, onde é professor de Ciência Natural. É administrador editor da “Creation Research Society Quartely”(Revista Trimestral da Sociedade para a Pesquisa da Criação). foi co-editor do Manual de Biologia da Sociedade – “Biology: A Search For Order In Complexity”(Biologia: Pesquisando a Ordem na Complexidade), e é Editor de Ciência para a Casa Publicadora Zondervan. Ele tem o grau de B.A (Bacharel em Artes) da Universidade de Denison, o M.S. (Mestre em Ciências) e o Ed.D.(Doutor em Educação) do Estado de Michigan. Destaca-se bem em dois filmes bíblicos: “Pegadas na Pedra” e “Criação x Evolução”, é autor de um novo livro: “Perguntas e Respostas sobre Criação/Evolução”. Ele afirmou: Embora evolucionista por muitos anos, como professor de ciência reestudei e pesquisei material apropriado e descobri que Charles Darwin não achou qualquer evidência conclusiva de mudança de uma espécie de organismo em outra espécie. Conforme definição no livro escrito por Darwin, “Origem das Espécies”, 6a. e última edição inglesa, 1.888, volume 2, pág. 305 e repetida, sem alteração, na edição americana de 1920, Darwin disse: “Há grandeza neste ponto de vista da vida, com seus vários poderes, a qual foi insuflada pelo Criador em algumas formas de vida ou em uma apenas”.
Darwin expressamente declarou que não havia evidência para compelir o intelecto a admitir mudança evolucionaria nem mesmo de uma simples espécie noutra. Revela-nos ainda que, em “A Vida e as Cartas de Charles Darwin, editado por seu filho, Francis Darwin, volume I, página 210, está a famosa carta escrita a Bentham, que a maioria das pessoas nunca leu, e nela Darwin enfaticamente declara:
“Tendo aceitado a Cristo como meu Salvador, já adulto, conclui afinal, que todas as origens estão completamente além do processo de repetição e, portanto, estão fora da possibilidade de qualquer estudo científico. Depois de ter reestudado e pesquisado todo esse material incluindo as verdades escondidas sobre Darwin, creio em Jesus Cristo como o Criador de todas as coisas em contraste com a crença na idéia totalmente não científica de uma portentosa evolução e de uma geração espontânea da vida; e ensino que todos os dados científicos conhecidos se ajustam à narrativa da criação especial sobre o começo do universo, da vida e do homem.”
5. O Bioquímico, Dr. Duane T.Gish é largamente conhecido como um dos mais eficientes preletores e escritores do movimento criacionista hodierno. Ele recebeu seu B.S. em química do U.C.L.A, em 1949 e seu Ph D. em bioquímica da Universidade da Califórnia em Berkely, em 1953. Serviu no Staff de pesquisa e na Universidade de Cornell e gastou muitos anos como bioquímico pesquisador para a Companhia Upjohn, em Kalamazoo, Michigan. É membro da Junta de Diretores da Sociedade para Pesquisa da Criação. Produziu muitos documentos sobre o criacionismo bem como dois livros do ICR: “Evolução? Os Fósseis Dizem Não!” e “Especulações e Experimentos Sobre a Origem da Vida: Uma Crítica”, Dr. Gish é Professor de Ciência Natural no Christian Heritage College e Diretor Associado do Instituto para Pesquisa da Criação.
Seu testemunho: “Eu recebi Jesus Cristo como Senhor e Salvador de minha vida quando tinha cerca de 10 anos. Aceitei a Bíblia como a revelação imutável de Deus para o homem, e desde que ela descreve o homem e seu universo como uma criação especial de Deus, tenho sido sempre um criacionista. Meu preparo universitário e experiência de pesquisa tem sido poderosas respostas a esta fé: a vasta organização, o plano obvio, e o evidente propósito visto em cada detalhe da estrutura e função da célula viva, me foram revelados através de meus estudos de bioquímica. “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o principio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas” (Rm. 1:20).
6. O Hidrologista, Dr. Henry Morris é diretor do “Institute For Creation Research” e vice-presidente do “Academic Affairs” no Christian Heritage College”. É autor de cinco livros no campo da hidráulica e recursos hidráulicos, de dezenove livros no campo do criacionismo e de aproximadamente duzentos artigos sobre vários assuntos. o Dr. Morris tem sido um contribuinte ativo no estudo das relações Bíblia-Ciência por mais de 30 anos.
Tem um B.S. da Rice University, os graus M.S. e Ph.D. da Universidade de Minesota, incluindo hidráulica, geologia e matemática. Gastou quatro anos na prática da engenharia hidráulica e 28 anos como professor de engenharia hidráulica e hidrologia em cinco diferentes universidades. No período de 1951 a 1956 ele foi catedrático do Departamento de Engenharia Civil na Universidade da Sohthwestern Louisiana e, então, de 1957 a 1970 ele atuou como professor de Engenharia Hidráulica e Chefe do Departamento de Engenharia Civil no Instituto Politécnico de Virginia e na Universidade Estadual. Foi Presidente da “Creation Research Society”, de 1967 a 1973.
Testemunhou: “A atmosfera e a hidrosfera da Terra, capacitando-a a sustentar uma singular biosfera, proporciona ainda uma outra evidência de que o mundo foi criado por Deus e não evoluído por acaso. Além disso, o estudo das muitas camadas sedimentares da Terra, à luz dos conhecidos princípios da hidráulica, mostra que devem ter sido formadas rápida e ininterruptamente em um grande cataclisma. Ambos apóiam o claro ensino bíblico de uma criação especial e de um dilúvio mundial.”
ÚLTIMAS PALAVRAS
Últimas palavras de homens famosos que não conseguiram morrer negando à Deus:
• Voltaire
o famoso escarnecedor, teve um terrível fim. Sua enfermeira disse: “Por todo dinheiro da Europa não aceitaria presenciar mais uma vez a morte de um ateu. Ele gritou a noite inteira, implorando perdão”.
• Talleyrand
falou: “Estou sofrendo a penalidade dos perdidos”.
• Karl Ix (França)
disse: “Estou perante um passo terrível para dentro da escuridão”.
• Sir Thomas Scott
“Até este momento eu pensava que não existia nem Deus nem inferno. Agora sei e sinto que ambos existem e eu sou entregue à perdição pelo julgamento justo do Todo Poderoso”.
• Lenin
antes de morrer, implorou a noite inteira, até às mesas e cadeiras, por perdão dos pecados.
• Churchill
alto Maçom, em cujo meio o ensino da Bíblia é totalmente deturpado, falou na hora da morte: “Que idiota fui eu”.
• Jacoda
chefe da polícia secreta Russa: “Deve haver um Deus. Ele está me castigando por causa dos meus pecados”.
• Jaroslawski
Presidente do movimento Ateu Internacional, falou antes de morrer: “Por favor, queimem todos os meus livros e olhai para o SANTO (Deus)”.
1o de dezembro; Dia Mundial da Luta contra AIDS
Não há mais um grupo restrito de pessoas ou de mulheres que podem vir a ser contaminadas: a Aids as atinge em qualquer idade – inclusive vêm aumentando os casos de idosas portadoras da doença. Por que isso vem acontecendo? Se antes se falava em grupos de risco, como usuários de drogas injetáveis, homossexuais e profissionais do sexo, hoje não se pode ao menos definir um perfil dos portadores da doença. É o que argumenta Carmen Lent, coordenadora do Banco de Horas, entidade de apoio a portadores de HIV/Aids no Rio de Janeiro. “Não existe mais um perfil comum às pessoas com Aids. Atualmente, sabemos que qualquer pessoa sexualmente ativa pode ser infectada pelo HIV. As pessoas não-testadas, casadas ou não, não são necessariamente soronegativas, mas sim sorointerrogativas“, afirma.
O dilema da camisinha
O aumento de casos entre mulheres vai muito além da idéia de liberdade sexual ou da promiscuidade, que também são motivos de contaminação. Pelo contrário. Muitas delas – não importa a idade ou o estado civil – ainda se prendem ao medo de pedir ao parceiro que coloque a camisinha na hora da relação. Segundo a ginecologista, obstetra e sexóloga Mariana Maldonado, a mulher tem maior vulnerabilidade biológica à contaminação. “A vagina é uma importante porta de entrada para o vírus, principalmente se a mulher apresenta alguma infecção, sexualmente transmissível ou não”, explica.
Estudos do Ministério da Saúde apontam que a difícil negociação quanto ao uso do preservativo é um dos principais motivos pelos quais as mulheres vêm sendo infectadas. Mulheres casadas, então, sofrem ainda mais com esse problema, pois têm medo que os maridos interpretem o pedido como um sinal de desconfiança. Porém, se esquecem que podem ser contaminadas por eles mesmos. O condicionamento social, que “determina” que as mulheres casadas confiem cegamente na fidelidade de seus maridos, leva muitas delas a descobrirem – muitas vezes tardiamente – que são portadoras da doença.
O pior é que, em muitos casos, os homens sabem que são portadores do vírus e escondem de suas parceiras ou esposas. “Isso sem falar nas questões culturais em uma sociedade machista, em que muitos homens pensam que são donos de suas mulheres e podem fazer o que bem entenderem dentro e fora de casa. Isso resulta, muitas vezes, em práticas de violência, inclusive sexual, que pode levar à contaminação”, assinala Mariana Maldonado.
Deu positivo. E agora?
A descoberta da doença é um choque para qualquer pessoa. Mas, segundo a coordenadora do Grupo de Apoio às Mulheres com HIV, do Grupo Pela Vidda do Rio de Janeiro, Valéria de Paula, ele é mais intenso nas mulheres. “Quando se descobrem portadoras do HIV, muitas acreditam que não poderão mais se relacionar afetivamente com outro parceiro. Pensam, também, na família e no trabalho. A perspectiva de vida acaba, levando a uma morte social e à exclusão”, relata. Carmen Lent, do Banco de Horas, diz que a reação à notícia varia de acordo com uma série de fatores. “Depende das condições psicológicas, classe econômica, educação, nível de informação, idade, estado civil e contextos familiar e social da mulher que recebe a notícia”.
A reação da família, dos amigos e do parceiro também assusta. Valéria de Paula salienta que a discriminação sobre as mulheres soropositivas é mais dura porque elas são culturalmente preparadas para cuidar da família. Com isso, ao revelar serem portadoras do vírus, sofrem um julgamento moral. “Um fato interessante é que as casadas, mesmo com a descoberta do HIV, muitas vezes são pressionadas pela família a cuidar do parceiro até a morte”, comenta. Mas isso não significa que o caminho das portadoras do HIV seja feito somente de discriminação. “A maioria recebe o apoio das pessoas que ama”, diz Valéria.
Quem tem filhos, é claro, sofre bastante ao pensar no futuro deles. Em sua experiência na coordenação do Grupo de Apoio às Mulheres, Valéria notou que mães portadoras do vírus HIV se preocupam, antes de tudo, com a saúde dos herdeiros – sejam eles soropositivos ou não. Depois, pensam na criação, na alimentação, no sustento e nos medicamentos.
EU VOTO É NO SAMARITANO
“Cristão vota em Cristão. Vote em Pastor Fulano”, dizia o adesivo de campanha colado no vidro de um veículo. Olhando aqueles dizeres me pus a pensar na parábola do Bom Samaritano que Jesus contou em Lucas 10:30-35.
“Um homem estava descendo de Jerusalém para Jericó. No caminho alguns ladrões o assaltaram, tiraram a sua roupa, bateram nele e o deixaram quase morto. Acontece que um sacerdote estava descendo por aquele mesmo caminho. Quando viu o homem, tratou de passar pelo outro lado da estrada. Também um levita passou por ali. Olhou e também foi embora pelo outro lado da estrada. Mas um samaritano que estava viajando por aquele caminho chegou até ali. Quando viu o homem, ficou com muita pena dele. Então chegou perto dele, limpou os seus ferimentos com azeite e vinho e em seguida os enfaixou. Depois disso, o samaritano colocou-o no seu próprio animal e o levou para uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, entregou duas moedas de prata ao dono da pensão, dizendo: -Tome conta dele. Quando eu passar por aqui na volta, pagarei o que você gastar a mais com ele.”
Os Samaritanos eram descendentes de povos de Babilônia, Cuta, Ava, Ramate e Serfavaim, que o Rei da Assíria trouxe para habitar nas terras dos israelitas, numa ocupação patrocinada pela Assíria, que conquistara Israel e expulsara de lá os habitantes do Reino do Norte, séculos antes de Jesus. Assim, os Samaritanos representavam para os Judeus dos dias de Jesus o que os Judeus atuais representam para os Palestinos: usurpadores da terra e inimigos a serem odiados. Além disso, os Samaritanos praticavam uma religião que era abominável aos olhos dos Judeus.
Assim, é de causar surpresa que Jesus, mesmo sendo Judeu, conte uma parábola que tenha um Samaritano como exemplo a ser seguido. Entretanto, acho que isso só deve ser surpresa para quem acha que o que conta, diante de Deus e dos homens, é o que alguém professa crer e não o que alguém pratica.
“Minhas irmãs e meus irmãos, que adianta alguém dizer que tem fé se ela não vier acompanhada de ações?”, nos pergunta Tiago 2:14.
A Fé é algo invisível. Qualquer um pode dizer que tem fé, mas ela só pode ser mostrada na vida e nas ações daquele que crê. Portanto, para mim, não basta alguém dizer que tem fé. É preciso ver o que a fé daquele que diz possuí-la produz no chão da existência.
A fé do Samaritano da parábola de Jesus se concretizava no amor ao próximo. Diferentemente da fé do levita e do sacerdote, que passaram ao largo da necessidade humana, a caminho de uma adoração ritualística a ser praticada em templos religiosos.
Só um cego não vê que Fernando Gabeira, no atual Congresso, demonstra ter muito mais fé do que pastores, católicos carolas –como o Severino (ex-rei do baixo clero), bispos e apóstolos sanguessugas, envolvidos em falcatruas que enchem de ira e nojo todos aqueles que possuem um mínimo de bom senso.
Fé que não se traduz em ações de amor e respeito ao próximo é morta!
O resumo disso tudo é muito simples.
Eu voto em quem pelo que faz mostra a fé que tem!
Não apenas em quem diz que crê!
Faço isto seguindo o exemplo do próprio Jesus!
Os meus candidatos são aqueles que são Samaritanos nas ações!
E você? Vota em quem?
Caro Sr. Roberto Marinho…
Caro Sr. Roberto Marinho…
Sonhos fazem um povo. O senhor, dono da Globo, tem a potência para fazer o brasileiro sonhar
Meu pensamento, de tanto ler os poetas e interpretar sonhos, acabou por adquirir prazer especial em associações insólitas. E foi assim que aconteceu: a visão de um anjo me fez pensar no senhor.
Explico-me.
Perturbado pelas orgias natalinas, tratei de proteger-me contra a loucura ouvindo música sacra e revendo as obras de arte referentes ao nascimento do Menino Deus. Meus olhos se detiveram na tela “Anunciação”, de Fillipo Lippi: o Anjo, ajoelhado, de perfil, lindo rosto juvenil, asas cor-de-abóbora com manchas negras, mansamente diante da Virgem Bendita, assentada, olhos castamente voltados para o chão, as Sagradas Escrituras na mão esquerda, enquanto um Pássaro, pomba, aproxima-se dela em vôo, asas abertas, e está prestes a pousar no seu colo.
O Anjo trouxera o Pássaro. O Pássaro era a semente engravidante. E, como é bem sabido, nos poemas sagrados o Pássaro é o Espírito. Maria foi engravidada pelo Pássaro Divino.
Uma tradição teológica antiquíssima reza que Maria permaneceu ginecologicamente virgem porque foi pelo seu ouvido que o Pássaro entrou. Acredito: muitas gravidezes acontecem através do ouvido.
Ora, o que entra no ouvido é a palavra: o Pássaro Divino cantou um canto tão lindo que a Virgem ficou grávida e dela nasceu o Filho de Deus.
Hoje muito se fala sobre anjos e suas funções. Mas nunca ouvi ninguém se referir aos importantíssimos Anjos Engravidantes, os mesmos que fizeram Sara ficar grávida depois de velha. Assim, pela mediação de um Anjo Engravidante, Deus Todo-Poderoso empreendeu trazer o Paraíso de novo à Terra.
Foi então que o meu pensamento deu uma cambalhota. Pensou que, se fosse hoje, as coisas teriam acontecido de forma diversa: a Virgem, em vez de ter o livro sagrado na mão esquerda, estaria ligada a algum canal de televisão.
Anjos e televisões se parecem em virtude de sua limitada capacidade virtual: dentro dos dois moram e voam pombas sem número. E seria do vídeo que a Pomba divina estaria saindo e voando, não só para o ouvido como também para os olhos da Virgem. Por meio da televisão, a Imaculada Conceição.
Anjos frequentemente aparecem disfarçados de homens comuns.
Veio-me, então, a idéia de que, talvez, o senhor pudesse ser um deles. O Anjo engravidou uma virgem pela palavra. A TV engravida por palavra e imagem. O senhor, dono da Globo, é muito mais potente que qualquer anjo. Anjos engravidam no varejo. O senhor pode engravidar no atacado. Já imaginou?
Engravidar uma nação inteira?
Eu não tenho 63 anos: 63 paus de fósforo que nunca mais se acenderão. O senhor, pelo que me consta, é mais velho que eu.
Meu pai dizia que a vida, até os 60, é de direito. Depois é bonificação. Depois dos 60, todos estamos equidistantes da eternidade.
O senhor já notou que os ipês florescem no inverno? Sabe por quê? No inverno é frio e seco. As árvores ficam com medo de morrer. Por isso produzem, florescem e ejaculam suas sementes ao vento. Antes de morrer, um grande orgasmo de cor e beleza.
Querem plantar suas sementes no ventre da mãe-terra.
Não seria a hora de fazer como os ipês? No Brasil inteiro não há homem mais potente que o senhor: in-seminar palavras e imagens nos ouvidos e nos olhos de todo mundo… Para quê?
O venerável santo Agostinho disse que um povo é um conjunto de pessoas unidas por um mesmo sonho. São os sonhos que fazem um povo. Mas sonhos não moram em argumentos ou razão.
Moram nas imagens e na poesia. O senhor, dono da Globo, tem a potência para fazer o povo brasileiro sonhar.
Os textos sagrados fazem a promessa de que, com a vinda do Messias, os velhos desandariam a sonhar. Pensei que o senhor, já velho, poderia ser tocado pela promessa messiânica e ter um sonho parecido com o de Abraão, o de ser pai de uma nação.
Mas isso só se o senhor aceitar a vocação de Anjo Engravidante.
Deus me livre, não estou sugerindo que o senhor encha os programas da TV Globo com programas educativos. Programas educativos são inteligentes, belos e inúteis. Somente os que já estão educados se interessam por eles. Quem não é educado, para ser engravidado, tem de ser seduzido.
Anjo Engravidante, para engravidar, tem antes de ser Anjo Sedutor. Os sedutores sabem que a sedução se faz com coisas mínimas. “Sermões e lógicas jamais convencem”, dizia Whitman.
“Só se convence fazendo sonhar”, dizia Bachelard. Sedução por imagens mínimas, palavras poucas, haicais, aperitivos. Por favor: não mate a fome do povo. Faça o povo ficar faminto. Uma televisão “fome-gerante”…
Assim, se o senhor se transformasse em Anjo Engravidante, poderia ir pingando mínimas sementes nos mínimos intervalos dos programas, imagens daquelas coisas boas e belas, gestos, atitudes, pensamentos que seduziriam as pessoas a ir recriando o Paraíso neste nosso país. Criar fome de Paraíso…
Não seria uma bela maneira de ir se preparando para dizer adeus?
Eu já estou dizendo adeus faz muito. Mas o senhor pode dizer adeus de um jeito que eu não posso: ir voando, batendo as asas cor-de-abóbora com manchas negras de um Anjo Engravidante…
Rubem Alves, 63, educador, escritor e psicanalista, doutor em filosofia pela Universidade de Princeton (EUA), é professor emérito da Unicamp.
Papagaios também falam
Papagaios falam. Aprendem a repetir palavras, frases e até a
cantar e contar piadas. Há quem acredite que eles saibam ler, só
porque tiram bilhetinhos da gaveta do realejo. Mas duvido que você
peça conselhos ao bichinho.
O papagaio pode fazer tudo, menos se comunicar, a não ser com
outro papagaio. Digo comunicar no sentido de saber o que você está
dizendo e ele repetindo. É fácil provar isso. Acaso seu papagaio
riu da primeira vez que você contou a piada que ele decorou?
Para alguns, comunicar-se é saber falar e escrever, mas isso não
basta. Visite meia dúzia de sites corporativos e clique na
declaração de “Missão, Visão e Valores” da empresa, e depois peça
para algum colaborador explicar aquilo. Quer se divertir? Peça ao
presidente ou ao diretor.
Em algumas empresas é gasto mais tempo para escolher a moldura do
que a declaração, e às vezes a direção nem participa do processo.
Pedem para o Júnior encontrar alguma frase bonita no Google.
Toda empresa precisa ter uma história para contar. Esqueça o ano
de fundação e a foto do bisavô de bigodão. Sua história é aquilo
que cria um elo de comunicação e relacionamento envolvendo
colaboradores, clientes, fornecedores, acionistas e comunidade.
Você gosta de histórias sem emoção? Se não evocar emoções não é
história, é relatório. Sem histórias não há comunicação, e sem
comunicação não existe história. Nossa civilização foi costurada
com histórias contadas ao redor da fogueira.
Pode observar: os melhores comunicadores em uma empresa são os que
contam as melhores histórias de si mesmos, dos produtos e da
empresa, e cativam. Ouvi dizer que o projeto original de Brasília
não tinha calçadas, só grama. As calçadas seriam feitas sobre as
trilhas que as pessoas deixassem.
É assim que funciona, descubra aqueles que deixam trilhas
positivas e compartilhe isso com todos. Comunicação não é o que a
empresa diz aos funcionários e ao mercado, mas o que ela ouve
dessas fontes também. Essa é a comunicação que vai funcionar, que
vai criar um discurso homogêneo, e não algumas palavras bonitas
tiradas daquela página grudada do Aurélio.
Até bandidos sabem disso. Eles combinam rapidamente que história
vão contar, antes da polícia chegar. Por isso a polícia costuma
separar a quadrilha e pedir detalhes para cada um, e é aí que a
porca torce o rabo. É bom começar a estimular a conversação em sua
equipe, ou a polícia do mercado vai descobrir contradições. Isso é
comunicação interna ou externa? Vamos ver.
Imagine o cenário: sua função é fazer um furo numa chapa e passar
para o colega com instruções do parafuso que vai ali. Isso é
comunicação. Siga essa chapa e ela vai chegar como torradeira nas
mãos da dona Maria. Em que ponto do processo você colocaria o
divisor de águas? Onde a comunicação deixou de ser interna para ser
externa?
Ah! No ponto em que a torradeira saiu da empresa! Tá, até parece.
Aí a dona Maria vê no Orkut que tem um tal de Júnior que trabalha
na masmorra daquela fábrica, na seção sem comunicação com o
público, e manda um recado perguntando da torradeira. Ele, que se
acha um pão, não vai deixar de responder, e acaba queimando a marca.
É melhor ensinar sua turma a traduzir seu negócio, sua marca e seu
produto, e criar um ambiente de comunicação corporativa, que é a
soma de todos os significados que transitam dentro e fora da
empresa. Porque a tecnologia está transformando cada Júnior de sua
equipe em um relações públicas.
Muitos médicos costumam ter dificuldades para se comunicar com seus
clientes por não saberem traduzir. Antes a gente culpava a letra,
mas agora que a receita sai da impressora, a gente viu que é grego
mesmo. Alguns pensam que seu paciente fala o mesmo idioma. Não fala.
Um deles contou do problema de se comunicar com um paciente.
Depois de escrever uma receita de uma pomada para a micose que o
velhinho tinha no braço, deu a ele o papel com a instrução:
- Passe isso no braço duas vezes ao dia e volte daqui a um mês.
Uma semana depois o paciente estava de volta e, mostrando a
receita toda suja e gasta, pediu:
- Doutor, faz outra aí que esta não durou nem uma semana.
ESCUTATÓRIA
Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.Escutar é complicado e sutil. Diz o Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma“. Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas – coitadinhas delas – entram e caem num mar de idéias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver e preciso que a cabeça esteja vazia.Faz muito tempo, nunca me esqueci. Eu ia de ônibus. Atrás, duas mulheres conversavam. Uma delas contava para a amiga os seus sofrimentos. (Contou-me uma amiga, nordestina, que o jogo que as mulheres do Nordeste gostam de fazer quando conversam umas com as outras é comparar sofrimentos. Quanto maior o sofrimento, mais bonitas são a mulher e a sua vida. Conversar é a arte de produzir-se literariamente como mulher de sofrimentos. Acho que foi lá que a ópera foi inventada. A alma é uma literatura. É nisso que se baseia a psicanálise…) Voltando ao ônibus. Falavam de sofrimentos. Uma delas contava do marido hospitalizado, dos médicos, dos exames complicados, das injeções na veia – a enfermeira nunca acertava -, dos vômitos e das urinas. Era um relato comovente de dor. Até que o relato chegou ao fim, esperando, evidentemente, o aplauso, a admiração, uma palavra de acolhimento na alma da outra que, supostamente, ouvia. Mas o que a sofredora ouviu foi o seguinte: “Mas isso não é nada…“ A segunda iniciou, então, uma história de sofrimentos incomparavelmente mais terríveis e dignos de uma ópera que os sofrimentos da primeira.Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma.“ Daí a dificuldade: a gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg – citado por Murilo Mendes: “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas.“ Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos…
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos, estimulado pela revolução de 64. Pastor protestante (não “evangélico“), foi trabalhar num programa educacional da Igreja Presbiteriana USA, voltado para minorias. Contou-me de sua experiência com os índios. As reuniões são estranhas. Reunidos os participantes, ninguém fala. Há um longo, longo silêncio. (Os pianistas, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio, como se estivessem orando. Não rezando. Reza é falatório para não ouvir. Orando. Abrindo vazios de silêncio. Expulsando todas as idéias estranhas. Também para se tocar piano é preciso não ter filosofia nenhuma). Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala. Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio. Falar logo em seguida seria um grande desrespeito. Pois o outro falou os seus pensamentos, pensamentos que julgava essenciais. Sendo dele, os pensamentos não são meus. São-me estranhos. Comida que é preciso digerir. Digerir leva tempo. É preciso tempo para entender o que o outro falou. Se falo logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: “Fiquei em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não ouvi o que você falou. Enquanto você falava eu pensava nas coisas que eu iria falar quando você terminasse sua (tola) fala. Falo como se você não tivesse falado.“ Segunda: “Ouvi o que você falou. Mas isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou.“ Em ambos os casos estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada. O longo silêncio quer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.“ E assim vai a reunião.
Há grupos religiosos cuja liturgia consiste de silêncio. Faz alguns anos passei uma semana num mosteiro na Suíça, Grand Champs. Eu e algumas outras pessoas ali estávamos para, juntos, escrever um livro. Era uma antiga fazenda. Velhas construções, não me esqueço da água no chafariz onde as pombas vinham beber. Havia uma disciplina de silêncio, não total, mas de uma fala mínima. O que me deu enorme prazer às refeições. Não tinha a obrigação de manter uma conversa com meus vizinhos de mesa. Podia comer pensando na comida. Também para comer é preciso não ter filosofia. Não ter obrigação de falar é uma felicidade. Mas logo fui informado de que parte da disciplina do mosteiro era participar da liturgia três vezes por dia: às 7 da manhã, ao meio-dia e às 6 da tarde. Estremeci de medo. Mas obedeci. O lugar sagrado era um velho celeiro, todo de madeira, teto muito alto. Escuro. Haviam aberto buracos na madeira, ali colocando vidros de várias cores. Era uma atmosfera de luz mortiça, iluminado por algumas velas sobre o altar, uma mesa simples com um ícone oriental de Cristo. Uns poucos bancos arranjados em “U“ definiam um amplo espaço vazio, no centro, onde quem quisesse podia se assentar numa almofada, sobre um tapete. Cheguei alguns minutos antes da hora marcada. Era um grande silêncio. Muito frio, nuvens escuras cobriam o céu e corriam, levadas por um vento impetuoso que descia dos Alpes. A força do vento era tanta que o velho celeiro torcia e rangia, como se fosse um navio de madeira num mar agitado. O vento batia nas macieiras nuas do pomar e o barulho era como o de ondas que se quebram. Estranhei. Os suíços são sempre pontuais. A liturgia não começava. E ninguém tomava providências. Todos continuavam do mesmo jeito, sem nada fazer. Ninguém que se levantasse para dizer: “Meus irmãos, vamos cantar o hino…“ Cinco minutos, dez, quinze. Só depois de vinte minutos é que eu, estúpido, percebi que tudo já se iniciara vinte minutos antes. As pessoas estavam lá para se alimentar de silêncio. E eu comecei a me alimentar de silêncio também. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia. Eu comecei a ouvir. Fernando Pessoa conhecia a experiência, e se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras, no lugar onde não há palavras. E música, melodia que não havia e que quando ouvida nos faz chorar. A música acontece no silêncio. É preciso que todos os ruídos cessem. No silêncio, abrem-se as portas de um mundo encantado que mora em nós – como no poema de Mallarmé, A catedral submersa, que Debussy musicou. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar – quem faz mergulho sabe – a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Me veio agora a idéia de que, talvez, essa seja a essência da experiência religiosa – quando ficamos mudos, sem fala. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia, que de tão linda nos faz chorar. Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto… (O amor que acende a lua, pág. 65.)
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